Por pbagora.com.br

As costuras políticas na Paraíba têm avançado como pesquisas de tecnologia de ponta. Do jeito que está, é provável que os rompimentos e as novas alianças sejam travadas antes do prazo que o tempo impõe. Entre as antecipações, o corte nas relações políticas entre o senador Cícero e o ex-governador Cássio e o prefeito Ricardo Coutinho com o governador Maranhão. Os sinais se avolumam a cada dia e, por mais que os bombeiros tentem apagar os focos, o incêndio só tende a se alastrar.

No caso de Cícero, é sintomático o fato dele ver abalado a resistência de dois grandes pilares dentro do grupo. O primeiro com Ronaldo Cunha Lima, que reafirmou a histórica relação com Cícero, mas admite a aliança com Ricardo Coutinho, e ainda o suplente de senador Dunga, que mesmo diante da certeza de beneficiamento pessoal com suposta vitória de Cícero, espera que o senador tucano se viabilize até setembro.

Ora, Ronaldo e Cícero têm juntos uma das mais sinceras, leais e bonitas histórias de relação política da Paraíba. É algo que chega a ser destoante com a prática política, tão eivada de falsidades, traições e oportunismos. Os dois foram eleitos juntos, perseguidos juntos, derrotados e reeleitos de mãos dadas. E tudo isso não é suficiente para que o poeta veja o quadro político atual mais com a cabeça e menos com o coração.

Ora, repare bem que, nos dois casos, de Ronaldo e de Dunga o problema está no “mas”. Eles começam a frase com Cícero e terminam com Ricardo. Ou seja, todos da base de Cássio, inclusive ele próprio, reafirmam apoio à candidatura de Cícero, só que terminam a frase de apoio com um “mas”, que não restringe a aliança com Ricardo Coutinho, dando um caráter liberal ao que deveria ser, ao menos, evitado.

Então, o que deveria ser exceção vira regra e acaba contribuindo cada vez mais para o isolamento do senador. E por que Cássio e, por tabela, sua base não são mais excludentes em relação a Ricardo Coutinho quando defendem a candidatura de Cícero? As respostas são muitas e variadas.

Vai desde o receio de enfrentar uma campanha sem um governo ou grande prefeitura como base, o que se confrontam com a legislação eleitoral, até e, especialmente, pelo receio de ver Ricardo Coutinho aliado a Maranhão. No começo, essa segunda hipótese já poderia ser avaliada. Agora, com a evidente desconexão entre Ricardo e Maranhão, tudo o que for registrado neste sentido não passa de uma “falácia”.

Ora, o prefeito de João Pessoa, como foi visto no evento da Fiep em Campina Grande, não consegue mais nem dividir a mesa com o governador Maranhão. Ele já afastou a tese de qualquer possibilidade de manutenção de aliança e, certamente, se pudesse escolher entre ser o candidato de Cássio ou de Maranhão, escolheria a primeira hipótese. Assim, nessa sequência de “mas” e “poréns”, a base vai minando a candidatura de Cícero dentro do próprio grupo e reforçando a tese de que Ricardo é o nome do grupo.

 

Soltas no ar

 

Dando adeus – Tem liderança política tucana que entregou esta semana carta de desfiliação do PSDB ao senador Cícero Lucena.

Confidências – Efraim Morais, do DEM, tem medo de ser cobrado em qual candidato ao governo vai votar se renunciar à pré-candidatura a governador.
 

Antecipando – O prefeito de Sapé, João da Utilar (DEM), declarou que o grupo de Cícero Lucena (PSDB) deveria anunciar adesão logo ao governador José Maranhão (PMDB). Diz para íntimos que não vota em Ricardo Coutinho (PSB) nem “pra ir para o céu”..

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