Tenho acompanhado tudo que acontece nas favelas do Rio de Janeiro, principalmente no Complexo do Alemão e nos morros da Vila Cruzeiro, desde que recrudesceram os confrontos entre narcotraficantes e soldados do Bope, Marinha, Core, Fuzileiros Navais, Brigada de Pára-quedistas, etc, na metade da semana passada.

Armamento pesado

Para muitos amigos meus, todos eles policiais de diferentes patentes, trata-se mesmo de uma guerra civil não-declarada, com a presença de todos os seus elementos: armas de grosso calibre (fuzis AR-15, M-16, ambos de origem norte-americana em suas versões civil e militar, AK-47 Kalashnikov de fabricação russa, Mouser alemães, metralhadoras Uzi israelenses, carabinas Magal, Fal – Fuzis Automáticos Leves de origem belga, etc), além de bazucas, granadas, helicópteros artilhados, tanques-de-guerra e outros tipos de blindados pesados pertencentes às Forças Armadas.

Tsunami de traficantes

Assim como aconteceu nas grandes comunidades pobres existentes na periferia da outrora “Cidade Maravilhosa”, o narcotráfico tem ocupado nossas cidades paraibanas e mesmo as pequeninas zonas urbanas localizadas no interior do Estado têm registrado uma verdadeira invasão, principalmente do crack, a droga da moda, hoje em dia.

Derivado da cocaína

O crack é um entorpecente feito a partir da mistura de sal gerado à base de amoníaco com bicarbonato de sódio, geralmente consumido sendo fumado em latas de cerveja ou refrigerante. É uma forma impura de cocaína e não um sub-produto da droga principal, como a maioria das pessoas leigas no assunto acham que seja.

As pedras e os cristais

O nome da substância psico-ativa deriva do verbo “to crack”, que, em inglês, significa quebrar, devido aos pequenos estalos produzidos pelos cristais (as famosas pedras) ao serem queimados, como se estivessem se partindo em pedaços.

Viciando em dez minutos

A fumaça produzida pela queima da pedra de crack chega ao sistema nervoso central em dez segundos, devido ao fato da área de absorção pulmonar ser grande e seu efeito dura de 3 a 10 minutos, com sintomas de euforia mais forte do que o da cocaína, após isso, produz no viciado muita depressão, o que leva o usuário a usar novamente a droga para compensar o mal-estar, provocando intensa dependência.

Maconha perdeu espaço

Ainda existe disponível no mercado negro do submundo do crime a “craconha”, que é a mistura do crack com maconha, para ser fumada visando uma potencialização da droga. Não é muito raro, o consumidor ter alucinações, como paranóia delirante (ilusões de perseguição, etc).

Explicando cientificamente

Em relação ao seu preço, é uma droga mais barata do que a cocaína, conhecida quimicamente pela Ciência, pelo nome de benzoilmetilecgonina ou éster do ácido benzóico, que é um alcalóide usado como droga, derivada do arbusto Erythroxylum Coca Lamarck, com função anestésica e cujo uso continuado, pode causar outros efeitos indesejados como dependência, hipertensão arterial e distúrbios psiquiátricos.

Narco-tráfico banca guerrilha

A produção da droga é realizada através de extração do princípio ativo existente em suas folhas, cultivadas largamente nas zonas rurais e áreas de selva dominadas por narco-guerrilheiros, em países como Colômbia e Bolívia, utilizando-se como solventes alguns álcalis, ácido sulfúrico, querosene e outros tipos de alcalinos.

Injeção na veia e pelo nariz

O uso de cocaína por via intravenosa ou aspirada pelo nariz foi quase extinto no Brasil, pois foi substituído pelo crack, que provoca efeito semelhante, sendo tão potente quanto a droga injetada. A forma de uso do crack também favoreceu sua disseminação, já que não necessita de seringa, bastando para consumi-la um cachimbo, na maioria das vezes improvisado, como uma lata de alumínio furada.

PM/PB tenta pacificar

Os policiais que trabalham em Cabedelo, por exemplo, vinculados à 4ª Cia (Companhia da PM), empreendem uma luta constante tentando “pacificar” alguns bairros considerados redutos de traficantes, muito embora a grande maioria de pessoas neles residentes sejam cidadãos honestos e trabalhadores.

De olho no dinheiro

Uma frase exemplar, dita por um dependente químico recentemente preso pela PM foi a seguinte: “Está difícil comprar maconha hoje em dia”, isso porque, para ele, ninguém mais queria vender a “Cannabis Sativa Lineu”. Sendo assim, logicamente o crack é a grande bola da vez, pois dá muito mais lucro e vicia rapidamente seus consumidores.

