Acredite se quiser, mas a ex-primeira-dama da Paraíba, a baiana Pâmela Bório, disparou o seguinte, em alto e bom som, durante recente manifestação pública em João Pessoa, de cima de um trio-elétrico e sob efusivos aplausos de um público de notória ideologia de extrema-direita:

“Sabe por que estes crimes continuam acontecendo? Sabe por que nós “paraibacas” continuamos a ser roubados constantemente? Porque estamos com um Judiciário cooptado e corrupto; porque no nosso Judiciário há os omissos, mas também há os parceiros de crimes; há juízes que vendem sentenças e isso nós já denunciamos, já comprovamos; áudios foram vazados: desembargador Aluízio Bezerra (na verdade juiz convocado) que sempre facilita as ações do Governo da Paraíba, a sua hora está chegado também, Senhor, Vossa Excelência!..”

O caso é gravíssimo e suscita perguntas. Primeiro: que trunfos ou provas teria Pâmela Bório para fazer tão contundentes acusações, seja contra magistrados, seja contra a instituição Poder Judiciário? Segundo: Por que o próprio Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba ainda não se manifestou a respeito, mesmo tendo sido aviltado em sua credibilidade, respeito e dignidade? São perguntas óbvias e que correm à boca miúda. Afinal, a julgar pelas palavras de Pâmela, o Poder Judiciário da Paraíba é um antro de corrupção, um mar de lama. Vou repetir o que ela disse: “estamos com um Judiciário cooptado e corrupto; porque no nosso Judiciário há os omissos, mas também há os parceiros de crimes; há juízes que vendem sentenças e isso nós já denunciamos, já comprovamos”.

Pois bem, a Associação dos Magistrados da Paraíba (AMPB), entidade representativa dos Juízes de Direito do Estado emitiu uma nota repudiando as palavras proferidas pela ex-primeira dama, contra o Poder Judiciário e contra os magistrados paraibanos. Mas é no mínimo estranho que o Tribunal de Justiça não tenha se manifestado, em qualquer nível, sobre tão grave episodio. Mesmo porque o TJPB simboliza a cúpula do Poder Judiciário.

Reforçando: Qualquer acusação atribuída a Assembleia Legislativa do Estado, compete ao seu presidente, com a chancela da mesa-diretora, se manifestar a respeito. E não uma eventual entidade representativa dos deputados. Se acusações de tamanha gravidade forem feitas ao Poder executivo, caberá exclusivamente a sua excelência o governador defender a instituição que representa.

Como explicar, então, que uma instituição do respeito e da grandeza do Poder Judiciário da Paraíba receba uma saraivada de acusações tão graves e silencie sem que sua cúpula rechace ou pelo menos se manifeste em qualquer tom. Sobretudo, levando-se em conta o velho ditado segundo o qual “quem cala…”

Imaginemos que eu, aqui nesse espaço, tivesse o atrevimento de dizer pelo menos a metade do que disse Pâmela Bório sobre o Judiciário Paraibano. Ora, com certeza já estaria preso, a menos que tivesse provas contundentes…

Resumo da ópera: Por que a Associação dos Magistrados  e não o próprio Tribunal de Justiça reagiu aos açoites virulentos da baiana Pâmela Bório?

Agora?!

Outra pergunta que se faz em todo canto e a todo instante: Por que só depois de romper relações matrimoniais com o ex-governador Ricardo Coutinho, Pâmela Bório descobriu que ele não presta e que é chefe de quadrilha, como tem insinuado? E como pode, vivendo ela sob o mesmo teto que o então governador não tenha visto as famosas “caixas e mais caixas de dinheiro” dentro da casa que habitava e deve ter arrumado ou orientado os serviçais a arrumar algumas centenas de vezes? E, se o viu, por que não denunciou?

Em tempo: Lembrei-me agora que uma entrevista conduzida por mim e Adriana Bezerra, no programa Imprensado, da RCTV (Sistema Correio de Comunicação), quando questionada sobre críticas da imprensa ao governador Ricardo, Pâmela Bório, na pressa de defender seu então marido, afirmou que jornalistas que cobrem política mentem muito. Quando lhe perguntei, pegando a deixa, se os que agradavam o Palácio mentiam, ela com notório ar de desconcerto admitiu com um sorriso em desarmonia com a sua beleza: “Tambem”.

 

Wellington Farias

 


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