Por pbagora.com.br

No mundo do “achismo”, todo mundo está certo. Mas no mundo dos números as convicções se restringem à objetividade dos resultados e – sendo aceitas ou não – devem ser encaradas de frente.

A primeira pesquisa estadual sobre as eleições para governo e Senado na Paraíba, feita pelo Instituto Opinião e publicada pelo PB Agora, revela, objetivamente, a atual posição dos exércitos que provavelmente estarão, a partir de julho de 2010, no campo de batalha eleitoral na Paraíba.

A foto de hoje não define resultados. Apenas revela posições. E é sobre elas que devem ser feitas as primeiras análises da guerra que virá, torcendo nós que sem mortos nem feridos. No máximo, vencedores e derrotados.

Vamos à análise.

Eterna divisão


A pesquisa do Instituto Opinião revela um quadro já conhecido do eleitorado paraibano: a divisão. Há mais de dez anos que convivemos com a dicotomia na Paraíba: metade Maranhão, metade Cunha Lima. E ela se repete mudando apenas um dos protagonistas.

O que não nos desencoraja a dizer que briga de 2010 ainda será, como em 2002 e 2006, uma briga entre maranhistas e anti-maranhistas. Ou maranhistas contra cassistas, embora os personagens tenham outros nomes e outras caras.

E, neste cenário, ainda é o prefeito Ricardo Coutinho, inconsciente e indiretamente, que traz para si dois títulos básicos que lhe colocam em pé de igualdade no confronto com o governador: o título de anti-maranhista e/ou de cassista.

É claro que soma-se a isso o fato de o prefeito da Capital “vender” a imagem de bom gestor e de representar o “novo”. Mas isso são ingredientes. O conceito básico do qual Ricardo tem feito seu bolo é o de angariar a simpatia dos que não suportam mais Maranhão.

Por isso, aparece com 33% contra 33% na estimulada e com 26% a 27% na espontânea no confronto direto com Maranhão.

 

Zona da Mata preocupa Maranhão

Apesar de no geral a pesquisa revelar um quadro de divisão semelhante ao registrado em 2002 e 2006, os números apontam algumas diferenças aos embates anteriores. O grande peso de Maranhão – ou do maranhismo – nas duas últimas eleições estava na Zona da Mata, região que abrange a Grande João Pessoa. Ponto em que o cassismo nunca foi forte.

E ponto onde Ricardo construiu uma imagem de extrema competitividade, chegando a colocar, na pesquisa estimulada, 44,2% de intenção de votos contra 29,1% de Maranhão.

Em suma, Ricardo tira de Maranhão o que ele mais se vangloriava: a força incomparável na Grande João Pessoa.

Será nas outras regiões, e não mais em João Pessoa, então, que Maranhão vai buscar vantagem. O problema é que Ricardo basta por si só na Zona da Mata. E vai trabalhar para representar, mesmo que de forma “branca”, o cassismo ou o anti-maranhismo nas outras regiões. 
 

Cícero tem que derrubar a aliança “branca” entre Ricardo e Cássio

Já o desafio do senador Cícero Lucena, que aparece com menos de 10% nas pesquisas para governador, é derrubar do incosnciente coletivo o que já foi oficializado pela população, embora negada pelos personagens: a aliança “branca” entre Cássio e Ricardo Coutinho.

Um deputado do PSDB resumiu bem a situação: “Quando o povo bota uma coisa na cabeça é a coisa mais difícil do mundo de tirar”.

 

O papel de Veneziano

Em todo o cenário, o prefeito Veneziano Vital do Rego é um nome lembrado. Na espontânea, chega a ser o terceiro. E tem mais. Quando o nome de Veneziano é retirado do processo, a pesquisa dá sinais de que os votos de Vené, que tem 6% na espontânea, são levados para Maranhão, que pula de 27% para 33% da espontânea para a estimulada.

O problema é que Ricardo também cresce na estimulada certamente com os votos os indecisos que na espontânea citaram, eventualmente, vontade de votar em Cássio ou em outro candidato improvável.

Só que para o projeto silencioso de Veneziano de disputar a preferência do PMDB os números da pesquisa são favoráveis. Além de aparecer em terceiro colocado na pesquisa espontânea, o prefeito de Campina atinge quase 20% na estimulada para governador, sem a presença de Maranhão. Isso sem ser ou ter anunciado qualquer intenção de ser candidato ao governo do Estado.

Como disse em artigo anterior, pode dar trabalho.

 

Na sequência, analisaremos em detalhes cada uma das teses apontadas.

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