A Paraíba, por um longo período, viveu sob o julgo dos donatários, capitães-mores, coronéis e chefes políticos que loteavam o “seu” terreno oferecendo migalhas para o povo. Grupos familiares se perpetuavam no poder fazendo gracejos, dilapidando o erário e distribuindo óculos e dentaduras para os mais humildes.

Hoje não observo grupo político algum capaz de centralizar o poder ao seu redor. Todos foram fatiados, o que é excelente para a Paraíba e sua própria democracia, afinal a alternância de poder é válida quando o assunto é o crescimento econômico e social de um povo. E nessa lógica a sociedade paraibana assiste a derrocada do clã Cartaxo.

Por oito longos anos fizeram da Prefeitura Municipal de João Pessoa seu “feudo”, mas a queda da “Bastilha” ao que tudo indica chegou. Ineficazes no plano político e administrativo, os irmãos siameses Luciano e Lucélio (ambos filiados ao PV) não conseguiram, ao menos, levar à frente o bloco carnavalesco Picolé de Manga, que após duas décadas encerrou suas atividades em 2016.

Até a Organização Não Governamental (ONG) Picolé de Manga não mais existe. Similar destino teve aqueles que apoiaram o projeto dos Cartaxo nas duas eleições consecutivas que o clã venceu. Exceto três ou quatro que não quiseram rasgar seus preciosos contracheques e sair dos cargos opulentos por pura vaidade, a debandada foi geral.

Ainda é cedo para dizer o destino dos Cartaxo. Talvez busquem exercer a função de farmacêuticos há muito abandonada. Ou quem sabe reativar o Picolé de Manga e o trabalho social exercido pela ONG. Ao contrário do ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB) que hoje advoga com certo êxito no Planalto Central, e seu conterrâneo, Veneziano Vital do Rêgo, senador da República, incerto é o caminho para o prefeito de João Pessoa.

Talvez tente o caminho de volta para a Assembleia Legislativa da Paraíba em 2022, e se não der, a própria Câmara Municipal de João Pessoa, em 2024, já seria de bom tamanho. Isso, claro, se o seu nome não cair no esquecimento. O que é bem provável. E que assim testemunhe Chico Franca.

 

Eliabe Castor
PB Agora

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