Com derrota magra no plenário da Câmara dos Deputados para decidir onde ficaria o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) – apesar de toda a articulação do Centrão para derrotar o governo -, deputados do PSL avaliam que o melhor caminho para vitórias será dobrar a aposta e usar a pressão popular para votar matérias de interesse do governo no Congresso, como o pacote de medidas anticrime do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e a proposta de combate a fraudes no INSS.

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A convocação de uma manifestação para domingo em apoio ao governo e contra o Centrão da Câmara, afirmam, surtiu efeito: a Câmara aprovou a retirada do Coaf de Moro por margem apertada: 228 a 210.

Próxima do líder do governo na Câmara, a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) afirmou que o Legislativo está entrando numa nova era, onde os caciques dos partidos do Centrão não têm tanta força sobre suas bancadas. “O caminho é exatamente esse, de mobilização de rua e das redes sociais. Muitos deputados me falaram: eu bati de frente com o meu partido e votei contra. Essa mobilização legitimou os deputados a votarem contra seus partidos, votarem conforme suas consciências”, disse.

Já aliados do governo fora do PSL ponderam que essa estratégia pode funcionar em assuntos populares como o que envolveu Moro, mas o governo precisa deixar para trás essa derrota e se dedicar à agenda econômica, que não andará sem os líderes do Centrão e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). “É melhor seguir as falas mais ponderadas do governo, como o ministro Onyx (Lorenzoni) e a (líder do governo no Congresso) Joice Hasselmann (PSL-SP) e deixar passar. O Coaf vai continuar funcionando normalmente na economia e o foco é a reforma da Previdência. Esse projeto não vai andar na base da pressão popular”, disse o deputado Efraim Filho (DEM), próximo do ministro-chefe da Casa Civil.

Riscos

Zambelli reconhece que há, contudo, um risco de os protestos de domingo serem menores porque a mobilização nas redes caiu a 1/3 quando a Câmara marcou a votação da medida provisória (MP) da reforma administrativa do governo, o que diminuiu o interesse das pessoas no protesto. “A questão do Coaf elevou um pouco a quantidade de menções, mas não acho que seja suficiente para aumentar tanto a mobilização porque não terá o tempo necessário para divulgar como a gente queria”, disse, admitindo que isso pode fazer o Centrão vender a imagem de que o presidente Jair Bolsonaro não tem tanto apoio assim. Desmarcar as manifestações, porém, não está em discussão, garantiu a parlamentar.

O deputado Alexandre Frota (PSL-SP), que no começo estava refratário as manifestações, publicou nas redes sociais nesta quinta-feira uma convocatória para os protestos. “Acho que depois de ontem o que vi na Câmara não restam dúvidas”, escreveu.

Também no Twitter, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), um dos filhos do presidente e entusiasta das manifestações, disse que foi uma derrota com gosto de vitória. “Os deputados que contrariaram a orientação de seus partidos e votaram SIM, para que COAF ficasse com Moro, já entenderam uma básica lição da democracia: o parlamentar deve satisfação aos seus eleitores”, afirmou.

Na mesma linha foi o deputado Luiz Philipe de Orleans e Bragança (PSL-SP), que escreveu que o resultado mostra que vários deputados do Centrão não seguiram cegamente seus líderes. “O Centrão ganhou, mas perdeu”, disse.

Para o líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP), o resultado da votação na Câmara deve inflar as manifestações convocadas para domingo. De acordo com o senador, o Centrão pretendia esvaziar os protestos ao votar a MP da reforma administrativa, mas pode gerar o efeito contrário com a decisão de enviar o Coaf para o Ministério da Economia. “Apagaram incêndio com gasolina. Agora, quem não ia, vai [aos protestos].”

 

 As informações são do site Valor Econômico

 

 


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