Pode alguém esconder um elefante numa planície? Mas é justamente isso o que o governador José Maranhão está tentando fazer ao criar um factoide envolvendo a Assembleia Legislativa. Assim, ninguém presta atenção no que a mídia nacional continua falando sobre a chacina do Roger (ver nota abaixo), ocorrida no governo Maranhão em 1997, ou na paralisação de advertência dos policiais civis, quinta-feira à tarde, que esperaram até agora por uma prometida resposta do governo às suas reivindicações. Resolveram fazer zoada em frente ao Palácio da Redenção, mas o governador, ó, nem-nem…

     A briga entre Poder Executivo e Poder Legislativo é uma fumaça criada por Maranhão para esconder as mazelas do seu governo. Até o ex-presidente da CUT, Arimatéia França, recém-nomeado para um cargo no governo estadual, foi escalado para bater na Assembleia (que tarefa lamentável!). Nesse ponto, estratégia e organização é o que não faltam na equipe de Maranhão. São todos bem articulados, bem afinados, ninguém pode negar. Principalmente quando é pra levantar fumaça.

     A quem interessa essa briga dos Poderes? Aliás, não me parece uma briga de poderes, mas uma briga pessoal entre Maranhão e um Cunha Lima, no caso Arthur. Afinal, vai que o Supremo decide por eleição indireta aqui na Paraíba. Maranhão vai ter que engolir outro Cunha Lima? Nããããão. Melhor afastar esse perigo da presidência da AL, não é mais prático?

     Para isso, no entanto, é preciso uma fábrica de factoides com a ajuda da imprensa “oficial”, que se mobiliza para detonar Arthur.

     Ora, já está mais do que explicado que, como a verba social da Assembleia foi extinta, por decisão unânime do plenário este ano, não há como os R$ 8 milhões que a AL tenta desbloquear junto ao Supremo serem utilizados para tal fim. Insistir nisso é querer distorcer os fatos e desviar a atenção da opinião pública para os desmandos do governo. Também é uma forma de evitar que a população preste atenção ao manifesto dos deputados de oposição, que pedem, entre outras coisas, o cumprimento da palavra empenhada pelo governador e não cumprida em vários itens.

     O governo está prestes a se deparar com uma greve dos policiais. Outras categorias deverão, a reboque, levantar suas reivindicações. Maranhão tenta trabalhar com a técnica da ilusão. Inaugura obras que não são suas, mas como se fossem; não explica nomeações de parentes de pessoas que contribuíram para a cassação de Cássio; não explica o caos na segurança pública. E nem tem a intenção de esclarecer nada. Afinal, melhor criar factoides do que tentar explicar o inexplicável.

    

     Cordeirinhos

      Voltemos aos policiais: eles acreditaram, coitados, que no final de setembro o governador, conforme havia prometido, iria ter uma conversa sobre as reivindicações da categoria. Não houve conversa nenhuma. Sorte deles se Maranhão não colocar, mais uma vez, os tanques de guerra nas ruas, como o fez em seu governo anterior.

     Agora eles acreditam, tadinhos, que até o próximo dia 14 o governo dará alguma resposta.

 

      A chacina

      Pra quem não se lembra, a chamada Chacina do Róger, ocorrida em julho de 1997, foi uma desastrada operação para encerrar uma rebelião de detentos no Presídio do Róger. Os presos fizeram reféns o então diretor, agentes penitenciários e apenados. Oito foram assassinados pelos policiais.

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