Por Eliabe Castor

A natureza é sábia, e aqui me lembro do mimetismo, um mecanismo utilizado por algumas espécies, em que se observa uma espécie imitando outra, sendo essa imitação física ou comportamental. O mimetismo é uma técnica utilizada por diferentes organismos e pode ser conferida de três formas: mimetismo de ataque, em que o organismo mimético é o predador; mimetismo defensivo, no qual a presa é mimética para afastar seu predador; e o mimetismo reprodutivo, o qual é realizado por plantas que se assemelham às fêmeas de seus polinizadores.

E na política podem-se observar tais comportamentos “camaleônicos”. Não é raro encontrar em tal seara a mudança de cores, discursos, atitudes de forma geral, a fim de tirar proveito de algo ou alguém, e mesmo manter a própria existência. Um caso curioso, que caiu nas graças das redes sociais há pouco foi a do ex-senador Cássio Cunha Lima (PSDB).

Mostrando uma “arte” duvidosa para manter-se vivo na política, o tucano foi aliado e adversário dos ex-presidentes da República Fernando Henrique Cardoso, integrante da sigla partidária a qual faz parte, de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), surfou na onda da também petista Dilma Rousseff, jurou o amor perfeito com o emedebista Michel Temer e, por último, sorriu ao lado de Jair Bolsonaro (sem partido) até ser praticamente humilhado nas eleições de 2018, após amargar o quarto lugar na contagem geral dos votos válidos para a reeleição ao Senado.

Vale lembrar que na época do seu naufrágio político era Cunha Lima vice-presidente do Senado, o que, teoricamente, daria maior aporte político em relação a seus adversários, em especial os senadores eleitos Veneziano Vital do Rêgo, na época filiado do PSB e hoje figurando as fileiras do MDB, e Daniella Ribeiro (PP).

Outro fato interessante que, provavelmente, contribuiu para a derrota de Cássio Cunha Lima em 2018. Por todas as suas “andanças” já mencionadas, a credulidade do seu eleitorado foi se dissipando, estando como prova maior que os eleitos daquele pleito têm como reduto eleitoral exatamente o do tucano, que é a cidade de Campina Grande e todo o compartimento da Borborema.

Diante do exposto, é provável que Cunha Lima tenha tomado para si a lição que não se pode servir a dois, três, quatro senhores e, por conveniências pessoais, abandoná-los quando a nau começa a fazer água.

Mais experiente, é possível que o tucano tenha aprendido a lição que fazer alianças políticas em demasia é perigoso e, pior: mudar o gosto e o prato que comeu por um bom tempo para uma tigela com uma sopa caudalosa pode resultar em afogamento. E aí não há escafandro que salve.

 

Por Eliabe Castor