As eleições de 2020 na Paraíba terão sabor e cheiro de polarização política. Uma postura maléfica para o estado e, claro, a todos os eleitores interessados em boas propostas relativas às futuras gestões administrativas municipais. Guardadas as devidas proporções do pleito de 2018 para presidente da República, no qual ficou evidenciado um jogo de vaidades, disputa pelo poder a todo custo, e o baixo nível da campanha, a insanidade se repetirá nos 223 municípios paraibanos.

E não se faz necessário consultar os sacerdotes e sacerdotisas do Oráculo de Delfos para chegar a tal certeza. As evidências começaram a brotar após a consolidação do cisma envolvendo o ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) e seu sucessor, João Azevêdo, que pediu no início desta semana a desfiliação da agremiação socialista.

Aqueles que um dia foram gêmeos xifópagos, hoje cavam trincheiras baseadas em ataques pessoais. A sonoridade emitida por Ricardo Coutinho e João Azevêdo não mais está em sintonia fina. Ao contrário: palavras como ingratidão, golpe e traição estão à disposição dos eleitores e futuros candidatos no “menu” da discórdia.

O mito grego da Caixa Pandora foi aberto na Paraíba, deixando escapar todos os males do mundo. Aquilo que um dia foi progresso e esperança para o povo paraibano dissolveu-se em água fervente. Pior: o fogo que aqueceu o líquido foi aceso com o fósforo do poder pelo poder, deixando órfão um milhão cento e dezenove mil eleitores que acreditaram na continuação de um projeto político que vem prosperando há nove anos.

O lado lamentável dessa guerrilha urbana que apenas foi iniciada reside, como disse no início deste texto, na polarização. Note leitor que vivemos três cenários políticos perceptíveis. E aqui cito como exemplo o ambiente que começa a ser delineado na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB). Existem os opositores do atual governo estadual, a bancada de sustentação do governador João Azevêdo, e a neo-oposição, cujo timoneiro mor reside na figura de Ricardo Coutinho.

E aqui chego ao ponto “G” da causa. São 36 deputados na ALPB. Cada um deles representando uma região e vários municípios paraibanos. E nesse clima de animosidade, não há dúvidas; o que ainda está centrado nas pessoas de Cotinho e Azevêdo, será levado pelos parlamentares às suas respectivas bases. É bom lembrar que a mesma regra vale para a bancada federal paraibana.

Em bom português, os deputados e senadores inevitavelmente buscarão novos quinhões, pois uma unidade política concreta na Paraíba não mais existe. Será a força da verba contra o verbo. Os ataques pessoais em detrimento a projetos políticos. E o povo? Bem, será sacrificado mais uma vez, afinal terá que optar pela paixão virulenta e seguir a força política que o representa.

Agora vou acender uma vela para todos os santos rogando um mínimo de paz no próximo pleito, muito embora saiba que, partindo da fratura iniciada nas hostes do PSB, situações de violência e ameaças entre os candidatos e seus eleitores é algo que não pode ser descartado.

Por fim, pobre Paraíba. Uma menina formosa que, mais uma vez, entrará numa guerra que interessa a poucos, pois a multidão quer, apenas, seu prato de arroz com feijão na mesa.

 

Eliabe Castor
PB Agora

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