Por Wellington Farias

O prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, prestou declarações recentes para a imprensa deixando claro que voltar a alimentar as aspirações de concorrer ao Governo da Paraíba. Deve, portanto, disputar a sucessão de João Azevedo, em 2022.

Muita coisa ainda vai acontecer até as próximas eleições; muita água vai rolar, muitos acordos serão feitos, alianças desfeitas, outras feitas, e também terão as refeitas.

Independente das incertezas do futuro, é prudente ao prefeito de Campina Grande fazer uma leitura atenta para entender um recado emanado das urnas, nas eleições municipais deste ano: a total rejeição aos candidatos alinhados com o pensamento do presidente Bolsonaro.

Quem se aliou ao pensamento bolsonarista ou, pelo menos, ganhou um aceno de simpatia da parte do “mito” Jair Bolsonaro, se deu muito mal.

Só para se ter uma ideia, dos mais de 80 candidatos com o sobrenome Bolsonaro, que disputaram eleições Brasil a fora, apenas um se elegeu: o filho do presidente, reeleito vereador no Rio de Janeiro, mesmo assim, com alguma dificuldade.

Exemplo
Aqui mesmo, em João Pessoa, provavelmente o radialista Nilvan Ferreira perdeu muito – quando poderia até ter ganho a eleição, a considerar a pequena diferença que o separou de Cícero Lucena – por haver, durante meses a fio, levantado a bandeira da extrema-direita incorporada na figura de Jair Bolsonaro.

A partir de determinado momento da campanha, certamente por indicação de pesquisas internas e do seu marketing – Nilvan tentou se descolar da imagem e do pensamento do seu novo guri ideológico, o “mito” Bolsonaro.

Mas já era tarde: a sua imagem já estava carimbadíssima com a marca de bolsonarista de primeira hora.

O prefeito Romero Rodrigues, portanto, precisa estar atento ao recado emanado das urnas. A propósito, convém lembrar que, durante a campanha presidencial de 2018, Romero não hesitou e saiu às ruas de Campina Grande discursando por Bolsonaro e adesivando carros em favor da campanha do “mito”.

Mas…
Claro que não vai faltar quem observe que, apesar de bolsinarista, Romero conseguiu eleger o seu sucessor – e de primeira, num turno só.
É verdade, mas Romero não levou para dentro da campanha o seu discurso pró-Bolsonaro, nem as suas relações com o ex-governador Cássio Cunha Lima. Não tocou nestes assuntos, nem de longe.

E mais: o próprio Brunho Cunha, prefeito eleito de Campina Grande, teve grandes méritos para conquistar a acachapante vitória, com seu discurso afiado, suas propostas bem assimiladas pelo eleitorado de Campina Grande, e tendo como vice Lucas Ribeiro, jovem político oriundo de um clã que vem arrebentando a boca do balão na política da Paraíba, a cada eleição.

O sucesso de Romero na política de Campina Grande naturalmente não tem nada a ver com o bolsonarismo. Tem a ver, sim, com a própria gestão, com a sua leveza nos discursos e nos gestos.

Mas, a julgar pelo recado atual das urnas, colar no bolsonarismo pode significar fracasso nas próximas empreitadas.

Por Wellington Farias

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