O mundo das fake news, ou se preferir, notícias falsas, pode interferir de forma negativa no âmbito social, afetando desde decisões políticas, jurídicas, religiosas, chegando até o indivíduo, o cidadão comum. Ela pode, de fato, destruir a vida particular ou profissional de alguém, pois a reparação do “estrago” está pautada, quase sempre, numa explicação pela parte afetada, mas que, por já estar “contaminada” pela calúnia, sua voz é tida como falsa pelo público que “consumiu” a mentira como sendo verdade.

O caso mais recente envolvendo fake news na Paraíba gira em torno do empresário Roberto Santiago, que se encontra preso, estando ele na condição de réu por ter seu nome citado na Operação Xeque-Mate, que desarticulou um esquema criminoso na administração pública de Cabedelo. Em nota divulgada por seus advogados, na manhã desta segunda-feira, diz a defesa que seu cliente não cogita o expediente de uma suposta delação premiada.

Os advogados de Santiago rebatem o que chamam de “boatos que estão circulando na internet”, alegando que o empresário foi preso “sem qualquer prova ou fundamento”. Em outro trecho da nota a defesa acredita na absolvição do cliente e na revogação da prisão. Como se vê, uma informação subjetiva ou baseada em especulações pode tornar algo abstrato em pura “realidade”.

No caso específico de Roberto Santiago, a notícia da sua suposta delação veio de um texto assinado por um colega de profissão cuja ética é inquestionável. Nele, estavam contidos apenas suposições. Faz-se evidente que o artigo não buscava provocar uma série de fake news em grupos de WhatsApp e redes sociais. Mas provocou.

E o que levou a deturpação do texto? Pergunto e ao mesmo tempo respondo, de maneira objetiva e quase infantil, apelando para a brincadeira do “telefone sem fio”. A verdade está naquele que emite a primeira informação.

Ela tem que ser objetiva e não deixar margem para a dúvida, caso contrário, aquele que recebe por último a notícia, absorverá “ruídos” e, em muitos casos, distorções realizadas no “meio do caminho” a fim de, quase sempre, prejudicar alguém ou algo. E é exatamente nesse “caminho” que um fato concreto irá parir uma fake news.

Agora é importante observar a reação dos advogados de Roberto Santiago em desmentir todas as especulações. Embora tenha havido certo “estrago” na estratégia da defesa, a nota concisa e assertiva retirou ou minimizou as especulações de uma delação premiada vinda do empresário.

Para encerrar o texto, ficam aqui os questionamentos para o leitor, baseados nos argumentos da defesa. A prisão de Roberto Santiago é justa? Quais os riscos que o empresário pode oferecer para a sociedade? E o jogo de xadrez continuará até a movimentação da última pedra. Após, conclui-se o embate de tabuleiro com um xeque-mate. O resto é fake.

Leia também:
Opinião: Roberto Santiago, o perigo das fake news e o compromisso com a verdade

Eliabe Castor
PB Agora

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