Por pbagora.com.br
O advogado e atual secretário Executivo da Articulação Municipal, o ex-deputado Ramalho Leite publicou na última sexta-feira, 16, em seu site e perfil do Facebook, um texto intitulado ‘Os partidos e seus donos’, e faz uma análise da situação dos principais partidos da Paraíba.

 

Na postagem, Ramalho diz que os partidos são, por aqui, como propriedades familiares que passam de pai para filhos ou sobrinhos, que se revezam no poder e fazem alianças que favorecem parentes. Mesmo sendo auxiliar da gestão social, Leite alfinetou o partido do seu chefe, ao dizer que o PSB “tem um coletivo que ninguém vê e um chefe que todos obedecem”, que o PSD é “um casamento em comunhão de bens entre Rômulo e Eva Gouveia” e foi além ao criticar o PDT que segundo ele é de Damião Feliciano que faz a política do “coração prá coração”.

 

Leia o texto na íntegra:

 

OS PARTIDOS E SEUS DONOS

Para um deputado do Democratas-DEM, o seu partido não passa de um Departamento de Efraim Morais. O partido, na sua visão, só serviria para abrigar a família Morais. A reação vem a propósito da recente nomeação de um filho do presidente da legenda para gerir importante empresa estadual, e na manutenção do cargo antes ocupado pelo próprio. Parece até que outros membros do partido não estiveram, até bem pouco tempo, a ocupar posições na estrutura administrativa do Estado. Nada mais natural a permanência dos Morais. Quem apoia o Governo deve fazer parte dele.



Mas na Paraíba, como alhures, também, é a coisa mais natural do mundo os partidos terem donos. O outrora aguerrido PMDB de Ulisses Guimaraes, até bem pouco tempo era propriedade indissolúvel de Maranhão e de seus sobrinhos. Hoje esse pedaço do latifúndio partidário é partilhado pelos Vital do Rego – mãe e filhos. Os herdeiros naturais da legenda, na linha sucessória de Humberto Lucena- Iraê e Haroldo, foram postos para escanteio.
O Partido Popular-PP, propriedade intransferível de Enivaldo Ribeiro e presente de Paulo Maluf desde priscas eras, tem apenas nos dois filhos do presidente, seus coproprietários. Os deputados Agnaldo e Daniela Ribeiro se revezam ocupando o tempo de TV da legenda, sem ingerência de outros próceres populistas.



Por outro lado, o Partido da República-PR, desde seu nascedouro na pequenina, nunca deixou o patrimônio eleitoral do deputado Wellington Roberto e seus filhos, um dos quais, Caio Roberto é deputado estadual e o outro, participou da chapa derrotada nas eleições de Campina. São eles os autores, segundo a propaganda do partido, das maiores obras da Paraíba, inclusive, uma anunciada duplicação da BR-230 até Cajazeiras.



O PTB- Partido Trabalhista que nasceu com o getulhismo, teve sequencia com Jango e depois foi tomado de Brizola, na Paraíba, até bem pouco tempo, tinha outros donos. Era de Armando Abílio e seus genros. Quando o nosso Abílio perdeu o mandato, lhe surrupiaram a legenda e passaram sua escritura para outro grupo familiar. Responde pelo espólio de Getúlio Vargas, mesmo sem constar da Carta Testamento, o ex-senador Wilson Santiago e seu filho homônimo, deputado federal, que, juntos, tentam a vaga de senador em qualquer chapa desde que a “família trabalhista” seja atendida.O PDT- legenda dada a Brizola como premio de consolação por ter perdido o PTB, já foi propriedade dos filhos de Damásio Franca. A executiva do partido se reunia diariamente no café da manhã na casa herdada do patriarca. Sem mandato, Chico Franca cedeu sua posse ao deputado Damião Feliciano e filho. A política do “coração prá coração”, preside os destinos do trabalhismo democrático entre nós.



Os sobrinhos de Maranhão, antes cotistas do PMDB, tornaram-se independentes e hoje os deputados Benjamim e Olenka Maranhão são os donos do Solidariedade.O PMN desde há muito pertence a Lidia Moura e Bala Barbosa. Outros líderes partidários, não dividem nem com parentes o partido que lhes coube. Maria da Luz, manda no PRP. Sargento Denis é absoluto no PV. Os deputados Jutahy Menezes, Tião Gomes e Genival Matias, reinam no comando do PRB, PSL e PT do B, respectivamente.



O que parece exceção, também é regra: o PSB tem um coletivo que ninguém vê e um chefe que todos obedecem. O PT se divide em correntes que não conseguem amarrar ninguém, e lá, todos mandam e ninguém obedece. O PSDB , que já foi de Cícero, pertence a Cássio e é gerenciado por Ruy Carneiro. Antes que me esqueça, o PSD é um casamento em comunhão de bens entre Rômulo e Eva Gouveia. O PEN, o meu espaço acabou…

 

E você amigo internauta concorda com os argumentos de Ramalho Leite? Opine no espaço destinado aos comentários.

 

PB Agora

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