Por pbagora.com.br

O número de pessoas que perderam a vida em decorrência da covid-19 no Brasil já é maior que a população de 92% dos municípios brasileiros. Balanço divulgado pelo Ministério da Saúde nesta noite (15) registra 107.232 óbitos causados pelo novo coronavírus (709 a mais do que o notificado ontem).

O total acumulado nos últimos cinco meses, desde a chegada da pandemia ao país, supera os habitantes de 5.275 dos 5.570 dos municípios, conforme estimativa feita em 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É como se todos os moradores de uma cidade inteira do porte da turística e histórica Araxá (MG) fossem dizimados.

Já o número de infectados pelo vírus subiu para 3.317.096 (com 41.576 novos casos). Apenas São Paulo e Rio de Janeiro têm população acima dos casos confirmados. Menos de 40 cidades não registraram casos de covid-19. O Brasil é o segundo país com mais mortos e infectados, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, que somam 169 mil óbitos e 5,3 milhões de casos. Muito mais que estatísticas, vidas humanas e histórias interrompidas e dramas familiares.

Há três meses o Brasil está sem um ministro titular da Saúde. O general Eduardo Pazuello, que comanda interinamente a pasta há três meses, é conhecido por apenas 10% dos brasileiros, segundo pesquisa do Datafolha. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, demitido em abril após entrar em rota de colisão com o presidente da República, responsabilizou Jair Bolsonaro pelos números da tragédia.

Mandetta acusou Bolsonaro de levar os brasileiros a um desfiladeiro mortal por causa de seu egoísmo e sua posição anticientífica. “Ele conduziu o povo brasileiro para um desfiladeiro em marcha rápida e as pessoas caíram e morreram – e ter que reconhecer que isso foi um erro, que causou dor, acho que deve ser politicamente complicado para ele agora.”

Ainda no início da pandemia, Mandetta alertou para o risco de colapso do sistema de saúde brasileiro e para um elevadíssimo número de mortos. Também defendeu a necessidade de isolamento social como medida preventiva, fazendo eco às posições da Organização Mundial de Saúde (OMS). Orientações que foram confrontadas pelo presidente e seus seguidores e que resultaram na demissão do então ministro.

 

Redação com Congresso em Foco

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