Foto: assessoria

O deputado federal Wilson Santiago (PTB-PB) foi denunciado neste sábado (21) pela Procuradoria-Geral da República (PGR) pelos crimes de de corrupção passiva e organização criminosa. Além dele, outras seis pessoas também foram denunciadas, incluindo prefeito de Uiraúna (PB), João Bosco Nonato Fernandes (PSDB), preso na Operação Pés de Barro, da Polícia Federal, realizada neste sábado.

O grupo é acusado de desviar recursos destinados à construção da adutora Capivara no sertão paraibano. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão, um deles no gabinete do deputado Wilson Santiago, na Câmara dos Deputados, em Brasília. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello também determinou o afastamento de Santiago do mandato.

De acordo com o Ministério Público, as investigações revelaram que a empresa responsável pela construção da adutora, a Coenco Construções, recebeu R$ 14,7 milhões de dinheiro público e repassou, como propina, R$ 1,2 milhão a Wilson Santiago e R$ 633 mil a João Bosco Fernandes. Em imagens coletadas pela Polícia Federal, o prefeito João Bosco Nonato Fernandes aparece escondendo propina dentro da cueca.

Imagens feitas pela PF mostram prefeito de Uiraúna, João Bosco Fernandes, guardando dinheiro na cueca — Foto: Reprodução

Ainda segundo a PGR, Wilson Santiago propôs a João Bosco e a um empresário o direcionamento da licitação da obra, que foi licitada pelo município e paga com recursos federais. O MP aponta que 15% de todo o investimento seria devolvido aos políticos, sendo 10% para Wilson Santiago e 5% para João Bosco.

Para a PGR, o parlamentar paraibano entrou em contato outras pessoas para poder viabilizar o repasse de propina. Essas pessoas teriam coordenado as atividades da organização criminosa, o recolhimento da propina e o transporte de valores. O órgão pede à Justiça a condenação dos integrantes da organização criminosa e também a devolução de R$ 14,8 milhões.

A assessoria de João Bosco Nonato Fernandes afirma que a defesa do prefeito vai provar sua inocência, mas só vai se pronunciar depois de acessar toda a investigação.

Veja nota do deputado federal Wilson Santiago na íntegra:

Na manhã de hoje fomos surpreendidos por Operação da Polícia Federal. A operação em questão foi baseada na delação do empresário George Ramalho, o qual foi preso em abril de 2019 na Operação Feudo.

Segundo as informações preliminares, o delator iniciou no segundo semestre de 2019 a construção de um roteiro, que servisse como base para acordo que lhe favorecesse na operação que foi alvo de prisão. O delator busca a todo momento, construir relações que possam nos implicar de forma pessoal e criminalizar o trabalho parlamentar.

Fica evidente, que o delator usa um princípio jurídico que veio para ser um instrumento de promoção de justiça, como artifício para favorecimento pessoal e evitar condenação na Operação Feudo. Temos certeza que esse tipo ação criminosa será coibida. Não podemos aceitar que a ação política fique refém dessas práticas. Dessa forma, tomaremos as medidas cabíveis para que a verdade venha à tona, com o esclarecimento das questões objeto da investigação e nossos direitos sejam restabelecidos. Estamos à disposição da Justiça para colaborar em todo o processo.

Wilson Santiago
Deputado Federal

 

PB Agora

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