A chamada “Caravana da Reconstrução” do senador José Maranhão (PMDB) é, tão-somente, uma tentativa de criar factóide, com o objetivo único de provocar o governador Cássio Cunha Lima (PSDB) e fazer contraponto ao seu principal adversário político. Totalmente certo? Errado.

Mais do que apenas abrir sua caixa de ferramentas de política atrasada, rancorosa e cheia de intenções de desgaste ao Governo Cássio, o ex-governador tem também um outro alvo preferencial: o prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho (PSB). Ora, direis, que maluquice é essa? O que danado tem Ricardo a ver com algumas obras em andamento e dita paralisadas na atual gestão estadual?

O foco é outro, é lógico. O fato é que, a seu modo, Ricardo Coutinho tem incomodado horrores a Maranhão; ele tem-se transformado numa “mosca” na sopa de letrinhas da cabeça do senador, que só pensa no Palácio da Redenção, desde que sofreu sua primeira derrota perante o governador Cássio. Entusiasmado a cada dia com a possibilidade concreta de vir a suceder Cássio, Coutinho se movimenta, rápido e fagueiro, na maratona sucessória de 2010. No caso, amigo, isso será apenas uma “pancada” a mais de Coutinho no cocoruto de Maranhão.

A Paraíba toda sabe, por exemplo, que a atual equipe da segunda administração de Ricardo Coutinho não tem, nem de longe, um sopro de sugestão direta do ex-governador. A indicação para o cargo de vice-prefeito, mesmo diante da ameaça aberta de Maranhão de rompimento, não sensibilizou o prefeito de João Pessoa: o senador, resignado, teve de engolir o “sapo”, para não sair-se mal no processo. Mas há mais senas acumuladas no histórico dos dois.

Lá atrás, outro trauma público: em sua primeira entrevista depois de eleito, em 2004, na TV Correio, Ricardo surpreendeu diante da pergunta tendenciosa do jornalista Helder Moura, sobre se ele atribuía também a vitória nas urnas ao apoio do senador José Maranhão – que posava ao seu lado, na frente das câmeras, com um olhar de “pai da criança”. O prefeito foi firme: “Só devo minha vitória ao povo de João Pessoa. Não tenho padrinho político nesta minha vitória”.

Constrangimento geral: o poderoso cacique peemedebista viu nascer alguém que tinha coragem, na Oposição, de lhe dizer não. Uma liderança personalista, centralizadora também, mas com um perfil moderno e uma postura política bem diferente daquela do coronelzinho que só aceita “sim, senhor”. Para Ricardo, em seu mandato, só tem um senhor: ele mesmo, e ponto final.

A “caravana” de Maranhão, portanto, surge também como um recado para Ricardo Coutinho: o senador manda dizer que também está na área, tem lá seus trunfos e não vai deixar barato a quem quer que seja a “ousadia” de lhe tomarem a chance de se manter como “governador ad hoc”, arauto do anti-cunhalimismo, o “dono” do Palácio da Redenção, conformando com um “inquilino” que há seis anos insiste em não sair do poder.

Centrado
Envolvido nas circunstâncias de se defender no processo de cassação no TSE, o governador Cássio a essa altura já demonstra estar muito mais centrado em relação ao risco de ser tirado do Palácio da Redenção. Após o impacto causado pela decisão do dia 20 de novembro último, Cássio se recompôs do golpe, reassumiu o foco administrativo com bastante ênfase e trata com mais naturalidade a possibilidade de, até, vir a perder a cadeira de governador.

Em ascendência
O que anima, de fato, o governador é que a cada pesquisa ao longo desse desgastante processo de cassação, sua popularidade só tem aumentado; a população tem feito uma leitura de que, ao contrário de um infrator das regras eleitorais, ele está sendo mesmo é vítima de percalços e premissas equivocadas, bem exploradas pelos advogados dos adversários políticos e com momentos de pouca inspiração, por parte de sua defesa.

Catapora, quem diria
A quem interessar possa, um informe: fui acometido, depois de adulto, por uma surpreendente varíola – a velha catapora de guerra. Tou acamado, amigos. E vou passar um bom tempo até me recuperar totalmente. Brincando com minha mãe, já reclamei por ela não ter contribuído para eu pegar a doença quando criança, mas é claro que ela não pode ser culpada por me amar e me proteger, inclusive, desse mal. Mas tudo bem. O consolo é que isso só nos atinge uma vez na vida..

 

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