Mais de 900 pessoas deram entrada no Hospital Estadual de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa, referência em casos de queimaduras, de janeiro a 27 de setembro deste ano. Sendo que, a maioria foi por: líquidos em alta temperatura (577), objetos em alta temperatura (115) e fogo (80). Desses números, 486 foram mulheres e 415 foram homens.

Para o coordenador da Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ), Emilton Amaral, a principal causa de queimadura é decorrente do manuseio incorreto de líquidos quentes, como óleo e água, dentro de casa ou no ambiente de trabalho, como restaurantes e padarias. “A exposição à eletricidade e o uso indevido de líquidos inflamáveis, como álcool ou gasolina, também são muito frequentes na unidade”, salientou.

Segundo a Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ), a estimativa é que pelo menos um milhão de queimaduras aconteçam por ano no país. Além disto, elas representam a quarta causa de morte e hospitalização por acidente de crianças e adolescentes de até 14 anos de idade. Por isso, de acordo com o setor de estatística da unidade de saúde, a escaldadura (queimadura por líquidos quentes) é a principal causa de acidentes em menores de 5 anos, foram cerca de 150 nessa faixa etária.

Como foi o caso da pequena, Yasmin Medeiros, de apenas dois anos, que se queimou ao puxar a toalha da mesa da cozinha, onde estava o leite quente. “Foi muito rápido, num piscar de olhos vi o leite quente sobre a minha filha. A pior experiência da minha vida. Vê-la bem depois do susto, me fez entender que devemos sempre redobrar os cuidados com crianças. Todo o cuidado é pouco, é melhor prevenir do que remediar”, relatou a mãe Fabiana Medeiros.

Por isto, o coordenador da UTQ, alerta que o mais importante é tomar cuidado para não se queimar, porque há sequelas e marcas que ficam para sempre. “Para proteger as crianças, é preciso retirá-las da cozinha toda vez que o fogão estiver ligado. Assim como, fósforos, isqueiro e produtos inflamáveis devem ficar sempre em armários altos e trancados”, frisou.

No início de setembro, uma vendedora ambulante, de 30 anos, deu entrada na unidade de saúde, vítima de queimadura após um celular explodir dentro da sua pochete, enquanto trabalhava. Esse tipo de lesão relacionada a baterias e carregadores de celular tem repercutido bastante na mídia, mas não é motivo para preocupação, porque o número de ocorrência é baixíssimo frente ao total de smartphones em uso no Brasil.

Emilton Amaral disse que não existe produto ou receita caseira que alivie as dores e as lesões causadas pela queimadura. “Passar qualquer produto caseiro aumenta o risco de infecção por bactérias, já que a pele fica mais vulnerável. A vítima deve sempre usar água para resfriar a área atingida. O paciente queimado não deve retirar a roupa que estiver usando, ainda que tenha sido atingida pelo fogo”, completou.

A Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ) é referência na Paraíba para casos de queimaduras de qualquer grau. Possui uma tecnologia de ponta e está apta a atender vários casos de grandes queimados ao mesmo tempo. A unidade possui cirurgiões plásticos, anestesistas, enfermeiros e técnicos de enfermagem que se revezam 24 horas por dia para atender aos 64 municípios paraibanos que pertencem a 1ª macrorregião.

PB Agora

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