Por pbagora.com.br

Secretário petista de Assuntos Institucionais, o deputado federal Geraldo Magela (PT-DF) articula um movimento pluripartidário de prefeitos em apoio à candidatura presidencial de Dilma Rousseff. Dito assim, nem parece que essa tem sido uma das principais estratégias políticas para minar a base do adversário José Serra (PSDB).

Prefeitos infiéis, "Anastadilma" (ou "Dilmasia") e outras alianças sinceras são questões tratadas por Magela nesta entrevista ao Terra. Em 24 de agosto, os partidos aliados a Dilma pretendem realizar a maior manifestação de prefeitos em apoio à petista.

"Nós descemos, descentralizamos esses movimentos para os estados, com a ideia de que nos estados se deve formar uma comissão plural", diz Magela. Segundo o coordenador, frentes como o "Anastadilma" (voto casado em Dilma e Anastasia, candidato ao governo de Minas Gerais) serão respeitadas pelo PT.

"Não estimulamos movimentos desse tipo. Até porque, em Minas, temos uma candidatura bem definida, que é a do Hélio Costa e do Patrus Ananias. Mas nós compreendemos a situação peculiar do Estado mineiro, assim como vamos compreender a situação de todos os estados", relata o dirigente, que concorre a uma vaga na Câmara Federal.

Terra – Como tem sido articulada a adesão de prefeitos à campanha presidencial de Dilma Rousseff?
Geraldo Magela – Nós decidimos organizar o movimento pluripartidário "Dilma Presidente" e formar uma coordenação plural, que não é do PT. Há pessoas de diversos partidos, inclusive partidos que não estão em nossa coligação. Temos 30 prefeitos, prefeitas e vices que organizam. Nós descemos, descentralizamos esses movimentos para os estados, com a ideia de que nos estados se deve formar uma comissão plural. É um movimento pra fazer articulações com os prefeitos nos estados. Estamos marcando pro dia 24 de agosto um encontro de prefeitos pró-Dilma, em Brasília. A ideia é reforçar aquilo que o governo do Lula tem como um dos pilares dos dois mandatos: o municipalismo. Temos declarações de apoio de partidos que estão com Serra, como PSDB, DEM, PPS e o PV de Marina.

Terra – Num encontro em Campinas (SP), Dilma se reuniu com prefeitos de oposição, a começar pelo PSDB…
Magela – Isso está existindo em todos os Estados, com prefeitos de partidos que estão com Serra. São muitos. No PTB, o Duciomar (Costa), de Belém, e Amazonino Mendes, de Manaus, estão em nossa coordenação. A ideia é reforçar o caráter municipalista. Os prefeitos querem que isso continue no governo Dilma.

Terra – O crescimento da candidatura de Dilma em Minas Gerais, segundo o Ibope, se deve em parte a essa articulação? Tem a ver com o movimento "Dilmasia" ou "Anastadilma"?
Magela – Em Minas, é uma situação atípica, porque lá tem gente que apoia Dilma no plano nacional e Anastasia (governador de Minas Gerais) no plano estadual. É o caso do PSB e do PDT. Aí é um processo natural, porque como não há verticalização, o processo do Dilmasia acaba sendo natural. Nossa expectativa é que, a partir do segundo mês de campanha, o movimento municipalista coloque a campanha com mais vigor nos municípios e aí a Dilma consolide sua vitória. A gente sabe que os prefeitos e os vereadores têm muita força. Chegamos a ter cidade em que o prefeito é de um partido que apoia o Serra, mas está apoiando a Dilma. E a oposição ao prefeito também apoia a Dilma. Não vou ter como citar números, mas a partir do segundo mês começa com mais força esse movimento.

Terra – Como o PT responde à crítica de que esse apoio de prefeitos envolve verbas federais? Há o caso de Pernambuco, onde muitos prefeitos do DEM e PMDB abandonaram a campanha de Serra e Jarbas Vasconcelos.
Magela – Não chega a ser crítica, é despeito. Porque o que há é uma aprovação muito vigorosa da política municipalista que o Lula implantou e que Dilma dará sequência. Os prefeitos sabem que, para os municípios, o governo petista é infinitamente melhor que o do PSDB.

Terra – O que é melhor no PT?
Magela – O prestígio político dos prefeitos. Ouvi dizer que, na época dos tucanos, não vou nominar (Fernando Henrique Cardoso), os prefeitos eram recebidos com cachorros e policiais.

Terra – Dilma se referiu a isso em discursos.
Magela – Porque foi dito por eles. Isso foi dito por um prefeito do PSDB, numa reunião. No governo do PT, eles são recebidos com respeito, dignidade e têm suas postulações atendidas. Parafraseando o presidente Lula, nunca antes na história do Brasil houve tanto dinheiro pros municípios como neste governo.

Terra – Nos encontros com os prefeitos, quais são os principais pedidos? Há menção ao crescimento do crack em cidades do interior do Brasil?
Magela – Não, os prefeitos não têm apresentado nesse momento nenhuma pauta específica que mereça destaque. Querem a continuidade da relação do governo federal com os municípios, principalmente através do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). O PAC 2 é muito dirigido aos municípios. Aí, é claro, você pode adotar programas específicos em parceria com os municípios em diversas áreas. Certamente, o combate à violência urbana, em especial às drogas, o enfoque será a ação conjunta da federação, com estados e municípios.

Terra – Quantos prefeitos estão vinculados à campanha de Dilma?
Magela – Não é possível falar, mas nós temos a avaliação de que esse ato do dia 24 de agosto vai ser representativo. Mas não posso dizer quantos, até porque ainda está sendo articulado. Naturalmente, queremos uma adesão grande, mesmo sabendo das dificuldades do período eleitoral.

Terra – No Sul do País, a campanha dela ainda está mais fraca que a de José Serra, segundo as pesquisas eleitorais. Dilma chegou a desmarcar um encontro com prefeitos do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Quais são as dificuldades encontradas na região?
Magela – Não tem tido dificuldade. Pelo que me consta, nesse dia do evento não se queria esvaziar outro evento que seria realizado, pra não haver concorrência. Foi desmarcado consensualmente. Mas agora, nesses últimos dias, estamos intensificando os contatos.

Terra – Qual seu papel nessa articulação?
Magela – Sou apenas um articulador inicial. Sou secretário nacional de Assuntos Institucionais, trato da relação do partido com estados e municípios. Mas, sendo parlamentar federal, o que fizemos é articular, compor essa coordenação. E acompanhar, a partir da Executiva nacional do PT, os trabalhos do movimento.

Terra – O movimento "Dilmasia", em Minas, vai ser estimulado?
Magela – Não estimulamos movimentos desse tipo. Até porque, em Minas, temos uma candidatura bem definida, que é a do Hélio Costa e do Patrus Ananias (vice-candidato). Mas nós compreendemos a situação peculiar do Estado mineiro, assim como vamos compreender a situação de todos os estados. Um dos coordenadores do movimento é o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), que apoia Dilma e Anastasia. Mas o vice de BH (Roberto Carvalho) apoia Hélio Costa e Dilma e também participa da coordenação. Vamos saber respeitar as situações de cada Estado, mas não vamos estimular nenhum tipo de frente.

Terra

 

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