PB Agora – Quando o senhor pegou o Estado, tinha dinheiro no cofre?

Ricardo Coutinho – Não, não tinha dinheiro nenhum. Tinha muita dívida, tinha coisas a pagar. A gente saiu pagando muita coisa. E eu nunca reclamei disso não. Só que eu tinha consciência que eu não podia passar para quem quer que fosse, fosse até meu adversário, eu passaria daquela forma que eu passei. E olhe que você não encontra setores reclamando de não pagamento. Observe se na Paraíba teve empresa que dialogasse com o Estado, que vendesse para o Estado, que não pagou 13º. Pode rodar por aí. Isso nós cumprimos, porque eu sei o peso do Estado na economia. Eu sei como é que as coisas funcionam. Então, se você presta serviços, você vende um produto, é direito seu receber. Você não precisa estar acorrentado a uma danada de uma grade, você não precisa implorar, não precisa pagar propina. Ninguém tem esse direito. Ricardo é grosso que não recebe fornecedor. Você sabe por que eu não recebo fornecedor? Pra que ninguém nunca dissesse que eu pedi um centavo. E fornecedor recebia como? Na conta. Pergunta a Amanda, secretária das Finanças. Não recebia. Não é aqui. O dinheiro foi para as secretarias, pronto. O Estado foi o grande coordenador desse equilíbrio econômico. Na economia, como um todo, porque o Estado tem uma presença muito forte e nós cumprimos nossa parte. Então, quem entra no governo assim, evidentemente, entra com expectativa enorme. Um governo que em oito anos sai com 84% de aprovação. Ao mesmo tempo, houve o problema da Operação Calvário, que balançou as coisas; oposição truculenta, maldosa começou a fazer uma coisa como se fosse o final do mundo e como se fosse o Estado.

PB Agora – E não era o Estado?

Ricardo Coutinho – Não. Era um problema de dentro da OS, que por sinal, foi uma OS aplaudida por todos. Eu conheci a Cruz Vermelha da África, de olhar, de ler, de perceber como a Cruz Vermelha era importante; era isso que eu conhecia; era isso que o Ministério Público que estava presente na solenidade (de contrato) conhecia. Ninguém pode ser culpado por algum desvio que alguém faça depois. Isso não existe. E eu, que era contra OS, só a trouxe quando vi que não tinha jeito para o Trauma. Toda semana era uma paralisação.

PB Agora – Ainda sobre a Operação Calvário, como o senhor recebeu tudo aquilo envolvendo pessoas tão próximas do senhor?

Ricardo Coutinho – Eu recebi com muita angustia. Apesar de até hoje eu saber muito pouco sobre esta operação. Eu sei do que se vaza para alguns blogues, e isso é terrível. Uma linha de investigação não pode ter esse tipo coisa que no país se tornou comum. Eu vaso para alguns, que criam um negócio; eu vaso o que pode ser, para ver a reação. Isso é uma coisa muito complicada do ponto de vista dos direitos fundamentais da pessoa. Se você pegar o meu discurso de 2013 até hoje é o mesmo, não mudei. Na contramão de todo mundo, eu dizia que era preciso respeitar os direitos da pessoa. Nenhuma democracia pode se sustentar sendo ocasional. Não, para isso aqui, que é do bem, eu posso agir de qualquer forma. Taí agora a Vaza Jato. Que negócio é esse? Eu escolho o criminoso para depois eu ir atrás do crime? Eu vejo gente acusada e exposta, que não tem dinheiro para fazer feira. Não tem dinheiro para pagar advogado. Como é que alguém participa de um amplo esquema de corrupção e não tem dinheiro para fazer feira? Tem algo errado no meio disso. Primeiro, o dinheiro da corrupção que disseram que era R$ 1 bilhão. Vê a maldade. Novecentos e poucos milhões eram todos os contratos para fazer com que o Trauma funcionasse da forma como funciona, com respeito às pessoas. Sem faltar medicamento, sem faltar alimentação, sem faltar nada. E era um Trauma que era um horror. Foi um Hospital que mais que duplicou 150% no número de leitos, que se modernizou, que assinou a carteira de todo mundo. Como é que nesses oito anos, de R$ 900 milhões, sai uma bomba que há um rombo de R$ 1 bilhão? Segundo, o Estado paga a OS exatamente o nível dos serviços prestados. O que nós pagamos, R$ 12 milhões, é inferior a qualquer outro hospital daquele porte que exista no Brasil. É inferior ao Trauma de Campina Grande. Esse suposto dinheiro da corrupção não saiu do Estado. Só o ódio de meia dúzia de blogueiros é que justifica isso. Alguém é acusado de qualquer coisa, estou eu lá presente. O amigo do ex-assessor de Ricardo Coutinho, ai estou eu lá presente. Isso é de uma desonestidade profissional terrível. Se você não tem o dinheiro repassado como sendo coisas, digamos, tá pagando muito mais a OS… Não estou pagando pelo serviço. E mais, o STF tem uma súmula, segundo a qual, seja empresa ou OS o poder público não pode interferir onde é contratado o serviço dentro daquela OS. Por exemplo: se eu faço uma licitação para construção de uma praça, eu não posso dizer a OS que compre o material naquela tal empresa. É vedado ao Poder Público que contrate alimentação em determinado restaurante. É proibido isso. Ao que me parece, você teve uma contribuição, que é isso que percebi até hoje, para uma campanha que, se for verdade, é um processo eleitoral. E que deu nisso uma tentativa muito grande de me queimar. Eu não tenho patrimônio incompatível. Eu tirei, depois de anos e anos, 10 dias de férias. Viajei 10 dias. No 12º dia, eu já estava trabalhando. Meu patrimônio é exatamente aquilo que meu recurso dá. Não tenho movimentação por fora. Os caras me botarem no meio, criarem uma história. Todo mundo se levantou motivado por uma parte da mídia para poder dizer que havia um amplo esquema de corrupção. Se há problemas, identifique. Mas você não precisa pegar uma pessoa e fazer uma audiência de custódia com transmissão ao vivo. Isso é ilegal. O Código Penal Brasileiro define os direitos das pessoas. E se qualquer uma pessoa for inocente, como é fica? Acabou a vida. E porque nós tivemos isso? Tivemos isso, infelizmente, vindo do Brasil. Porque no Brasil se transformou nisso.

