O foco da classe política e, por tabela, da imprensa, quando o assunto é o pedido de vistas de Versiani sobre o caso FAC no TSE, parece se resumir à data em que o ministro irá levar o processo novamente à discussão da Corte. Na verdade, especialmente para Cássio, a data é o item que menos deve importar essa altura do campeonato. O miolo da questão está se as razões que levaram Versiani a proporcionar o pedido de vistas podem ser preponderantes numa mudança de pensamento. Do autor do pedido de vistas e, claro, do resto da Corte eleitoral.

A possibilidade de mudança no pensamento do TSE é que deve servir de combustível para a ansiedade dos governistas. Os elementos subjetivos e objetivos registrados na última sessão que tratou do tema em 2008 alimentam a esperança de que o resultado de sete a zero pela cassação pode ser revertido.

O que é que contribui em favor de Cássio?

Primeiro, as indagações do ministro Ayres Brito, presidente do TSE que, de forma mineira (apesar de ser nordestino), feriram de morte a infalibidade do ministro Eros Grau, relator do processo. Ayres Brito pediu confirmações do voto de Eros Grau, como a inexistência de lei específica e a produção de provas por parte de Zé Lacerda.

Em seguida, a própria reação do restante da Corte eleitoral, à exceção de Joaquim Barbosa, que pareceu inclinada a impor mais cautela no julgamento de cassação do governador. Tanto que a sessão descanbou para um pedido de vistas, esperança alimentada na sessão que culminou com a cassação.

Por fim, as últimas investidas de Cássio na mídia nacional em favor da legitimidade de seu mandato e da injustiça da cassação. Divulgações que se não ajudam diretamente evitam que se construa uma imagem criminosa do governador entre a cúpula do país.

O que pesa contra Cássio?

Primeiro, o fato de que já está dois a zero pela rejeição dos embargos, uma vez que Joaquim Barbosa, na ânsia de moralizar o TSE, antecipou o voto. Depois, a tese de que os demais ministros do TSE deverão revestir-se de uma humildade franciscana para admitir que deveriam ter enviado o processo para o TRE ou até mesmo aceitado as leis apontadas pela defesa como provas da suposta regularidade dos programas adotados pelo governo e questionados pela oposição.

E, por fim, o fato de que não se pode desprezar o espírito de corporativismo que impera entre as cortes e tribunais do país, especialmente quando eles são postos à prova pela opinião pública. Quem pode descartar possível lobby feito por Eros Graus internamente para que seu voto não seja desmoralizado diante de todo o Brasil?

É nessa avenida de mão dupla que se encontra o verdadeiro dilema dos dois grupos políticos que disputam o poder na Paraíba.

Não deixando escapar as lembranças que atestam que a imprevisibilidade do TSE, demonstrada durante todo esse processo, já não permite a nenhum dos dois lados comemorarem qualquer resultado antecipadamente.

 

Soltas


Irmão só no sangue

Foi no programa do Padre Albenir, na TV Máster, que o ex-deputado Gilvan Freire (PTB), um dos principais defensores da aliança Cássio/Ricardo, deu um recado direto ao prefeito de João Pessoa.

Gilvan considerou inaceitável que o prefeito Ricardo Coutinho possa de fato trabalhar uma candidatura do irmão, Coriolano Coutinho, atual superintendente da Emlur, em 2010.

Segundo Gilvan, tal defesa provocaria nos aliados uma sensação de beneficiamento familiar que só atrapalharia os projetos do prefeito de disputar o governo do Estado. “Especialmente para ele criaria uma clima que comprometeria as alianças”.

 

Gosto de você, mas…

Gilvan resolveu ser franco também com o processo de antecipação da eleição que reconduziu antes do prazo tradicional o deputado Arthur Cunha Lima (PSDB) para presidência da Assembléia.

“É uma coisa de outro mundo que só se vê aqui na Paraíba”, declarou Gilvan, que disse isso a Arthur. “Gosto da pessoa, mas não concordo com o método”.

 

Festa é pra amigos

Já o deputado Quinto de Santa Rita (PMDB), da oposição irreverente, declarou que não foi para a sessão de posse da nova Mesa Diretora porque considera que “festa” é coisa para se dividir com os amigos. “Foi uma festa dos Cunha Lima e os inimigos não poderiam se sentir intimados a participar”, disparou.

 

Irmãos não rompem

Perdeu quem apostou no rompimento do governador com Ricardo Barbosa. Depois da sessão na Assembléia, no domingo, Cássio foi para Camboinha, onde almoçou na casa do deputado estadual Ricardo Barbosa (PSDB) numa tarde pra lá de descontraída. Almoçou, tocou percussão e tirou fotos com veranistas. Brincou como se estivesse na casa de um irmão.

 

Tapalhadas, não.

A comunicação do governo vibrou com a nota na revista Carta Capital insinuando que foi uma trapalhada o voto de Eros Grau sobre o caso FAC. Não sabe que coisas do tipo, apesar de deixar os outros ministros rindo por dentro, acabam tornando a Corte mais unida.

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