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Menino sequestrado em Recife foi levado para a Paraíba, onde sofria maus-tratos e catava lixo

Em coletiva para a imprensa que ocorreu na manhã desta quinta-feira (28) no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a delegada Gleide Ângelo e o delegado Joselito Kherle falaram sobre o caso do menino Lucas Kauã, que desapareceu há quase dois meses da Estação de Metrô de Joana Bezerra e foi encontrado no final da tarde desta quarta-feira (27) em Goiana.

O taxista João José de Andrade, 60 anos, e o foragido de hospital psquiátrico Jaílson Alves da Silva, 27, estão detidos na sede do DHPP, suspeitos de terem sequestrado o garoto. Os suspeitos chegaram ao DHPP por volta das 8h da manhã desta quinta.

Ambos eram figuras conhecidas na comunidade do Coque, área central do Recife. João trabalha no ponto de táxi da estação de metrô Joana Bezerra há 32 anos – mora, inclusive, perto da casa de Lucas, há pouco mais de um ano. Jaílson lavava carros na região. Ele fugiu de um hospital psquiátrico onde cumpria pena por ter estuprado duas crianças nas cidades de Arcoverde, no Agreste, e Cortês, Zona da Mata.

Jaílson confessou o crime, mas o taxista nega tudo. Segundo o depoimento do lavador de carros, ambos costumavam atrair crianças para o táxi, oferecendo brinquedos, e então abusavam sexualmente das vítimas. Na tarde desta quinta, João José vai ser interrogado e os pais do menino vão depor novamente no DHPP.

João José já tinha sido chamado para depor nas investigações, porque aparece nas imagens da câmera de segurança da estação conversando com Lucas e os amigos perto do táxi. No entanto, em depoimento ele havia dito que nunca tinha visto nenhum dos meninos. No táxi dele, a polícia encontrou R$ 5 mil em dinheiro, cuja origem ele não soube explicar.

Em depoimento, Jailson falou que além dos dois estupros pelos quais respondia criminalmente já tinha cometido alguns assassinatos de crianças e adolescentes. Ele disse que enterrou o corpo de um menino de 14 anos em Araripina, fato que será checado pela polícia.

Os delegados afirmaram que acreditam na confissão do suspeito porque, apesar dele ter problemas mentais, a descrição que ele deu da casa do taxista, onde o menino ficou refém por cinco dias antes de ter sido levado para a Paraíba, foi perfeita.

CRONOLOGIA DO CASO – No dia 4 de setembro, João abordou Lucas e mais três amigos em frente ao metrô. Ele ofereceu R$ 5 e uma bicicleta para que os meninos fossem com ele "dar uma volta de carro pela cidade". Somente Kauã aceitou, pois era o único dos meninos que não tinha uma bicicleta, e ficou preso na casa do taxista por cinco dias. De acordo com o depoimento de Jaílson, tudo foi articulado pelo taxista.

Quando o caso passou a ser divulgado pela imprensa, os suspeitos decidiram levar o menino para a cidade de Cabedelo, na Paraíba. O taxista deixou o refém e Jaílson com um celular e R$ 20 para alimentação, retornando em seguida para o Recife. Durante esses quase dois meses de sequestro, João teria retornado duas vezes para o cativeiro para deixar mais dinheiro. Segundo Jaílson, em uma dessas vezes ele teria comentado que "tinha que dar um fim nessa história".

Em Cabedelo, Lucas era obrigado a catar lixo e mantido em um barraco no meio de matagal que, à noite, era um ponto de prostituição de travestis. Jaílson disse que era homossexual e que fazia programas com homens e acusou o taxista de também fazer programas, inclusive com pessoas de clásse média alta do Recife.

O garoto sofria maus-tratos, mas a polícia não confirma se houve abuso sexual. A delegada Gleide Ângelo falou que o inquérito, por se tratar de um menor, sofre segredo de justiça, e por isso alguns detalhes não podem ser divulgados, como o motivo do rapto e se o garoto sofreu ou não violência sexual. O pai de Lucas, porém, disse que o menino já fez exame sexológico no Instituto de Criminalística e que o resultado foi negativo para abuso sexual. No entanto, o pai relatou também que Lucas disse que os sequestradores tocaram no seu órgão sexual uma vez.

A história contada pelos garotos do Coque que estavam com Lucas no momento do rapto, de que um carro preto os abordou e que o homem teria tirado uma barba falsa ao entrar no carro foram inventadas pelo taxista, que disse aos meninos que se eles contassem a verdade teriam "o mesmo fim de Lucas".

Na coletiva, os delegados ressaltaram que o retrato falado ajudou bastante nas investigações e que as investigações foram atrasadas porque muitas pessoas ligavam dando informações erradas e passando trotes.

Depois que a polícia concluir as investigações, o caso vai ser encaminhado para a Vara da Criança e do Adolescente, enquanto os policiais vão prosseguir nas investigações dos outros casos de abuso sexual e assassinato relatados por Jaílson.
 

 

 

JC On Line

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