Aos que duvidam que o presidente Jair Bolsonaro foi posto em “quarentena” por generais, líderes políticos e membros graúdos do Judiciário, é bom que eles tenham a seguinte certeza: Sim! Ele está em regime de “isolamento”, mas tal condição é transitória. Muito provavelmente o chefe do Executivo federal recuará em relação a alguns pontos de vista polêmicos em relação à pandemia do novo coronavírus, como o fim do isolamento social e a própria tentativa de fritar o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e sua eficiente e lúcida equipe.

Blindado pelas estrelas do alto generalato, Congresso e Supremo Tribunal Federal, Mandetta terá mais um tempo na sua sobrevida no governo Bolsonaro. Mas é bom lembrar e não desdenhar da natureza intempestiva e beligerante de alguém que figurou por 28 anos no chamado baixo clero da Câmara Federal e, pondo um discurso populista pautado na valorização da família, ordem e no “sagrado” acima de tudo, arrebanhou nada menos que 55.205.640 votos (55,54% dos válidos), sagrando-se presidente da República.

Faz-se evidente que tal exército mínguo. Uma nova pesquisa divulgada nesta quarta-feira, 08, pelo instituto Datafolha mostra que 17% das pessoas que votaram em Bolsonaro na eleição de 2018 estão arrependidas. A porcentagem é equivalente a 9,8 milhões de eleitores. Mesmo assim o número de apoiadores pelo ex-capitão do Exército é considerável.

Segundo o levantamento, 39% dos brasileiros consideram ruim ou péssima a forma como Bolsonaro conduz o país na crise. Outros 25% classificam o desempenho do presidente como regular, enquanto os que avaliam Bolsonaro como ótimo ou bom são 33%. Ou seja: o presidente ainda tem um ativo eleitoral a seu favor bem expressivo.

E a título de ilustração, Jair Bolsonaro não possui o mesmo poderio bélico que seu colega Donald Trump. Em 2018 o presidente dos Estados Unidos disse que seu botão nuclear era maior e mais poderoso que o dispositivo que o soberano da Coreia do Norte, Kim Jong-un, afirmava ter.

Realmente o presidente do Brasil não dispõe de um botão nuclear, contudo tem à sua disposição um mecanismo que pode criar sérios problemas políticos, diplomáticos, econômicos e de saúde para o Brasil. Bolsonaro tem a tecla “enter” para disparar torpedos de puro veneno nas redes sociais com o total apoio do famigerado “gabinete do ódio”, o grupo de assessores palacianos ligados ao filho 02 do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ).

Em resumo: subestimar o atual mandatário do país é um erro que já foi cometido no pleito que o elegeu presidente. Repetir o erro é loucura. Bolsonaro pode fazer ainda muito estrago.

 

Eliabe Castor
PB Agora

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