A atriz Daniela Escobar compartilhou nas redes sociais que quase perdeu a mão após ser mordida por seu gato de estimação e contrair uma bactéria presente na saliva do animal. A informação e as imagens do drama vivido pela atriz, compartilhadas na última terça-feira (30/7) pelo Instagram, provocaram uma série de comentários, críticas e, principalmente, dúvidas sobre o assunto. Afinal, mordida de gato pode ser mesmo tão grave?

De acordo com a veterinária especialista em felinos Clarissa Dosualdo, é preciso ter cautela diante da pergunta, para que não se aumente a lista de preconceitos a respeito dos felinos (veja Verdade e mitos abaixo). Para uma compreensão do que ocorreu com a atriz, seriam necessárias mais informações, principalmente qual o tipo de bactéria a infectou. Clarissa, no entanto, afirma que qualquer boca — de qualquer animal, inclusive de humanos — pode estar contaminada por bactérias patogênicas.

“Se pensarmos nas principais bactérias existentes na boca do gato, vamos perceber que elas também existem em outros bichos. As bactérias que são citadas como zoonozes transmitidas por mordeduras podem ser encontradas nas bocas dos cães também, por exemplo”, afirma.

Em um trecho da publicação de Daniela Escobar, que já tem mais de 2.400 comentários no Instagram, a atriz afirma que a saliva de gatos, mesmo dos vacinados, solta uma bactéria que deixa os dedos paralisados até ficarem roxos, o que pode levar à amputação da mão inteira caso não sejam administrados os antibióticos necessários imediatamente.

Sobre essa descrição, a veterinária acrescenta que qualquer infecção não tratada corretamente pode gerar problemas graves, como necrose de tecidos ou amputação de um membro. “Não é um problema relacionado exclusivamente ao gato, muitos fatores devem ser analisados nesse caso que repercutiu”, comenta.

Como os gatos têm dentes finos, pode haver, em caso de mordida, maior facilidade de inoculação de bactérias, e que isso gere infecção, edemas ou dores. “É importante salientar ainda que uma pessoa com baixa imunidade e que seja mordida, terá maiores problemas no caso de infecção. Porém, pessoas imunocompetentes também podem adquirir”, explica a veterinária.

Para Clarissa, é necessário, portanto, cuidado e esclarecimentos sobre o assunto. “Por mais que a publicação da atriz tenha buscado alertar e contar o drama vivido, a informação pode gerar confusão nas pessoas, ainda mais sobre os gatos, que já sofrem tantos preconceitos. Como essa situação não é somente ocasionada por felinos, é necessário mais cuidado ao tocar no assunto”, aconselha.

A veterinária Leila Sena, também especialista em medicina felina, explica que o que aconteceu com Daniela Escobar foi uma exceção. “Conviver com gatos não é perigoso. Se fosse assim vários veterinários e pessoas que trabalham com animais perderiam membros aos montes após mordidas. Convêm lembrar que gatos são carnívoros. Se tiverem vida livre e caçarem, existe um risco maior de contaminação após uma mordida. Geralmente não escovamos seus dentes e portanto, há risco de infecção ao ser mordido. Porém, dificilmente esses casos acontecem. Gatos raramente atacam, quando ocorre geralmente estão assustados ou acuados”, diz.

 

“Na boca do gato pode sim existir bactérias que, dependendo do sistema imunológico da pessoa e dos cuidados logo após o acidente,  pode evoluir para um caso grave. Mas não é culpa do gato. Isso poderia acontecer com a mordida de um outro animal ou ainda ferindo a mão com algum objeto ou em alguma planta”, diz.

Leila Sena destaca, portanto, que não existe uma bactéria “perigosíssima” e exclusiva na boca do gato. “Lembrando que a evolução do quadro de infecção bacteriana dependerá da pessoa e seu sistema imunológico e ainda de seu histórico de saúde. Exemplo: uma pessoa que tomou antibiótico muitas vezes na vida sem indicação tem maior risco de ser resistente aos antibióticos presentes e não responder ao tratamento. Assim como pessoas imunossuprimidas também tem mais risco de complicação em casos de infecção bacteriana”, finaliza.

Doença da arranhadura do gato

A veterinária Edilaine Sarlo Fernandes, coordenadora do curso de medicina veterinária da Universidade Católica de Brasília (UCB), explica que existe um mal conhecido como doença da arranhadura do gato (DAG), causado pela bactéria Bartonella hanselae. Entretanto, frisa a especialista, essa não é uma bactéria presente em todos os gatos e também há relatos de presença em outras espécies.

No caso dessa doença específica, a saliva do animal entra em contato com o sangue, e a bactéria infecta o ser humano, que, dependendo do seu sistema imunológico, poderá desenvolver desde uma leve inflamação local até lesões mais graves, como alterações no fígado, necrose local e sintomas neurológicos. Os sintomas aparecem geralmente entre três e 10 dias após a inoculação da bactéria. A doença, informa Edilaine, é tratável, e a pessoa deve procurar um infectologista para receber as orientações adequadas.

De maneira geral, após receber uma mordida de gato ou de qualquer outro animal, é aconselhável lavar o local da ferida com água e sabão, fazer uso de antissépticos para diminuir a inoculação de patógenos e, se for preciso, ir a um pronto-socorro, principalmente se a mordida for proveniente de um animal de rua ou do qual não se saiba a procedência.

 

Redação com Correio Braziliense

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