Por pbagora.com.br

O Hospital Infantil Arlinda Marques, em João Pessoa, começou a fazer
cirurgias neurológicas de crianças paraibanas, que segundo os médicos,
estavam em uma lista da morte com mais de 50 pacientes, por falta de um
hospital no Estado, que as operasse. Em pouco mais de um mês, foram feitos
oito procedimentos cirúrgicos. Nesta fase inicial, o hospital terá
capacidade para realizar duas neurocirurgias, por semana. A determinação do
secretário estadual da Saúde, José Maria de França, é transformar a unidade
em uma referência no Estado nas áreas de neuropediatria, ortopedia e
cardiologia.

“O Estado não pode continuar tratando crianças com diarréia, pneumonia,
virose e fimose – que podem e devem ser atendidas nas unidades básicas de
saúde e em hospitais municipais de menor porte – enquanto meninos com
tumores cerebrais, cardiopatias graves e problemas ósseos estão morrendo ou
se juntando a uma legião de sequelados. É preciso que cada um assuma a
responsabilidade na assistência das crianças paraibanas. Se não for para ser
um hospital de alta complexidade não há razão para o Arlinda Marques
continuar sob a gerência do Estado”, afirmou.

*Caso de Justiça – *Na semana passada, o secretário se reuniu com a direção
do hospital e com os médicos das equipes de neuropediatria e ortopedia e
afirmou que ficou estarrecido e indignado com os relatos do dia-a-dia dos
profissionais. O neuropediatra, Jefferson Martins, disse que a estrutura que
está sendo criada pela atual gestão era uma necessidade antiga. “O único
hospital que temos para operar crianças com hidrocefalia, por exemplo, é o
São Vicente, que é um hospital de adulto. Sem dúvida, a Paraíba precisa ter
um hospital infantil de referência para esses e outros casos”, disse.

O neurocirurgião Christian Diniz disse que muitas crianças já morreram no
Estado em uma fila que não andava, por falta de um serviço infantil.
“Tentamos, nos últimos anos, de tudo para salvar essas crianças. Recorremos
à Justiça, à Sociedade de Pediatria, às curadorias do Ministério Público e
até ao ex-governador. Algumas conseguimos salvar, mandando para o Hospital
de Trauma ou para Recife, mas nunca conseguimos garantir a assistência na
hora que os pacientes precisavam. Tudo era na agonia”, relatou.

Segundo o médico de 56 pacientes que ele e a oncologista Andréa Gadelha
acompanharam desde 2007 (com hidrocefalia, tumores, aneurismas, fechamentos
precoces de suturas cranianas e outros), pelo menos, 10 não resistiram e
morreram. “Tem um caso que me chocou bastante: acompanhei uma criança de 4
anos ter morte encefálica por causa de um abscesso decorrente de uma
sinusite. E quantas não morrem com tumores, sem ao menos um diagnóstico?
Essa era a nossa via crucis, que está perto de terminar com essa iniciativa
do Governo do Estado, que assumiu esse compromisso com os médicos e com a
população do Estado”, questionou o médico.

*Câncer – *A oncologista Andréa Gadelha endossou o depoimento do colega. “A
cada caso que chegava, ficávamos enlouquecidos. Se operássemos não tinha
UTI. A nossa luta é diária com as prefeituras que não se responsabilizam
pelo transporte das crianças a um hospital, e com a falta de um serviço para
diagnóstico. No Hospital Laureano aumentaram os casos de crianças com
tumores ósseos e precisamos garantir a rede de oncologia no Estado para
diagnosticar precocemente e tratar esses casos”, disse. A médica recebeu a
garantia do secretário de que o hospital daria o suporte necessário também à
oncologia.

*Por direito e não ‘por favor’* – A diretora-geral do Complexo de Pediatria
Arlinda Marques, Darcy Lucena, disse que o hospital começou a fazer
cirurgias neurológicas, vai iniciar as ortopédicas e as cardíacas, dentro de
15 dias, para não ver crianças morrendo à míngua, no Estado. “Começamos com
as de menores complexidades para evitar as mortes e que os leitos de UTIs
continuem sendo ocupados por neuropatas e sequelados, que poderiam ter sido
operados e não foram”, afirmou. “Tudo o que estava sendo feito pela criança
no Estado era ‘por favor’, como se ela não tivesse direito”, endossou a
diretora técnica, Neves Chianca.

O secretário José Maria de França garantiu que o que dependesse do Estado
(equipamentos, novos leitos, reforma…) seria viabilizado para tornar o
Arlinda Marques realmente um hospital infantil de referência no Estado. “Não
podemos tolerar mais depoimentos como esses que ouvi dos médicos. O Arlinda
não pode continuar servindo como um grande posto médico. Há casos complexos
a serem resolvidos. Há crianças morrendo. A gente entende que é preciso
mudar uma cultura que foi construída ao longo dos anos, que depende da nossa
vontade, mas também dos profissionais que estão na ponta. É um processo, que
já começamos e não pode parar”, afirmou.

*Equipes – *A equipe da neuropediatria do Hospital Arlinda Marques é formada
por dois neurocirurgiões, dois neuropediatras, um pediatra, um
fisioterapeuta, um psicólogo e um enfermeiro. A ortopedia conta com dois
ortopedistas pediatras. A equipe de cardiologia é chefiada pelo médico
Maurílio Onofre e conta com cerca de 50 profissionais. A meta é que, nos
próximos 15 dias, o hospital comece a implementar um rotina semanal de duas
cirurgias cardíacas, duas ortopédicas e duas neurológicas.

Assessoria

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