Por pbagora.com.br

 O PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, vai decidir nesta quarta-feira (18), em reunião extraordinária da Executiva Nacional do partido, se continua a fazer parte do governo Dilma Rousseff. A tendência é que o partido, incomodado com as sucessivas críticas da direção do PT, entregue seus cargos e deixe de fazer parte formalmente da base de apoio ao governo Dilma.

Em reunião realizada nesta terça-feira, em Brasília, Campos e outros caciques do partido defenderam que o PSB entregue os cargos, conforme informou a coluna Poder Online . O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra (PB-PE), cancelou uma cirurgia marcada para quarta-feira, em São Paulo, e voltou a Brasília para participar do encontro. "A tendência segue neste sentido mas como isso vai ser feito só saberemos amanhã (quarta)", disse o deputado Júlio Delgado (PSB-MG).

Segundo fontes do PSB, qualquer que seja a decisão da Executiva, isso não significa um rompimento definitivo com o aliado histórico do PT, mas uma postura independente em relação ao governo. "Nossa intenção era deixar para discutir 2014 em 2014, mas há uma sensação de incômodo com o PSB e vamos avaliar se é coerente continuar dando esta contribuição", disse Delgado.

A postura do presidente do PT, Rui Falcão, e seu vice, Alberto Cantalice, é o principal motivo de irritação no PSB . Falcão defendeu, em reunião com Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sexta-feira, em Brasília, um ultimato ao partido de Campos em virtude da aproximação entre o governador e o tucano Aécio Neves. Cantalice postou críticas aos aliados na internet e chegou a chamar o PSB de "quinta coluna" (inimigo infiltrado).

A posição do PT contraria a de Lula, que ainda acredita na desistência do projeto presidencial de Campos e age para evitar que o PSB caia nos braços dos adversários. Dilma ainda não se posicionou sobre o assunto.

Se confirmada pela Executiva do PSB, a entrega dos cargos será uma tarefa complexa. Em primeiro lugar porque ninguém sabe quais os cargos controlados pelo partido nestes 10 anos de governos petistas. Em segundo porque líderes importantes do PSB como o governador do Ceará, Cid Gomes, continuam leais a Dilma e tem vários indicados no governo, entre eles o ministro dos Portos, Leônidas Cristino.

A direção do PT ainda não foi informada sobre a saída do PSB do governo. Cardeais petistas enxergam no gesto uma oportunidade de fortalecer os laços com o PMDB do vice-presidente Michel Temer. Setores do partido defendem que o PT também entregue os cargos que controla no governo de Pernambuco e na prefeitura do Recife, ambos comandados por aliados de Eduardo Campos.

Ig

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