Foto: Marcelo Casal/Agência Brasil

O governador João Azevêdo (Cidadania), que não tomou atitude unilateral, ao contrário, ouviu médicos e cientistas, com o aval do secretário de Saúde do Estado, Geraldo Medeiros, médico por formação, restringiu o uso de medicamentos que não são próprios ao combate à Covid-19, exceto em casos graves.

Estudos apontam in vitro alguns bons resultados de de medicamentos, mas no corpo humano, como disse bem o ex-ministro de Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e seu sucessor, o breve Luiz Teich, não há comprovação científica em todo o mundo que esse protocolo defendido por alguns médicos, também (paraibanos) seja eficaz no que diz respeito ao uso da cloroquina e derivações.

E aqui digo: eu tive a Covid-19 de forma quase severa. Não precisei ser hospitalizado. Mas, um amigo que é médico, proibiu uso da cloroquina, pois seria certamente meu fim. Mas vale um adendo: tudo isso foi pautado em procedimentos médicos e avaliações criteriosas. Os profissionais sabem a administração dos respectivos medicamentos. Mas na aflição do SUS, há tempo para tal análise em leitos de UTI abarrotadas de pacientes agonizantes?

Mas uma coisa é correta: só a vacina vai nos livrar de tal mal, não um manifesto

Ótimo: vamos aplaudir? Um manifesto público, subscrito por dezenas de médicos que atuam na Paraíba, publicado essa semana, defende que prefeitos e secretários implementem, com urgência, o Protocolo de Tratamento Precoce do Covid-19, com uso de Hidroxicloroquina + Azitromicina + Ivermectina + Zinco a fim de provocar a redução das hospitalizações e mortes pela doença.

Mas vamos com calma! E aqui não desqualifico tais profissionais. Seria o mesmo que apontar um erro de cálculo estrutural a um engenheiro. Mas vamos por partes, como “fazia”Jack, o Estripador. Continuemos a fatiar os fatos. Não posso eu julgar um manifesto de médicos, embora ele não esteja respaldo à total posição do Conselho Regional de Medicina da Paraíba. Foi ato democrático e avulso. Esse é o primeiro ponto e legítimo.

E longe das situações políticas, entendo (por já ter lido em conceituados artigos de forma exaustiva) que o uso de tais substâncias são válidas para tentar salvar a vida dos pacientes em estado grave, não em fase amena da enfermidade. Não em sintomas leves, o que quero expressar. Devo observar o que é de direito, não fake news, que só atrapalham, inclusive, a conduta dos profissionais de saúde. Essa é a verdade dos fatos.

Eu tive grave situação da Covid-19. E não foi algo mínimo. Pensei que iria morrer. Pois tenho pressão arterial alta. Caso a cloroquina fosse administrada, poderia, eu disse, “poderia”, morrer em decorrência de infarto ou algo similar, pois me foi passado que ela (a cloroquina) aumenta a pressão arterial pelo médico que me assistiu.

Aí posto alguns adendos sobre o uso da cloroquina em publicações científicas internacionais e nacionais.

Estudo americano tem mais mortes em pacientes que usaram hidroxicloroquina

Um estudo feito nos Estados Unidos e divulgado no mês passado não encontrou evidência de eficácia do uso de hidroxicloroquina, ministrada ou não em conjunto com azitromicina, no tratamento de pacientes com covid-19.

A hidroxicloroquina e um composto similar, a cloroquina. Foram citados diversas vezes pelo presidente Jair Bolsonaro como drogas promissoras para enfrentar a pandemia do novo coronavírus, a ponto de o governo ter enviado milhões de amostras para serem ministradas a pacientes em estado grave internados na rede pública de saúde.

Eu não posso imaginar o horário que o leitor irá ler tal artigo, ou mesmo se é de interesse, afinal, prioridades em nossas vidas são mil. Contudo, peço àquelas pessoas que analisem o que vou escrever. Em tempo: isso é algo bem individual partindo do conhecimento de mundo que tenho, e cada ser humano tem.

Vamos lá!

Cloroquina tem maus resultados contra coronavírus em estudo feito nos EUA

Mais um estudo demonstra as limitações do uso da hidroxicloroquina no combate à Covid-19. Na pesquisa divulgada no mês passado na plataforma on-line de estudos científicos Medrxiv, investigadores relatam os efeitos do remédio em veteranos de guerra atendidos em hospitais dos Estados Unidos.

Foram constatadas mais mortes entre aqueles que receberam a droga desenvolvida para tratar malária e artrite reumatoide do que entre os submetidos ao tratamento padrão para a doença causada pelo novo coronavírus.

Liderada pela Universidade de Virgínia, a equipe analisou, de forma retrospectiva, a evolução da Covid-19 em 368 pacientes de 170 hospitais de uma rede voltada apenas para atendimento de ex-combatentes de guerra. Os investigadores constataram que cerca de 28% das pessoas que receberam hidroxicloroquina combinada com tratamento padrão morreram. A taxa de óbito entre pacientes que receberam a assistência tradicional foi de 11%.

