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Existe uma crença que o brasileiro tem “memória curta”. Não vou discordar totalmente dessa “teoria empírica”. Mas sempre é bom ativar nossas lembranças adormecidas e lembrar que, exatamente há quinze anos, a Barragem de Camará rompeu, ocasionando uma tragédia. A morte de quatro pessoas, além de deixar cerca de três mil desabrigados nas cidades de Alagoa Grande, Mulungu, Alagoa Nova e Areia.

Confira vídeo:

Não vou apontar culpados pela tragédia. Apenas deixar claro que foram constatados problemas técnicos durante sua construção, cuja inauguração se deu em 2002. E aqui me permita, leitor, uma lição que aprendi quando sentava nos bancos da escola no antigo primário. Água é vida. E é dela que vou falar.

Após o trauma da população atingida pelo turbilhão de água vindo de Camará, o recomeço foi difícil, claro, para as famílias atingidas e por todos os habitantes dos municípios afetados, pois havia um sentimento de luto somado às perdas materiais e sonhos afogados nos rastros de lama e escombros.

Mas a resiliência dos paraibanos, somada a sua conhecida afabilidade minimizaram a dor até que, em 2016, o ex-governador Ricardo Coutinho entregou a “Barragem Nova Camará”, em Alagoa Nova, Brejo paraibano. Na prática, a barragem foi reconstruída e hoje abastece 21 municípios da região, beneficiando aproximadamente 225 mil habitantes.

As obras começaram em 2012 e custaram mais de R$ 48,6 milhões. A capacidade de armazenamento da Nova Camará é de mais de 26 milhões de metros cúbicos de água. Esse gesto minimizou o sofrimento dos que necessitam de água potável, para a irrigação e outros fins à manutenção da vida naquela região.

E 2016 veio outra boa notícia. Não precisa ser mestre em Química ou decorar a tabela periódica, pois a fórmula da água todos conhecem. E mais uma fórmula surgiu nessa equação. Um novo reservatório foi erguido para distribuir esse líquido preciso, eternizado por Guilherme Arantes na bela “Planeta Água”

Outra boa nova veio também na gestão do ex-governador Ricardo Coutinho. Naquele mesmo ano ele entregou a Barragem de Pitombeira, em Alagoa Grande, garantindo segurança hídrica para, aproximadamente, 28 mil habitantes.

A barragem de Pitombeira beneficia os habitantes da área de Alagoa Grande, sendo utilizada para abastecimento de água e também irrigação das terras. O reservatório possui um volume de acumulação de 2.955.820m³ que, com as últimas chuvas, está “sangrando”. Mais de R$ 8,4 milhões foram investidos na obra.

PARLATÓRIO

Deputado Ricardo Barbosa “manda chuva” da França

“As chuvas são sempre bem-vindas, notadamente, em nossa Paraíba”. A frase veio de longe. Atravessou o Oceano Atlântico e chegou à Paraíba. A voz e a imagem, já que foi um post que está viralizando na internet, partiu do líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado Ricardo Barbosa (PSB).

Ele fala que os altos índices pluviométricos estão causando transtornos à população, mas registra a importância da água, principalmente para a Paraíba, estado inserido no semiárido nordestino. Em sua coerência, ele não amaldiçoa a chuva nem a põe como vilã. E olha que o parlamentar está em Paris, mas consegue colocar seu gabinete à disposição do povo.

Para o prefeito Luciano Cartaxo, chuva é sinônimo de infortúnio

Como se vê, após a tempestade vem a calmaria. E observando o “desespero” de alguns gestores municipais, como o prefeito Luciano Cartaxo, de João Pessoa, que pouco se preocupou com o “fator chuva”, agora culpa a mesma pelos infortúnios que estão se abatendo sobre João Pessoa.

O gestor tenta “driblar” a opinião pública, pondo a chuva como vilã dos problemas “surgidos” na capital, a exemplo de alagamentos, quedas de barreira, ruptura de solo. Mas digo, senhor prefeito: água é vida. Não desgraça. E nada resolve mobilizar secretários para dar desculpas pálidas ao povo.

É certo que os índices pluviométricos estão acima da média. Mas os problemas seriam bem menores se alguns gestores entendessem que ainda existe algo chamado natureza, e nela há o inverno. E no inverno há chuva. De resto, o povo celebra a Nova Camará e Pitombeira “sangrando” num curso de água chamado vida.

Quem disse?!

“Esses que puxam conversa sobre se chove ou não chove – não poderão ir para o Céu! Lá faz sempre bom tempo…”
Mario Quintana

 

Eliabe Castor
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