Foto: Fábio Rodrigues

Ao ser questionado se as manifestações recentes que pedem o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF) e a volta do AI-5 colocam a democracia brasileira em risco, o ministro da Corte máxima do país Luís Roberto Barroso disse considerar que há “um certo exagero” por parte de quem vê nesses atos uma grande ameaça.

“Eu acho que talvez haja um certo exagero nesse risco. Eu presto atenção nas manifestações e, no geral, é uma minoria muito pequena, pouco significativa. São manifestações às vezes de extrema direita em algum grau de irracionalidade, mas acho que, numa democracia, se é uma manifestação sem violência, de pessoas privadas, eu acho que é legítima, lustra a Constituição e acho que elas são relativamente desimportantes”, disse Barroso.

O ministro, entretanto, ponderou, sem citar nomes, que as mesmas manifestações se tornam graves quando partem de algum agente público. “Elas se tornam graves, ou se tornariam graves, na medida em que viessem a ser endossadas por agentes públicos. Particulares podem apoiar o fechamento do Congresso e do Supremo — que eu lamento, acho que é um equívoco e felizmente são alguns gatos pingados —, mas, evidentemente, quem jurou respeitar a Constituição não pode fazer isso. Portanto agentes públicos não podem defender golpe de Estado nem fechamento de outros poderes. Na medida em que houvesse a adesão de agentes públicos, eu consideraria gravíssimo”, afirmou.

Barroso considera que o episódio em que o presidente Jair Bolsonaro foi a uma manifestação onde havia pessoas com cartazes pedindo a volta do AI-5 represento um na verdade, um exemplo do “vigor da democracia” brasileira. Disse o ministro: “Um pouco para demonstrar o vigor da democracia brasileira, tanto à evocação mais antiga do AI5 quanto a essa manifestação na porta do QG do Exército, imediatamente as pessoas que, supõe-se, tivessem indevidamente apoiado essas manifestações fizeram questão de dizer que absolutamente não, (que) defendem a liberdade, a democracia e não desejam a volta da ditadura”.

 

Redação com Correio Braziliense

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