As lutas entre os seres humanos estão dentro da sua própria essência em sobreviver. Outros embates não. Mesmo assim podemos tomar com belo exemplo o acordo de paz entre soldados franceses e ingleses e seus rivais alemães. O fato se deu na Primeira Grande Guerra, e ficou conhecida como “Trégua de Natal”, ocorrida nas trincheiras próximas à cidade de Ypres, na Bélgica, em 24 e 25 de  dezembro de 1914.

O início do texto mostra que, mesmo nas mais profundas divergências, o bom senso pode ser inserido em benefício de um bem maior, que está inserido no direito natural à vida e no bem comum. A diplomacia e diálogos construtivos devem promover essa paz. E vimos o gesto do governador João Azevêdo em conceder novo prazo para que a Prefeitura Municipal de João Pessoa providencie as licenças necessárias relativas às obras do Parque Ecológico do Sanhauá, na região do Varadouro,

Por sua vez, o prefeito da capital retribuiu a decisão de Azevêdo, classificando-o como “gesto de bom senso e equilíbrio para um tema muito importante para cidade de João Pessoa, que é exatamente a construção do Parque Ecológico Sanhauá”. E tudo poderia permanecer no discurso “tocante” do alcaide pessoense, não fosse a própria “inserção” da obra, pois boa parte dos moradores da área não aceitam a relocação, pois muitos, além de terem suas raízes culturais naquela área há décadas, tiram seu sustento da pesca ou possuem alguma fonte de renda formal ou não na localidade.

A área em questão é a Vila Nassau, na comunidade do Porto do Capim, no bairro do Varadouro. A prefeitura busca relocar os moradores para um condomínio popular que está sendo construído  na comunidade Saturnino de Brito, em Cruz das Armas. 

E enquanto esse embate entre população da Vila Nassau, respaldado  por vários movimentos sociais permanece nas “trincheiras” escavadas na localidade a qual a Paraíba foi parida, a gestão do prefeito Luciano Cartaxo encontra dificuldades no planejamento e execução das suas obras. 

Chega a ser doloroso observar um misto de incompetência, pouco trato com a coisa pública e descaso para com a própria cidade de João Pessoa. Evidente que a atual gestão acertou em algumas obras, mas falhou noutras de tamanho e projeção consideráveis, como o caso do Parque Solon de Lucena¸ que é alvo da Operação Irerês, que apura  possíveis desvio de verbas, cujos valores, segundo a Controladoria Geral da União (CGU) chegam a R$ 10 milhões.

Outras situações impossíveis de serem compreendidas são as eternas reformas do Parque Zôo Arruda Câmara (Bica), e o asfalto cedendo na Avenida Ministro José Américo de Almeida (Beira Rio). Inaugurada ano passado, a camada asfáltica está se “dissolvendo” em alguns trechos, atrapalhando o trânsito da via, além dos pontos de alagamentos ainda existentes em determinados locais.

E para não dizer que não falei das flores, nossa bela Barreira do Cabo Branco sofre, grita, chora e berra com vigor; clamando pelo Auto da Compadecida. Talvez Ariano Suassuna ouça, fale com Nossa Senhora dos Milagres e envie Chicó e João Grilo para salvar nosso patrimônio natural, enquanto ele não desaba com a placa do descaso: “A que jaz o que foi o ponto mais oriental das Américas”.  

 

Eliabe Castor

PB Agora

 


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