O jornalista Gonzaga Rodrigues fez observação perfeita ao mostrar, em crônica há muito escrita, que João Pessoa nasceu de costas para o mar, nas margens do Sanhauá. Nesse ambiente que se entrecruza história da cidade, manguezais, rio e comunidade ribeirinha, outro "capítulo histórico" vem sendo criado, dessa vez pelo prefeito Luciano Cartaxo.

Sim, o alcaide pretende desalojar centenas de famílias que residem na comunidade Porto do Capim, tendo como argumento a construção de um parque ecológico. O projeto seria válido, caso não impactasse de forma negativa os que ali moram, em sua maioria pescadores que tiram do velho Sanhauá seu sustento para viver e sobreviver.

A problemática é antiga, o desespero dos ribeirinhos idem. Todos alegam que, ao saírem do seu “habitat”, muitos filhos, netos e bisnetos dos primeiros que ali se instalaram quando João Pessoa não passava de uma pequena província perderão muito mais que pão e peixe na mesa. Serão despejados das suas raízes culturais e sociais.

O conflito entre Davi e Golias é desleal, pois no caso em pauta a secular comunidade é pequenina ante a força de uma prefeitura, seu aparato administrativo e jurídico. E nesse meio, em zona “desmilitarizada”, está o Ministério Público Federal, que busca uma solução para o não despejo abrupto das famílias.

A situação é grave, merece um olhar especial dos poderes constituídos, a exemplo da Câmara de Vereadores que, alheia a toda problemática, literalmente parou seus trabalhos para avaliar se daria ou não o título de cidadão pessoense ao presidente Jair Bolsonaro. Assunto pouco relevante para a população de João Pessoa, menos ainda para os que ainda habitam no Porto do Capim.

Seria interessante que os vereadores (oposição e situação) tomassem ciência do problema e discutissem o assunto em plenário. Trazer à luz o que de fato está acontecendo naquele pedacinho da cidade. Talvez haja outros interesses além da construção de um parque ecológico. Talvez…

 

Eliabe Castor
PB Agora

 

 

 

 


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