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Toma-lá-dá-cá

    Na coluna anterior, eu chamava a atenção para o fato de que, com a eleição polarizada entre o governador Maranhão e o prefeito Ricardo, pilotos das duas maiores máquinas públicas do Estado, era preciso ficar de olho no uso dos recursos públicos para gratificações graciosas e benesses. Sim, porque dinheiro público ainda é o produto mais cobiçado por políticos e eleitores.

    Segundo a pesquisa DataFolha, que Josival Pereira cita em sua coluna de hoje no Correio da Paraíba, 13% dos brasileiros admitem já ter trocado seu voto por dinheiro. Vejam bem, 13% apenas admitem. Fora os que não admitem, por vergonha. Acredito mesmo que esse percentual seja bem maior. Eu conheço uma moça do interior que prometeu voto a dois candidatos a prefeito e quatro vereadores em troca de tijolos. Recebeu de todos eles e votou em quem quis. E disse que fará tudo de novo nas próximas eleições.

    De onde vem tanto dinheiro? Do bolso dos candidatos? Dos financiamentos? Das doações? Ou dos poderes públicos?

    A corrupção eleitoral, em que pese lei mais dura, está longe de acabar. O povo enxerga, em campanhas eleitorais, uma maneira de “melhorar de vida”, fazer um “puxadinho” em casa, pagar algumas contas atrasadas ou comprar uma dentadura nova. Ficou mal acostumado e agora, mesmo com todo um suposto controle sobre a corrupção, está difícil abandonar essa prática.

    Apesar da onda de cassações de mandatos diversos, por suposto crime eleitoral, nada indica que a compra de votos desaparecerá. Tenho certeza de que qualquer eventual leitor meu conhece alguém que comprou ou vendeu votos.

    As recentes campanhas pela valorização foram e são importantes para uma mudança de mentalidade, que se dará, na minha opinião, a longo prazo. A pureza do voto ainda é utopia. Votar, para muitos, significa barganhar, um toma-lá-dá-cá.

    Por que a campanha de 2010 seria diferente?

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