Jarbas tem aquele jeitão de estabanado. Quando governador foi um dos únicos da federação que vivia as turras com o presidente Lula. Uma língua pesada. E, algumas vezes, até inconseqüente. Mas o que ele disse à Veja não pode ser ignorado. “O PMDB é um partido de 90% dos corruptos”, resumiu Jarbas, depois de conviver por anos em quartel peemedebista, convivendo com generais e soldados.

Uma frase que, querendo ou não, atingiu de cheio à aparência de “partidão elegante” e, por tabela, de suas lideranças, sejam elas nacionais ou regionais. O PMDB é um partido de ricos. E parece que, depois da era Ulysses e da indiscutível contribuição para o processo de redemocratização do país, foi apenas nisso que se especializou: em enriquecer suas lideranças.

Não tem bandeiras, como cunhou Jarbas, porque se acostumou a defender a bandeira dos outros. E por isso não tem lideranças nacionais capazes de disputar, em pé de igualdade, uma eleição presidencial seuqer. Ou não tem presidenciáveis porque não têm bandeiras próprias. Não importa a ordem das coisas. Em nível nacional, o PMDB é FHC, é Lula, é Serra, é Dilma, enfim, é o que há de mais promissor fora do partido.

O fato é que não é compreensível que o maior partido do Brasil não tenha condições de indicar um candidato próprio a presidente da República. E não tem porque, como disse Jarbas, se acostumou a viver na sombra dos que arriscam, dos que colocam a cara pra bater. Quer viver e gosta de viver como aquele que “desequilibra”. Nada mais do que isso. E simplesmente porque considera mais vantajoso depois lotear cargos e fortalecer ainda mais o poderio de suas lideranças.

O PMDB de hoje tem síndrome de coadjuvante. Aliás, síndrome não, que é doença, e o PMDB na verdade tem prazer em ser co-responsável. Nunca perde. Objetivamente, as declarações de Jarbas, infelizmente, não deverão servir para uma caça às bruxas dentro do PMDB. Somente ele será “caçado” por dizer o que disse, assim como um evangelizador em terra de ateus.

Estão cobrando que ela diga nomes dos corruptos peemedebistas. Jarbas não vai dizer. Acha que já fez muito ao dar esse alerta ao Brasil. Pena que não é o único alerta a ser dado.

 

 

E o TSE de Versiani?
É grande a expectativa para a sessão desta terça no TSE, quando se espera a apresentação do voto do ministro Arnaldo Versiani sobre os embargos do caso FAC. Só perde para a quantidade de possibilidades que estão sendo discutidas entre a classe política no Estado. Uns apostam na revisão da decisão por parte de Versiani, outros apostam que um outro ministro pedirá vistas, que Ayres Brito votará contra Eros Grau, que a Corte derrubará por unanimidade e de uma vez só os embargos…

Soltas
Silenciando – O PMDB da Paraíba engoliu calado as declarações do senador Jarbas Vasconcelos.
Admitindo – O vereador Milanez chegou a dizer que a Paraíba está fora do universo de 90% de corruptos anunciado por Jarbas.
Rachando – Muito governista não gostou da ajuda de R$ 200 mil dada pelo governo do Estado ao Carnaval de Cajazeiras, organizado por Léo Abreu, da base de Maranhão.

 

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