Além disso, cerca de 22% dos que receberam hidroxicloroquina com azitromicina (um antibiótico) morreram. A diferença entre esse grupo e o que recebeu apenas tratamento padrão não foi considerada significativa o suficiente para descartar que outros fatores podem ter influenciado o óbito. “Nesse estudo, não encontramos evidências de que o uso de hidroxicloroquina, com ou sem azitromicina, reduzisse o risco de ventilação mecânica em pacientes hospitalizados com Covid-19”, escreveram.

Brasil, um país dividido por um medicamento “político” que não é aceito no mundo inteiro

O primeiro aspecto: somos todos brasileiros. Miscigenados. Falamos a mesma língua em um país continental. Os movimentos separatistas são ínfimos. A título de comparação, o espanhol não é a única língua oficial da Espanha. No país, são faladas outras: Catalão, Galego e Vasco. Idiomas que foram reconhecidos oficialmente na Constituição espanhola de dezembro de 1978.

E elegi a Espanha por questão aleatória. Nada em relação à União Europeia, política ou ao povo espanhol. Por sua vez, aquela Nação tem 17 regiões autônomas com geografia e cultura diversas e foi um dos países mais “castigados” pela Covid-19 no Mundo Ocidental.

Muito diferente do Brasil, que tem 27 unidades federativas, no entanto, sua área total é de apenas 4.324.782 km² com suas ilhas, bem menos que o Brasil (8.515.767 km²), obvio!

Ea Espanha digo: não é fácil de entender. Mas aí estão números básicos de um país milenar. Para se ter uma ideia, por incrível que pareçam, a coleta de dados referente à aquela nação é de difícil acesso. O trabalho foi árduo e sei que contempla muito pouco daquela unidade. Mas o esforço foi hercúleo.

O que consegui? Minas Gerais [586.522 km²] — Espanha [504.645 km²]. Ou seja: país minúsculo, com forte tendência separatista. Agora o mérito da questão: mesmo tendo fortes tendências separatistas, cujo um dos epicentro do novo coronavirus no Ocidente foi lá, todos se reuniram em defesa da vida e contra à Covid-19. Muito diferente dos que entendem uma pandemia como um problema político. Ainda bem que são poucos. Semana passada eram 30% da nossa população, e isso tende e diminuir à medida que o número de mortes aumenta, inclusive ( e não desejo isso) aos negacionistas.

O resto é um cavalo de duas patas sobre um equino de quatro. E digo: o equino de raça boa é bem mais inteligente do que aquele que o montou.

No Brasil: entidades médicas se posicionam contra protocolo sobre a cloroquina

Pesquisadores da Academia Nacional de Medicina, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), da USP (Universidade de São Paulo) e de outras três entidades se posicionaram contra o protocolo do governo federal para o uso da hidroxicloroquina no tratamento de pacientes de covid-19.

Além de a eficácia do medicamento não ter sido comprovada, alertam os especialistas, ele também pode causar efeitos colaterais graves. “Não há evidências científicas favoráveis que sustentem o uso de CQ/HCQ [cloroquina/hidroxicloroquina] em qualquer dose ou estágio da covid-19, quer no nível individual, quer no de políticas públicas. Por outro lado, há estudos que demonstram que o uso de CQ CQ/HCQ […] pode estar associado à maior frequência de eventos adversos graves e com maior letalidade”, escrevem.

Em tempo: não é um presidente da República que nada entende de medicina, muito menos um general de logística (interino do Ministério da Saúde) que só sabe enviar suprimentos para as tropas para opinar sobre medicamentos. Esse senhor não pode prescrever, se desejar, um melhoral infantil.

Apenas um médico, e muito bem qualificado, pode informar os procedimentos a serem tomados relativos a qualquer enfermidade.

Nota do Conselho Regional de Medicina da Paraíba em relação à cloroquina

CRM-PB e AMPB publicam nota técnica sobre prescrição da cloroquina e da hidroxicloroquina em casos de Covid-1

O Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) e Associação Médica da Paraíba (AMPB) publicaram a Nota Técnica n° 02/2020 com o parecer conjunto sobre a prescrição médica da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento de pacientes com a Covid-19 no estado da Paraíba.

O documento está disponível no site do CRM-PB (neste link Nota Técnica n° 02/2020) e reitera a autonomia do médico em prescrever, apesar de não haver evidências científicas para tratamento da Covid-19, a Hidroxicloquina e a Cloroquina, após o consentimento por escrito do paciente.

A nota destaca ainda que nenhum médico será julgado eticamente por prescrever as medicações, salvo se futuras evidências alertarem para contraindicações.

Eliabe Castor
PB Agora

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