Por Wellington Farias
 
 

Há inúmeros fatores que, direta ou indiretamente, contribuíram para a ascensão da extrema-direita ao Poder no Brasil e, portanto, para esta situação lamentável em que o País se encontra. Hoje, somos uma nação de ladeira abaixo, ridicularizada pelo mundo; governada por um despreparado, um péssimo exemplo inclusive para a sua instituição, o Exército, onde era considerado um “mau soldado”.

Um desses fatores, com certeza, foi o acovardamento das instituições brasileiras que têm a atribuição e o dever de preservar os princípios que norteiam a nossa Constituição Cidadã de 1988. Principalmente aqueles pontos inerentes à democracia e ao estado democrático de direito.

As instituições guardiãs da Constituição ouviram e viram várias sinalizações de que estava em curso um projeto de afronta à democracia, às liberdades, ao estado democrático de direito; quem sabe um projeto destinado a instituir o totalitarismo no Brasil. Mas não cuidaram de cortar o mal pela raiz…

O começo

O então capitão reformado, Jair Bolsonaro, ainda um ilustre desconhecido para o Brasil, com 28 anos de mandatos improdutivos na Câmara Federal, onde nunca saiu do baixo clero, apareceu em emissoras dando entrevistas e sinalizando com um projeto de poder. Um projeto que era, claramente, de afronta à democracia, ao estado democrático de direito e, portanto, também contra as instituições do País.

Bolsonaro não se cansou de dizer que se fosse eleito fecharia o Congresso; que fecharia o Supremo e que era preciso haver no país uma guerra civil, paa que pelo menos 30 mil fossem mortos.

Lembrando

Só pra refrescar a memória de todos, vamos reproduzir o que disse o então ilustre desconhecido Capitão reformado Jair Messias Bolsonaro, em entrevista a uma emissora de TV:

Bolsonaro: Eu sou favorável é que nessa CPI do Chico Lopes tivesse pau de arara; ele merecia isso, pau de arara. Eu sou favorável à tortura, tu sabes disso, e o povo é favorável a isso também.

Entrevistador: Se você fosse hoje o presidente da República, você fecharia o Congresso Nacional?

Bolsonaro: Não há a menor dúvida. Daria golpe no mesmo dia. Não funciona; e tenho certeza de que pelo menos 90% da população ia bater palma. Não vai falar em ditadura militar aqui. Só desapareceram 282, a maioria marginais, assaltantes de banco, sequestradores. Isso em 20 anos de regime militar. Só no carnaval de São Paulo morreram mais de 300.

Entrevistador: Mas essa imagem não é a imagem que a população tem, né?

Bolsonaro: Através do voto você não vai mudar nada neste País. Nada, absolutamente nada. Só vai mudar, infelizmente, quando um dia nos partirmos para uma guerra civil aqui dentro; e fazendo um trabalho que o regime ainda não fez: matando uns 30 mil, começando por FHC. Se vai morrer alguns inocentes, tudo bem.

Esta entrevista está postada no Youtube no seguinte endereço:

Pois bem. Meça cada palavra dita pelo que, mais tarde, seria presidente da República. Foi uma ameaça claríssima à democracia, às instituições, ao estado democrático de direito. E um discurso a favor de uma guerra civil num dos países mais pacíficos do mundo, para que morressem pelo menos 30 mil pessoas.

O que nossas instituições encarregadas de zelar pela democracia, pela Constituição fizeram? Absolutamente nada. Bolsonaro seguiu célere com seu discurso radical, até chegar à Presidência da República.

E…

Lá estando, foi às ruas pregar contra a democracia; foi na gestão dele em que helicópteros oficiais sobrevoaram a sede da mais alta corte do País, o STF, numa evidente tentativa de ameaça.

Claro que Jair um dia poderá se dar muito mal, com essas suas bravadas. Mas atenção: foi assim que ele saltou de um ilustre deputado do baixo claro do baixo clero para a Presidência da República. E da presidência para um regime totalitarista basta um pulo.

Se as nossas instituições continuarem acovardadas…

 
 

Por Wellington Farias

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