Por pbagora.com.br

Claro que você deve estar pensando que o título acima se refere ao publicitário baiano Duda Mendonça, não é? Pois bem: acertou em cheio. Ele é como uma célula-mater, um polvo cheio de tentáculos, que se multiplica em quantas vezes for preciso, para dar conta de seus clientes espalhados por vários Estados brasileiros, todos empenhados em suas respectivas campanhas políticas, este ano.

Marca de fantasia

Não existe somente um Duda Mendonça, exclusivo, único e indivisível, possivelmente onipresente e onisciente, como se fosse um verdadeiro deus do marketing político.

Nome se multiplica

Existem – com certeza – vários Dudas, pois ele trabalha como se fosse uma grande franquia nacional e internacional, vendendo aos candidatos endinheirados do Brasil e do Mundo, o sonho dourado de se elegerem sem fazer muita força. É só contratar um bom marqueteiro e pronto: já está eleito qualquer candidato, mesmo sem ter votos.

Preço é salgado

Basta ter dinheiro para pagar a conta, sempre imensa e invariavelmente grande, mesmo para os padrões de Brasília ou do eixo Rio-São Paulo. Imagine aqui no Nordeste…

Um dos seguidores

A foto acima é do jornalista e escritor Mario Rosa, que foi o último chefe do escritório da DMMP (Duda Mendonça Marketing Político) na Paraíba, quando a grife trabalhou na 1ª reeleição do governador José Maranhão (PMDB), em 1998.

O inventor de Ney

Mario foi quem criou o slogan “O Senador do Zé é Ney”, viabilizando a eleição de Suassuna, no rastro da fácil votação obtida por Maranhão, que já havia derrotado o grupo Cunha Lima por duas vezes, nos meses de maio e junho daquele mesmo ano, nas célebres convenções partidárias realizadas traumaticamente no Esporte Clube Cabo Branco, para escolher o presidente da legenda e, posteriormente, o candidato peemedebista a governador.

O homem dos dossiês

Mario Rosa criou também alguns dos misteriosos dossiês que se tornaram bastante famosos na época, cercados de uma aura de extremo sigilo, Top Secret, ultraconfidenciais, hiper-reservados, quando se tratavam – meramente – de arquivos contendo informações compiladas em jornais antigos e outras fontes de consulta, sobre os pontos fortes e fracos do próprio Maranhão e também dos seus adversários. Não tinham nada demais, porém geraram um tremendo alvoroço na classe política local.

Azul, vermelho e preto

Os tais dossiês se dividiam em três categorias ou classes, níveis, etc, representados pelas cores vermelho (de ataque, repletos de pontos fracos dos adversários políticos), azuis (de defesa, enfatizando os aspectos positivos do Governo e do governador, como obras, prestação de serviços, adesões de aliados, etc) e pretos (ítens negativos, onde Maranhão pudesse ser atingido, uma espécie de calcanhar-de-Aquiles dele).

Limpando a imagem

Esta temática – por sinal – é objeto de quatro livros publicados por Mario: “Síndrome de Aquiles”, “A Era do Escândalo”, “Reputação na Velocidade do Pensamento” e “Crise de Imagem”, que fizeram bastante sucesso no mercado editorial e servem até hoje como uma espécie de manual anti-imagem negativa.

Bíblia dos fichas-sujas

Esses livros são iguais a uma cartilha contendo dicas de como se deve ou não proceder para ganhar uma eleição, nunca perder votos e aliados políticos já conquistados ou se manter com boa aprovação de governo, em termos de pesquisas de opinião pública.

Quartel-general de 1998

Ele ficou baseado numa casa enorme, onde hoje funciona o escritório de advocacia de Roberto Luna Freire, na esquina das avenidas Marcionila da Conceição e Cairu (próximo à padaria El Shadday, no mesmo lado da rua – porém bem antes – do restaurante japonês Yokan, um dos locais mais freqüentados pelo ex-prefeito da Capital, Ricardo Coutinho, do PSB, nos seus raros momentos de lazer).

Antes de Mario Rosa, estiveram em João Pessoa, pela ordem:

1) João Santana – então sócio de Duda Mendonça, foi responsável pela implantação dos escritórios da DMMP nos Estados da Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, onde eles trabalharam para os governadores da época: José Maranhão (PB), Miguel Arraes (PE, já falecido) e Garibaldi Alves (RN).

De amigos a intrigados

Hoje em dia, os dois estão meio brigados, devido à disputa de contas milionárias junto ao Governo Federal. Duda foi o criador do slogan “Lulinha: Paz & Amor”, mas caiu em desgraça durante o melancólico episódio do mensalão e João Santana é o atual marqueteiro-mor da presidenciável Dilma Roussef (ambos candidatos do PT).

2) Augusto Fonseca – foi o segundo chefe da DMMP na Paraíba, sendo responsável pela montagem da estrutura do trabalho desenvolvido por produtores de vídeo, câmeras-men, editores de imagens, contra-regras, diretores de TV, etc, implantados nos estúdios da Lumen (localizada num prédio que ficava em frente à antiga agência do extinto Bemge – Banco do Estado de Minas Gerais, na avenida Epitácio Pessoa, onde atualmente funciona o Banco Real/Santander, vizinho à Nefruza, nas proximidades do Templo Maior da Igreja Universal do Reino de Deus, na esquina da avenida Piauí).

O começo de tudo

Augusto instalou-se inicialmente num dos apartamentos do 5º andar do Ouro Branco Praia Hotel, ocupando depois algumas salas moduláveis no mezzanino do hotel Caiçara, ambos localizados no bairro de Tambaú.

Elenco de 1º Mundo

Junto com ele, vieram alguns importantes reforços baianos, pernambucanos, paulistas e cariocas, como Sandra Santana, Anselmo Duarte Filho (primogênito do cineasta de mesmo nome que ganhou a Palma de Ouro do Festival de Cannes, na França, com o filme “O Pagador de Promessas”, em 1962), o apresentador de TV Danny Oliveira, Zeca Xavier (o repórter preferido do guia eleitoral do presidenciável Fernando Henrique Cardoso), Mazzola, “Gafanhoto” e a atriz de telenovelas Eliane Cigarrini (ex-Rede Globo e Record), entre outros profissionais de renome no mercado nacional, contratados a peso de ouro para virem trabalhar aqui.

3) Raimundo Lueddy – Conhecido pelo apelido de “Mundico”, ele cuidou mais da parte institucional, no que se refere à imagem do governador José Maranhão, tratando de construir os links entre a gestão administrativa do Estado e os benefícios para a imagem pessoal que isso poderia trazer ao então ocupante do Palácio da Redenção.

Exemplo cearense

Um dos seus trabalhos mais bem sucedidos foi registrado ao lado do também publicitário Antônio Lavareda, durante as gestões e campanhas políticas dos ex-governadores do Ceará, Ciro Gomes e Tasso Jereissatti (ambos vinculados ao PSDB e aliados do ex-presidente tucano FHC, na época).

Fontes de confirmação

Quem quiser saber mais detalhes a respeito desta história toda, basta perguntar a alguns personagens fidedignos que interagiram com esse pessoal, há 12 anos, como Solon Benevides (ex-chefe da Casa Civil), Mário Silveira (ex-secretário de Planejamento), Carlos Roberto de Oliveira (ex-marqueteiro de Maranhão), Othamar Gama (ex-proprietário da agência de publicidade e propaganda Lumen Produções) e Robinson Khoury Viana (ex-tesoureiro da campanha do PMDB), entre outros contemporâneos da primeira passagem da Duda Mendonça & Cia. Ltda. pela Paraíba.

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