Por pbagora.com.br

João Pessoa é a capital brasileira com maior frequência de homens fumantes e obesos. No município, 16,6% dos pessoenses sofrem de obesidade e a ocorrência de pessoas que fumam 20 ou mais cigarros diariamente chega a 10,8%. No Brasil, a capital da Paraíba ainda possui o terceiro maior índice de mulheres sedentárias. Ao todo, 30,1% das entrevistadas declaram que não praticaram atividades físicas nos últimos três meses. Os números fazem parte da publicação “Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico” (Vigitel), elaborado pelo Ministério da Saúde (MS) e divulgado na tarde de ontem. O estudo foi realizado, em 2008, nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal. Durante o ano, 54 mil brasileiros foram entrevistados por técnicos do governo federal através de ligações telefônicas. Na Paraíba, ocorreram 2.012 entrevistas, sendo 751 do sexo masculino e 1.261 do feminino.

Alimentação rica em gorduras, refeições sem regras de horários e ausência diária de exercícios físicos fizeram com que o universitário Thyago César, 23 anos, adquirisse obesidade. O jovem cursa Nutrição em João Pessoa e está com Índice de Massa Corporal (IMC) em 38,7 kg/m². Quando o índice ultrapassa dos 30 kg/m², a pessoa é considerada obesa. “Faço um curso para cuidar da alimentação dos outros, mas minha alimentação é irregular. Como pão diariamente e faço refeições fora do horário. Além disso, eu estou sem praticar exercícios físicos”, contou o universitário que tem 1,91 m e 140 kg.

Thyago César faz parte do universo de obesos na capital paraibana. Conforme a publicação do Ministério da Saúde, João Pessoa e Boa Vista (RR) possuem os piores resultados em relação à obesidade nas capitais do país. Nas duas cidades, 16,6% dos homens estão com Índice de Massa Corporal superior a 30 kg/m². Ou seja, 125 dos 751 entrevistados na capital paraibana são obesos. Em nível nacional, 13% dos 54 mil dos brasileiros enfrentam o problema de saúde. Nas pessoenses, a obesidade chega a 12,1%, o que equivale a 153 mulheres do grupo de 1.261 entrevistadas.

O tabagismo também colocou João Pessoa em destaque negativo no cenário nacional. O Vigitel revelou que, na capital, 10,8% dos homens são fumantes. Isto quer dizer que 81 entrevistados fumam 20 ou mais cigarros por dia. No Brasil, o percentual chega a 14,8% do total de pessoas do sexo masculino que responderam o questionário. No público feminino, apenas 2,3% das mulheres são viciadas no tabagismo. Na pesquisa, técnicos do Ministério da Saúde fizeram ligações telefônicas para pessoenses com idade igual ou superior a 18 anos.

Mulheres
Mulheres sem prática de exercícios físicos – como falta de caminhadas e ausência nas academias de ginástica – deixaram João Pessoa com o terceiro desempeho mais desastroso no Brasil no quesito inatividade física. Na capital do Estado, 30,1% (380) das entrevistadas levam vida sedentária. O percentual é mais expressivo que o registrado em 2007. Naquele ano, 25% das 1.231 mulheres analisadas afirmaram ser sedentárias. No Brasil, as pessoenses só perdem para o Recife (32,45%) e Natal (30,25%). Entre os homens, o Ministério da Saúde descobriu que o sedentarismo atinge um percentual maior da população do sexo masculino residente em João Pessoa. Ao todo, 32,3% (243) dos entrevistados vivem na inatividade física.

De acordo com a diretora de Vigilância em Saúde da capital Julia Vaz, a junção entre obesidade, uso frequente de cigarros e vida sedentária incentivam o surgimento de doenças cardiovasculares, a exemplo do ataque cardíaco. Porém, ela afirma que em tudo está perdido. Cuidados com a saúde evitam os riscos de morte. “Desde 2005, lutamos para mudar os hábitos alimentares da população de João Pessoa e evitar que os pessoenses fiquem obesos. Através do programa ‘João Pessoa vida saudável’ estamos conseguindo isso. Ao todo, seis mil pessoas já foram atendidas com palestras e dicas de saúde, como orientar os usuários de cigarros a procurarem um dos quatro centros de atenção aos fumantes em João Pessoa. O programa também prevê o incentivo às atividades físicas para evitar o sedentarismo dos moradores”, explicou a diretora de Vigilância em Saúde da capital, Julia Vaz.
 

Jornal da Paraíba

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