Quem assistiu ao vídeo sobre a excêntrica reunião ministerial presidida por Jair Bolsonaro ficou estarrecido. Não havia como não ficar indignado e tomado por um sentimento deprimente de vergonha alheia.

Muita gente ficou de cara vermelha no sofá da sala, ao assistir o vídeo, que denota estar o Brasil vivendo o pior momento de sua história política, em que o chefe da Nação mandou pras cucuias o respeito ao povo brasileiro e à liturgia do cargo.

Nem os ditadores dos vinte e um anos pós-1964 usaram termos tão chulos como fez Bolsonaro. Uma vergolha por completo.

Não podia ser diferente a reação dos brasileiros. Talvez só não tenha se chocado, ou fingido não ter se dado conta da baixaria que foi aquilo, algum bolsonarista pra lá de fanático.

Datado do dia 22 de abril, o encontro foi retratado num vídeo cuja existência foi revelada pelo ex-ministro da Justiça do atual governo, Sérgio Moro. Sim, aquele que viveu quinze minutos de glória, como “herói nacional”, na condição de juiz da Operação Lava Jato; o que prendeu Lula e, por consequência, facilitou a vitória de Bolsonaro para presidente.

Mas aí é outra história…

Pois bem: o mais chocante, que deixou o Brasil perplexo e corou a cara da “tradicional família brasileira” – que Bolsonaro tanto diz defender – foi justamente o vocabulário chulo do presidente. Um linguajar só comparado aos que movem os embalos etílicos nos mais ralés botequins brasileiros.

Além de passar muito ao largo dos assuntos urgentes, como a pandemia do coronavirus que está em escala ascendente rumo ao pico, o tal encontro do presidente da República com a sua equipe em reiterados momentos de queda de vocabulário mais se pareceu uma conversa de depravados.

Palavrões

Durante a reunião ministerial, em vez de tratar de assuntos relevantes, da administração pública federal, do caos na saúde pública e da pandemia, o presidente da República, Jair Messias Bolsonaro preferiu fazer pronunciou os seguintes palavrões: porra (8 vezes) bosta (sete vezes), putaria (quatro vezes), filho da puta (duas vezes), puta que pariu (duas vezes) e puta (uma vez); merda (duas vezes) foder (duas vezes), fodido (uma vez), cacete (uma vez) e filho de uma égua (uma vez).

O ministro Paulo Guedes também embarcou na linha do vocabulário chulo: por três vezes disse foder e uma vez. O ministro Braga Neto, general do Exército Brasileiro, não perdeu a sua chance de aderir ao estilo do patrão: pronunciou um sonoro caralho.

Moro

Moro não é lá essas coisas dignas de aplauso. Tem profundas afinidades com Jair Bolsonaro, tanto é assim que foi escolhido a dedo para ser seu ministro da Justiça. Pelo visto no vídeo, entretanto, ele estava certo ao dizer que Bolsonaro quis afastar o comando da Polícia Federal para blindar os seus filhos, amigos e deputados investigados.

Repercussão

Imediatamente após a divulgação do vídeo em redes nacionais de TV, a tropa digital de Bolsonaro entrou em campo para uma tentativa inglória: espalhar trechos editados do vídeo na vã tentativa de amenizar a lambança presidencial.

A militância virtual ainda tentou causar a impressão de que Jair Bolsonaro havia marcado um gol de placa com a divulgação daquele vídeo, por ordem judicial. Lêdo engano. A população brasileira reagiu com indignação. Inclusive os bolsonaristas mais sensatos.

Simplicidade

O argumento mais comum dos fanáticos partidários de Bolsonaro é de que o presidente é um homem que tem “aquele seu jeitão”, e que esse tal jeitão denota simplicidade. Muito pelo contrário. Simplicidade não significa falta de respeito com os participantes de tão importante reunião, tampouco com o seu povo.

Desde quando ser simples é adotar como seu o vocabulário chulo e desaconselhado até para os cabarés mais organizados.

Sim, há beréus onde o respeito não permite que se faça o que se fez nesta reunião ministerial que causou indignação em várias partes do mundo.

 

Wellington Farias

PB Agora

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