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Opinião: o começo do fim político de Cartaxo foi iniciado

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Erros na política partidária costumam ser danosos, muitas vezes significam o fim para alguns agentes que já ocuparam cargos eletivos. E essa verdade, quase imutável, pode ser observada em um caso emblemático. Refiro-me ao ex-prefeito de João Pessoa, Chico Franca.

Eleito em 1992 pela legenda do PDT, obtendo 65.256 votos no primeiro turno e 102.878 no segundo, venceu Chico Lopes, do PT, e deixou o cargo em 1997. Ainda disputou as eleições estaduais no ano seguinte, desta vez candidatando-se a deputado federal.

Mas não teve êxito. A pá de cal derradeira veio em 2000, quando tentou se eleger vereador de João Pessoa, recebendo, apenas, nove votos, pondo-o, de maneira permanente, no ostracismo político.

E o que Franca passou, outro ex-prefeito de João Pessoa começa a passar. Falo de Luciano Cartaxo (PV) e suas más escolhas políticas. Para iniciar, gradualmente começou a se afastar daqueles que lhes deram sustentação administrativa e política ao longo da sua gestão de oito anos.

Rompeu com aliados e lançou como sua sucessora no pleito de 2020 sua a ex-secretária Edilma Freire (Educação). Um fato curioso e que irritou, e muito, quem ainda navegava com Cartaxo. Sua então candidata possui grau de parentesco com o ex-gestor.

Edilma Freire é cunhada da ex-primeira-dama do município, Maísa Cartaxo, e consequentemente concunhada de Luciano Cartaxo. Em linhas práticas, o Verde buscou colocar na cadeira que ocupou alguém da sua própria cozinha, o que não deu certo.

A candidata de Cartaxo obteve, apenas, 47.157 votos, ficando atrás dos deputados estadual e federal, respectivamente, Walber Virgolino e Ruy Carneiro, além do comunicador Nilvan Ferreira e Cícero Lucena, que venceu as eleições.

Após a derrota da sua candidata, Cartaxo, já colocado próximo à bandeira do escanteio, não buscou absolver o impacto e iniciar uma nova jornada, buscando conversar com lideranças políticas que ainda estavam ao seu lado. Preferiu o silêncio, ato suicida para alguém que não tem um familiar com mandato.

O despertar tardio

E quando Luciano Cartaxo começou suas movimentações visando às eleições de 2022, encontrou só obstáculos. Órfão, nem situação ou oposição querem o ex-prefeito nas respectivas imediações políticas. Calculou mal os seus passos o ex-gestor que comanda o Partido Verde na Paraíba.

A situação é tão grave que, sequer, Cartaxo foi convidado para a reunião ocorrida na segunda-feira (21) envolvendo as principais lideranças oposicionistas da Paraíba. Irritado, viu a quase chancela dos participantes do evento em escolher o nome do ex-prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSD), como pré-candidato ao governo do estado.

Uma das vozes veementes que não quer Luciano Cartaxo marchando no campo das oposições da Paraíba reside na pessoa do deputado estadual Cabo Gilberto (PSL).

Para ele, ao ficar ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que possivelmente irá ser candidato à presidência do Brasil, o ex-gestor fere os princípios de muitos da cúpula oposicionista, que preferem apoiar o atual presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) que irá tentar a reeleição.

Contas reprovadas e possível inelegibilidade

As contas de 2019 da Prefeitura de João Pessoa, na gestão de Luciano Cartaxo (PV), foram reprovadas, por maioria, pelos conselheiros do Tribunal de Contas da Paraíba (TCE-PB).

O parecer do Tribunal de Contas será enviado para análise e votação do mesmo na Câmara Municipal de João Pessoa CMJP. É naquela Casa que será decidido se Cartaxo ficará inelegível ou não por oito anos.

Mais um detalhe: sem a caneta na mão e com os movimentos políticos equivocados, o ex-prefeito colocou em sua coleção adversários ferrenhos que observarão, sem dúvida, supostos erros administrativos do ex-gestor. Todos utilizando lentes de aumento a fim de identificar possíveis falhas de Cartaxo e sua equipe enquanto estiveram à frente da Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP).

E se Cartaxo escapar da guilhotina?

Bem, caso Cartaxo escape dos problemas envolvendo a prestação de contas da sua gestão referentes ao exercício de 2019, não terá ele força para disputar o governo do estado, Senado ou uma vaga na Câmara Federal. No máximo, um assento na Assembleia Legislativa da Paraíba, e tendo o cuidado para não sofrer o revés vergonhoso de Chico Franca e seus nove votos.

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