Por pbagora.com.br

Sangrando em meio a uma crise institucional que já se arrasta por longos dois meses, o presidente José Sarney (PMDB), do Senado Federal, colhe o que plantou. Na crista da onda de mais um tsunami peemedebista sobre o Brasil, Sarney é o melhor símbolo de uma classe política que não tem limites para a sede de poder e que vinha, sem qualquer constrangimento, em franco processo de voltar a transformar um presidente da República refém de seus interesses.

O poder de Sarney, já se sabe à essa altura sem reservas, teve grande valia nos bastidores da cassação do ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB). Ex-presidente da República e uma das mais importantes lideranças da Nação à frente do barco peemedebista, Sarney foi peça fundamental nos escaninhos do Tribunal Superior Eleitoral no momento da corte entregar a cabeça do tucano, que enfim antecipou um outro trunfo para o velho cacique: no vácuo, o TSE premiou também o chefe político do Maranhão com a degola do ex-governador Jackson Lago (PDT), permitindo à filha e senadora Roseana assumir o Estado natal.

Com 55 anos de vida pública, Sarney vive um calvário inédito em sua carreira política. Experiente, chegou a encarar, nos anos 80, um dos mais difíceis períodos político-administrativos do país, entregando ao sucessor Fernando Collor (hoje soldado de luxo de sua tropa de choque) uma nação mergulhada numa inflação de 80% ao mês. Presidente do Senado por duas vezes, contudo, já tinha alcançado aquele estágio em que o respeito pela biografia superava falhas na condução da gestão pública.

Como instrumento valioso do projeto de poder do PMDB, Sarney prefetiu dar espaço à própria vaidade e, depois de negar por três vezes quão Pedro, assumiu a disputa pela presidência do Senado. O que seria mais um momento de glória a um dos colaboradores da ditadura terminou por se tornar em uma taça de puro fel. Deve se arrepender, no íntimo, mas o orgulho próprio não lhe permitiu ainda encontrar uma saída honrosa para abandonar um cargo que está lhe custando a incineração definitiva da própria imagem.

Indubitavelmente poderoso até um dia desses, o presidente do Senado vai passando os dias sendo um fantasma da própria biografia e perdendo a autoridade e liderança dentro da Casa que dirige e está com ele também se afundando.

Dossiês à vista

O signo da discórdia impera nos bastidores do mercado publicitário da licitação para a distribuição dos lotes milionários da Secom do Estado…

Ouvido de mercador

Após recorrer ao ex-governador Ronaldo Cunha Lima (PSDB), para que este intercedesse junto ao senador Cícero Lucena em prol de uma generosa emenda em favor de João Pessoa, o prefeito Ricardo Coutinho (PSB) até hoje ignorou a oferta do parlamentar tucano: Cícero está disposto a conceder uma audiência para tratar do assunto, sem o menor problema…

Fritura 

São cada vez mais constantes e intensas as queixas de integrantes da base governista contra a gestão do secretário Gustavo Gominho, da Segurança e Defesa Social…

Padrinho

Gominho, aliás, até há alguns dias tinha um orgulho pessoal: sempre foi um dos homens de confiança de José Sarney na estrutura da Polícia Federal…

Algo de podre

O deputado Lindolfo Pires (DEM), primeiro secretário da Assembleia, prepara uma nova bomba para denunciar, após surfar pelas informações do Sagres e descobrir novas peripécias do Governo Maranhão III.

Segundo o deputado, há um universo imenso de explicações que o atual Governo do Estado precisa dar em relação a muitas transações mal construídas, nas mais diferentes esferas da máquina administrativa.

Uma ironia, segundo Lindolfo: a metodologia que Maranhão continua atacando aplicada pelo Governo Cássio na prestação de contas das áreas de Educação e Saúde, segundo o deputado do DEM, é exatamente a que está sendo adotada pela equipe do atual governador…

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