Em artigo publicado nesta semana o vereador pessoense e líder da oposição na Câmara Municipal de João Pessoa, Marcos Henriques (PT), destacou que considera a nova política” de Bolsonaro atrasada e a compara ao coronelismo e ao integralismo do patrimônio público nacional.

 Veja:

A “nova política” de Bolsonaro é atrasada, compara-se ao coronelismo e ao integralismo 

Por Marcos Henriques,  Vereador

CMJP

Mais um dos diversos atos de desrespeito praticados pelo senhor Messias Bolsonaro contra o seu próprio povo. E dessa vez, para desvelar seu sentimento de preconceito, cometido contra os 54 milhões de nordestinos e, principalmente, contra os paraibanos.

Não que fôssemos esperar qualquer atitude de respeito da parte de Bolsonaro, ou mesmo um simples ato que servisse de exemplo a ser dado pelo presidente da república aos seus governados. Essa grandeza faz parte do passado e só pertence aos estadistas, aos homens e mulheres, verdadeiramente de bem, que, despossuídos do ódio e talhados pela generosidade, colocam-se acima das inclinações conservadoras e se opõem à retórica fascista.

Bolsonaro foi eleito se dizendo politicamente incorreto, desdenhando da democracia e negando o republicanismo.

Ao tratar os governadores do Nordeste como inimigos a serem combatidos, o atual presidente se apequena ainda mais. Se reduz à condição dos canalhas que reagem com violência diante da contrariedade. Ao orientar os ministros a negarem o cumprimento do pacto federativo, o presidente agride todo um povo, o nordestino. Os governadores João Azevedo, da Paraíba, e Flávio Dino, do Maranhão, assim como os outros sete governadores do Nordeste, mesmo com desprazer, são obrigados a tratar o presidente com urbanidade e educação, pois o fazem por dever de ofício. Além do mais, eles não demandam para si e sim para o desenvolvimento do Estado como um todo.

Diante de tanta barbaridade, fico imaginando o que de fato significa essa retórica da “nova política”, e cada vez mais me convenço que nem sempre o novo significa algo melhor. Senão vejamos: perseguir os que não votaram em você e utilizar o patrimônio público para objetivar a perseguição, impondo a lógica de que somente os aliados serão bem tratados e os adversários serão perseguidos, são métodos muito próprios dos idos do coronelismo, ou seja, práticas políticas do início do século passado. A adjetivação pejorativa com o uso da terminologia “paraíbas” , para se referir aos nordestinos, em desrespeito ao Estado da Paraíba, e as nuances xenofóbicas do tom adotado pelo presidente, também não são oriundas de ideias novas.  Assim como, os apelos teocráticos, o nacionalismo exacerbado e culto ao mercado, compõem um enredo da extrema direita, fascista, brasileira classificada em meados do século passado de integralismo. Ou seja, não existe nada mais atrasado e menos original do que a burrice do então presidente.

Bolsonaro e seus filhos odeiam o Nordeste, pois sempre estiveram ao lado daqueles que repetem as piores ofensas e destilam ódio contra o nosso povo. Afinal de contas, antes do atual acidente presidencial, eles pregavam para os problemas dos milhares de nordestinos que vivem no centro mais rico do Brasil, o mesmo que Donald Trump (EUA) – seu espelho e igualmente preconceituoso – prega para aos norte-americanos naturalizados, ou seja, “voltem para o lugar de vocês”.

Agora sim, dá para entender o porquê das obras de transposição do Rio São Francisco estarem paralisadas e também o abandono daquilo que já havia sido concluído. Este governo não irá promover ações de redução das desigualdades regionais, ou muito menos se dispõe a propor políticas públicas que dialoguem, por exemplo, com as limitações do semiárido nordestino.        

Enganam-se os nordestinos que votaram nele e, muito mais os políticos que, no afã de fazer média, propõem títulos de cidadania paraibano, pessoense ou de qualquer outra localidade do Nordeste, para um inimigo declarado dos nove estados.

 

Redação

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