Por pbagora.com.br

 Uma corrida de obstáculos. Eis o que tem-se configurado para o governador José Maranhão (PMDB), empossado em 18 de fevereiro deste ano por decisão do Tribunal Superior Eleitoral, o ofício de administrar a Paraíba. Após a embriagante vitória, ao assumir a cadeira do principal adversário a quem sempre considerou “inquilino do Palácio”, Maranhão passou a conviver com a ressaca de uma realidade que, por tudo, tem contra sí um fator: o tempo.

Assumindo o poder quando o segundo tempo do governo já tinha começado, José Maranhão tem desafios gigantescos pela frente. A cada dia, mostra que não estavam, ele e seu grupo, preparados para assumir o governo sem o benefício da transição. Não houve tempo para isso e tampouco, pelo que se conhece do atual governador, haveria disposição para tal. Os ônus logo surgiram para o “mestre de obras”.

Já completados dois meses de governo, o Maranhão III ainda não concluiu a formação de seu secretariado; vem cometendo seguidos erros através de nomeações irregulares, por nepotismo ou pela simples questão ética (vide a nomeação, tornada sem efeito após denunciada pelo PB Agora, do filho do advogado e ex-juiz do TRE Nadir Valengo); tem distribuído cargos generosos, cujo critério único é que o ocupante seja parente de juizes ou desembargadores paraibanos; vários auxiliares têm a marca de inúmeros processos na justiça; não conseguiu ainda criar uma identidade de governo; não tem o controle efetivo da máquina, o que tem permitido dentro das secretarias o surgimento de “governinhos do Estado; se limitou a fazer inaugurações de obras deixadas praticamente prontas pelo ex-governador Cássio Cunha Lima, além de estar enfrentando uma inércia angustiante em alguns setores do governo.

Não fossem todos esses pontos críticos internos, José Maranhão ainda amarga, neste seu terceiro mandato dado pelo TSE, uma circunstância inédita em sua experiência de gestor: governa em meio a uma crise econômica de grandes proporções, que contaminou toda a cadeia econômica e tem inevitáveis reflexos nos cofres do Estado. Acostumado a gerir recursos com o caixa cheio, principalmente por força de privatizações e do volume considerável de verbas repassadas como transferências voluntárias no Governo FHC, o governador faz agora um esforço hercúleo para enfrentar a onda de adversidades.

Sem tempo para errar, Maranhão teve de assumir uma máquina administrativa com formatação bem diversa da que ele deixou, agora mais enxuta e com mecanismos mais modernos de gestão. Sua caneta já não pode mais nomear delegados indicados por aliados políticos; nomeação de cargos em escolas acima de dois mil alunos só para os diretores aprovados no processo democrático interno das escolas; já não tem o poder de impor humilhações à reitoria da UEPB, agora autônoma e maior; tem de respeitar também a autonomia do Corpo de Bombeiros; tem de cumprir o repasse, a cada dia 20, do duodécimo dos outros poderes, sem que para isso seus dirigentes precisem lhe requisitar periódicas audiências; tem de pagar o Piso Nacional dos professores; tem de honrar os novos salários programados nos mais de 30 Planos de Cargos Carreira e Remuneração implantados no Estado desde 2003, dentre outras conquistas dos “novos tempos”.

Naturalmente candidato à reeleição, José Maranhão tem pouco tempo para mostrar resultados palpáveis para projeta-lo, com folga, a um novo mandato no Palácio da Redenção. E ele sabe disso. E exatamente por isso tem cobrado tanto de sua equipe maiores dinamismo, eficiência e ações. Mas não é tão simples. Muitos secretários e dirigentes de autarquias ainda tomam pé da situação e definem prioridades, com a maioria se limitando a apenas tocar o que já estava funcionando. Mostrar algo de novo tem sido difícil, a não ser por casos isolados de talento pessoal ou fibra de alguns auxiliares.

Entre o desafio e o ocaso, o governador José Maranhão experimenta o momento mais delicado de sua carreira politica. Só o tempo, que conspira contra seus projetos, mostrará se ele sai como vencedor ou derrotado ao final de seu governo.
 

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