Depois do “desafio da rasteira”,  também chamado de “quebra crânio” que causou traumatismo craniano em uma criança de 11 anos em uma cidade do Estado de São Paulo, e uma morte no Rio Grande do Norte, um novo “desafio” perigoso viralizou nas redes sociais e nas escolas de educação básica.

Trata-se do “desafio do casaco”. No vídeo divulgado, um estudante de uma escola particular “laça” outro pelas costas, com o auxílio de um casaco e o puxa pelas pernas. A menina cai com o rosto  no chão com um forte impacto. Os vídeos divulgados na internet elevaram o alerta de pais, especialistas e escolas. A atitude pode causar danos graves, incluindo a morte, de acordo com especialistas.

O neurocirurgião Rafael Rodrigues Holanda, ficou perplexo com a nova brincadeira, e em entrevista ao PB Agora, alertou para perigo que ela pode causar na pessoa.

Com a experiência de quem já realizou mais de 15 mil cirurgias, o médico natural de Cajazeiras (PB), explicou os perigos de uma queda nestas circunstâncias.

“Na realidade é mais uma loucura que essa juventude está inventando. Quando você faz uma manobra intempestiva dessa, o indivíduo bate a face no chão. E o que pode acontecer com esse impacto? Fratura de mandíbula, fratura de dentes e dos ossos do nariz e da região frontal” destacou.
Além do mais, conforme advertiu o especialista, se o chão tiver pedra, a pessoa pode estourar os olhos.

O neurocirurgião observou que a queda brusca também pode causar traumas com repercussão celebrais e luxação de colunas verticais entre outras complicações com danos irreversíveis.

Rafael Holanda já havia alertado em entrevista ao PB Agora, sobre os riscos do “desafio da rasteira”. Ele observou que uma manobra intempestiva em que a pessoa bate com a cabeça no chão, pode ser fatal.
“Aquilo não é uma brincadeira. Aquilo é um tiro na vida. Ele pode ter uma fratura na região occipital, e nessa região passa grandes vasos cerebrais. E o indivíduo pode ter uma hemorragia fulminante e morrer ali naquele local” alertou o neurocirurgião.
Além dessa pancada na região occipital segundo dr Rafael, o indivíduo pode ter uma repercussão no lombo frontal com hemorragia intensa, e o arrancamento violento do primeiro par craniano olfatório.

Nas duas brincadeiras, o indivíduo é pego desprevenido, no ar, de forma que não tem tempo de se defender durante a queda. Tal tipo de trauma pode levar a Traumatismos Crânio Encefálico (TCE) ou Traumatismos Raquimedulares (TRM), além de lesões osteomusculares que podem causar fraturas ou contusões mais leves”, diz o especialista.

No caso do TRM, a pessoa pode sofrer lesão medular, causando perda da função neurológica abaixo da lesão (paralisias ou perda de sensibilidade). No caso do TCE, os riscos são os danos de couro cabeludo, fraturas de crânio, lesões do cérebro e os hematomas intracranianos que, em último caso, podem levar à morte do indivíduo.

Como resposta aos vídeos, escolas têm reunido médicos, pais e alunos com intuito de promover conscientização sobre os perigos do “quebra-crânio” e “desafio do casaco” e desmotivar sua prática. Um colégio particular em Campina Grande chegou a gravar um vídeo com estudantes batizando de “líderes mirins” mostrando que “amigo” não derruba o outro, mas ajuda o semelhante promovendo brincadeiras saudáveis e sem risco de acidente.

Severino Lopes
PB Agora

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