A cidade de Cabedelo foi fundada em 4 de novembro de 1585. Possui um patrimônio cultural imaterial fantástico, dentro das suas “paragens” figuram a Nau Catarineta (1910), Lapinha de Jesus de Nazaré (1974), o Grupo Folclórico Coco de Roda e Ciranda Mestre Benedito (1976) e Boi Formoso (1996). Também no município está parte da história da Paraíba, sendo o belo Forte de Santa Catarina prova inconteste do seu valor histórico.

Por fim, a localidade está situada numa península entre o Oceano Atlântico e o Rio Paraíba, o que lhe confere belas praias, manguezais intocáveis e um porto que facilita a entrada e saída de produtos diversos, estando o município na condição dos cinco mais ricos do estado. Mas toda sua beleza natural, importância história e referências culturais únicas não livraram o município da maldição política.

Exceto o bairro de Intermares, a sua infraestrutura urbana é precária, havendo um profundo fosso na distribuição de renda no seio da sua população. Os problemas dessa bela cidade, de um povo hospitaleiro, são inúmeros, e para agravar ainda mais, seus cofres públicos sempre foram saqueados. No passado pelos portugueses do Brasil colônia, na atualidade, por gestores corruptos, estando sempre o Executivo em “perfeita” sintonia com o Legislativo para promover manobras que possam beneficiar monetariamente quem estiver no poder.

PARLATÓRIO

Leto Viana joga Vitor Hugo na “cova dos leões”

A Paraíba inteira, digo melhor, o país todo acompanhou as falcatruas do ex-prefeito Leto Viana e a quadrilha que dava ao então mandatário aporte financeiro e político para “quebrar”, mais uma vez, Cabedelo. Foi a operação Xeque-Mate, deflagrada em abril de 2018 pela Polícia Federal e Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba (MPPB), que colocou o ex-gestor na cadeia.

Outros agentes políticos também foram presos, a exemplo da ex-primeira-dama de Cabedelo, Jacqueline França, que era vice-presidente da Câmara, e mais quatro vereadores. A maior parte das prisões aconteceu na primeira fase da operação, que já está no seu quarto “estágio”, seguindo Leto Viana e o empresário Roberto Santiago presos.

E ao longo de toda a tramitação do processo, Leto Viana assinou um acordo de delação premiada. Entre as muitas revelações à Polícia Federal, diria eu, estarrecedoras, figura o atual prefeito de Cabedelo, Vitor Hugo, como um dos beneficiados pela organização criminosa.

Diz Leto Viana que Victor Hugo também participava de esquema na cidade, recebendo mensalmente R$ 3 mil, oriundos de desvios de salários de servidores, e teria recebido R$ 20 mil após ser eleito vereador em 2016 para aderir à sua base na Câmara Municipal.

Indiciado na Xeque-Mate, Vitor Hugo teme ser afastado e usa a retórica para se defender

Após as declarações, prestadas em abril deste ano por Viana, Vitor Hugo passou à condição de indiciado pela Polícia Federal. O atual prefeito se debateu, falou que nada tinha a ver com o caso, e por nota e em redes sociais buscou provar sua inocência e informar que iria processar o delator. Há o temor real do gestor em ser afastado do cargo, embora negue.

Ele também afirmou que nada tinha a temer, e não se preocupava por ser citado na Xeque-Mate, sendo ele supostamente inocente. O gestor, após a delação de Leto Viana, afirmou em sua altivez retórica: “Já estou tomando todas as providências jurídicas cabíveis contra essa confissão criminosa que claramente é uma retaliação a tudo que fiz para combater os atos de corrupção”.

Câmara Municipal de Cabedelo elabora manobra política para “blindar” Vitor Hugo da Xeque-Mate

Ao contrário de uma possível tranqulidade do prefeito Vitor Hugo sobre a Xeque-Mate, ficou amplamente notório o total alinhamento, mais uma vez, entre os poderes Executivo e Legislativo de Cabedelo. Após uma manobra política proposta pelo vereador Evilásio Cavalcanti, foi aprovado na noite de terça-feira (18) uma emenda na Lei Orgânica Municipal que impede o afastamento do gestor em caso de denúncia no âmbito da Operação Xeque-Mate.

O placar foi folgado. Dez a três em favor da emenda, que julgo ser um escárnio à população de Cabedelo e aos princípios democráticos, buscando, por brechas jurídicas, burlar a Constituição e “zombar” do Poder Judiciário.

Não há dúvidas na aplicação do velho adágio popular do: “Quem não deve, não teme”. Ao que parece Vitor Hugo buscou um expediente fácil para garantir sua estada no poder. Aqui, faz-se importante observar que não estou acusando o chefe do Executivo de Cabedelo em nada que recaia contra ele no processo da Xeque-Mate.

Falo aqui, nessas linhas virtuais, sobre uma espécie de temor do prefeito e dos vereadores da sua base. Algo similar a um mandato de segurança, buscando garantir a proteção de um direito que esteja sob ameaça de violação por uma autoridade. Pelo sim, pelo não, Vitor Hugo mobilizou a Câmara dos Vereadores, “legislando em causa própria”, em mais um episódio lamentável na bela, mas combalida Cabedelo. Aguardemos novos fatos.

Quem disse?

“Um chefe legislando em causa própria cria leis parciais e frágeis, estas são leis que pedem para ser quebradas e a quebra de uma leva a anarquia de outras”.
Claudeci Ferreira de Andrade

 

Eliabe Castor
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