As minhas artérias estão entupidas. O meu coração bate de forma deficitária, por ser ele um músculo involuntário que padece com o descaso dos senhores feudais. Aqueles que, por motivos egocêntricos, olham apenas para si, como Narciso, admirador da sua beleza orgulhosa.

Fraco estou neste exato momento. Nos corredores da minha consciência, busco forças sobre e humanas para ajudar os humanos. No alvoroço das minhas retinas, imagens turvas e perturbadoras chegam ao meu cérebro fustigado pelas preocupações diárias.

Responsabilidades mil estão em todas as partes do meu ser. Pulmões, bexiga, língua, laringe. Não importa. Sinais de metástase já podem ser identificados no escâner da vida. A minha vida e de tantos outros.

Eu preciso de oxigênio. Gotas de soro da esperança para manter-me vivo, pois sou pai e mãe ao mesmo tempo. Um anjo sem sexo com as asas avariadas pela tormenta financeira.

E nessa tempestade que bloqueia meu sono e retira o apetite, a quimioterapia da solidariedade é o meu sustento; a força do amor coletivo.

Por fim, digo que a morte não reside em minha consciência. Preciso ser e sou forte. Manterei meus olhos acima das ondas, vislumbrando um horizonte tranquilo e saudável naqueles que abraço todos os dias.

Crianças, adultos, velhos. Homens e mulheres. Seres humanos, como eu; um corpo coletivo dotado da mais pura humanidade. Muito prazer, sou Laureano, um hospital com a tenacidade de Napoleão!

E para você, que lê, neste exato instante, preciso da sua ajuda, do seu apoio, para continuar ajudando os milhares que lutam pelo bem viver.

Sejamos humanos!

 

Eliabe Castor
PB Agora

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