PB Agora – Mas quem lhe faz oposição e alguns blogues, inclusive, tenta passar a ideia para a sociedade que o senhor a qualquer momento será envolvido nessa Operação e que  o senhor será preso. Qual é a sua reação a essa expectativa que estão criando?

Ricardo Coutinho – Por justiça, eu jamais serei preso. Por justiça. Não há um único ato. Não há um único empresário na história da Paraíba, seja como prefeito seja como governador, que diga que eu o contatei, o chamei para pedir qualquer coisa ou para dizer que ele só teria algum a coisa se me desse algo. Não há nenhum empresário. Digo isso de uma forma até corajosa, porque o que a gente está vendo hoje aí no caso Lula, os caras começado a dizer que as delações foram por coação. É muito sério. O que a Lava Jato fez foi destruir a Justiça. Foi um golpe muito duro contra a Justiça e a Justiça precisa se levantar, pois a Justiça é o último dos poderes. Por isso, ela é muito importante. Depois que ela decide, acabou. Então, ela tem que estar acima de qualquer coisa e a Lava Jato, claramente, foi um movimento político, antinacional e que, só no pretexto do combate à corrupção, quebrou a economia do País. Decidiu as eleições prendendo o candidato que iria ganhar as eleições e com os méritos que hoje são claros: “olha, ali está o criminoso e agora vamos atrás do crime, não interessa qual seja, ele está condenado”. Eu tenho um profundo respeito pela Justiça, apesar de muitas vezes expressar minha opinião. Mas respeito a Justiça e o Ministério Público. Eu jamais seria preso através da Justiça sendo justa, porque eu não tenho porque ser preso. Ah, mas pode armar. É claro, a vida está cheia disso. Você pegar um sujeito como Lula que está preso por conta de um tríplex que a própria Justiça depois disse que não era dele.

PB Agora – Uma pesquisa do Instituto Opinião, divulgada há poucos dias, lhe aponta como sendo a grande liderança política da Paraíba, na avaliação do povo. A que pode se atribuir índices tão satisfatórios de aceitação popular?

Ricardo Coutinho – A população não é boba. Apesar desse clima de maluquice que estamos vivendo no mundo e no Brasil, as pessoas ainda separam as coisas. A pessoa que consegue sair lá de Passagem, perto de Patos, que quando chovia mulher tinha filho sem chegar na maternidade, porque não conseguia atravessar o rio, sabe o valor de ter uma estrada e uma ponte enorme para ele passar; o cara que ganhou uma adutora; quem está vendo lá em Cuité uma adutora. Eu gosto muito da minha teimosia. Isso me dá problemas, mas me alimento dela. Vamos fazer a barragem aqui de todo jeito, porque o povo precisa. Chegou o Ipham dizendo que não podia; nós construímos a barragem em outro lugar. Você não tem ideia do custo disso. Mas era preciso ter a barragem porque ela era fundamental para Cuité e Araruna. Então, a Paraíba sabe o que aconteceu. Nenhum governador, a partir de agora, vai fazer tanta adutora e tanta estada como eu consegui fazer. Quase 3 mil quilômetros de estrada. Ninguém fará porque não será mais necessário fazer. Irá tapar buraco; fazer interligações regionais. Quanto as adutoras, faltará muito pouco para trazer a universalização do acesso a água nos centros urbanos das cidades do semiárido. E a população sabe que não sou de ficar em cima do muro. Eu tenho opinião. Acho que o grande lance da política é esse. Eu odeio gente que não tem opinião. As pessoas sabem para onde eu vou, gostando ou não gostando. E isso gera confiança. Eu construí uma certa condição política que me deu capacidade de obter respeito e respeitar das pessoas.

 

PB Agora

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