Áreas estão dominadas

Listo abaixo, algumas regiões da grande João Pessoa que, se todos nós – integrantes da sociedade local – não tomarmos providências (não apenas colocando em ação o policiamento ostensivo, mas implantando também outras políticas públicas de apoio e recuperação de drogados), poderão se tornar áreas equivalentes à Vila Cruzeiro ou o Morro do Alemão:

1–Zona compreendida pelo bairro de Mandacaru (incluindo o famoso Gadanho, conjunto Padre Zé, Rua do Cano, Porto de João Tota, favela Vem-Vem, comunidades do “S”; “Asa Branca” e dos Ipês). Esta área foi recordista de homicídios e outros crimes violentos, agora em 2010;

2–Bairro São José;

3–Conjunto Mário Andreazza, em Bayeux, também chamada popularmente de Mutirão (incluindo o complexo de seis “comunidades” existentes em seu redor);

4–Renascer 3 e 4 (incluindo a comunidade Rabo da Gata e a favela dos Inocentes);

5–Comunidades Boa Esperança, Rua do Rio e Baleado, que ficam no entorno de Cruz das Armas;

6–Favela do Timbó (incrustrada no conjunto dos Bancários, na Zona Leste da cidade);

7–Alto das Populares, em Santa Rita;

8–Comunidade Bola na Rede;

9–Conjunto Marcos Moura, também na área metropolitana da Grande João Pessoa;

10–Condomínio da Paz, Torre de Babel e Bairro das Indústrias.

 

Só resolve em mutirão

As dez áreas acima listadas serão um grande desafio para o novo governador Ricardo Coutinho (PSB), a partir do próximo ano, quando algo terá que ser feito urgentemente, num esforço conjunto entre várias secretarias estaduais, prefeituras e Governo Federal.

Polícia não entra

Nessas comunidades, as ambulâncias do Samu só fazem atendimento com apoio policial e em algumas delas, uma viatura apenas não entra, sendo necessário reforço de soldados do Choque, Gate ou Rotam, como força-extra operacional.

Fonte da criminalidade

Digo isto porque (embora não possa revelar a minha fonte oficial desses números) estas comunidades concentram cerca de 80% dos crimes violentos registrados na Capital, diariamente, a exemplo de homicídios tentados ou consumados, latrocínios e intenso tráfico de drogas.

Luta armada em silêncio

Há informes reservados, colhidos por policiais militares à paisana integrantes da 2ª Seção dos batalhões da Capital, que trabalham obviamente no Serviço Secreto e de Inteligência (P-2), de que nestas áreas há armas de grosso calibre e o enfrentamento entre traficantes e a polícia é constante, embora – muitas vezes – não seja publicada sequer uma notinha de pé-de-página, nos jornais.

O Rio de Janeiro é aqui

Em síntese: estas são comunidades que concentram grande massa de cidadãos de bem, mas que já experimentam a rotina diária das favelas cariocas, mesmo com seus moradores estando residindo aqui na Paraíba.

Viagem internacional

Os jornalistas paraibanos Luís Torres, Fabiano Gomes e Petrônio Torres, liderados pelo ex-secretário de Comunicação Social da prefeitura municipal de João Pessoa, Nonato Bandeira (PPS), estão fazendo um tour pelo Cone Sul da América Latina.

Na Argentina e no Uruguai

Nonato, Fabiano, Luís e Petrônio seguiram por avião de João Pessoa até o aeroporto da Ezeiza, em Buenos Aires, aonde embarcaram de navio – após tomarem uns bons vinhos locais – atravessando a foz do Rio da Prata, até Montevidéu e de lá partiram para percorrer outros trajetos alternativos.

Acompanhando à distância

Eles só retornam ao Brasil no próximo final-de-semana, na expectativa do anúncio de – pelo menos – parte do secretariado do governador eleito Ricardo Coutinho (PSB). Todos eles esperam ser aproveitados em algum cargo de destaque na área profissional em que atuam, não importando que seja uma função exercida no 1º ou 2º escalões governamentais.

Templos sagrados da bola

Desde o começo desta semana, os quatro já passaram por vários estádios de futebol localizados no Uruguai (El Centenário) e na Argentina (Monumental de Nuñez e La Bombonera), inclusive assistindo ao vivo, domingo à tarde, sob um frio de 15 graus Celsius, a partida entre os times do River Plate 1×0 Olimpo Lyon.

Futebol de “los hermanos”

A partida, válida pela 16ª rodada do torneio “Apertura” 2010, mostrou a primeira grande possibilidade do River Plate sair da zona de rebaixamento, por aproveitamento de pontos nas últimas três temporadas. O único gol saiu no 1º tempo, quando Román fez de cabeça o 1 a 0 do River Plate, que seria o placar final.

Estranho lance portenho

Na volta do intervalo, houve o maior destaque do jogo: por atraso, o árbitro Sergio Pezzota expulsou os dois treinadores, J. J. López (River Plate) e Omar de Felippe (Olimpo), fato inédito no campeonato. No 2º tempo, com boas defesas e seguro nas saídas de bola, o goleiro Juan Pablo Carrizo garantiu o 1 a 0 do River Plate, em Nuñez.

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