Por pbagora.com.br
Rio de Janeiro – Salões de beleza, barbearias e cabeleireiros fechados na Barra da Tijuca, de acordo com medidas do governo estadual para isolamento social pela pandemia do novo coronavírus (covid-19). (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Resgatar a autoestima, priorizando o bem-estar do corpo e a beleza natural, ainda é um desafio contemporâneo, mas te se ampliado nesses tempos de pandemia devido ao novo coronavírus – onde há a cultuação e veneração às formas físicas perfeitas. Historicamente, isso está ligado ao fato de como ocupamos os espaços. Em registros da Idade Média, os homens poderiam estar visíveis no espaço enquanto os corpos das mulheres ficavam restritos. “Toda mulher que é muito grande incomoda, seja ela gorda ou musculosa. Então, o espaço para o corpo da mulher ocupar é próximo ao invisível”, ressalta a nutricionista comportamental Sophia Andrade.

Segundo a doutoranda em comunicação Ligia Coeli, esse processo de estigmatização por padrões e costumes a serem seguidos por anos, onde as mulheres travam lutas diárias pela libertação do que as reduzem e as colocam em posição de vulnerabilidade dentro da sociedade vem mudando talvez forçado pela pandemia, onde as mulheres vem assumindo o controle do próprio corpo.

Neste período de quarentena por exemplo,, Ligia decidiu assumir os cachos que alisados há anos. “Foi o que eu senti mais fortemente, especialmente com o cabelo. Passei mais de dez anos usando química (progressiva, alisamento) e quando vi os primeiros cachos aparecendo, eu achei bonito e fiquei me perguntando por qual motivo eu passei esse tempo todo negando meu cabelo. Cresci ouvindo que cabelo cacheado era ruim, feio e ‘difícil de cuidar’. Nem sequer me lembrava como era o meu cabelo e parei para pensar no quanto isso é violento”, declarou.

“Entendo que muitas mulheres, por sofrerem muito com condicionamentos sociais e pressões de todos os tipos se encontram numa situação no mínimo incômoda. Já era incômodo antes da pandemia, acho que o isolamento só jogou mais luz ao tema. A ‘saída para o salão’ é também um processo de socialização (para quem gosta), um ‘tempo para si’. Tento entender a vaidade ‘estética’ como o cuidado de si. Gosto de estar com a unha feita, banho tomado, cabelo arrumado ou usar hidratantes mas quando essas necessidades começam a virar motivo de estresse, frustração, algo que ultrapasse o meu orçamento financeiro ou que me ponha em dúvida quanto à minha aparência, começo a acender o alerta de pensar “espera aí, é por mim ou pelos outros que tô fazendo isso?”. Não vejo a menor necessidade de sair de casa agora para fazer a unha, dar uma escova no cabelo ou fazer uma hidratação capilar”, ressaltou Ligia Coeli.

Neste mesmo sentido Laianna Janu, militante feminista, destacou: “É importante observar o que está acontecendo agora de uma maneira geral porque a mulher não pode estar no espaço do salão e se permite viver uma experiência muito nova de ver os pelos crescerem, o cabelo branco aparecendo… e a partir desse processo, estamos vendo que estar em um salão de beleza não é tão necessário assim. Como corpos políticos, nós somos socializadas de uma maneira muito diferente. Então acaba que um gênero pode e o outro não pode”, disse.

Redação

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