Para grande decepção do deputado federal Rômulo Gouveia (PSDB), futuro vice-governador do Estado, a partir do dia 1º de janeiro do próximo ano, o atual ocupante do mesmo cargo e deputado estadual eleito, Luciano Cartaxo (PT, na foto ao lado) cortou de moto próprio as verbas sociais destinadas a pequenas doações de R$ 70,00 ou R$ 80,00 que existiam no luxuoso gabinete instalado no Palácio dos Despachos, que fica no Centro Administrativo de Jaguaribe.

Todo mundo dava dinheiro

Esse tipo de pequenas doações financeiras a título de ajuda a pessoas carentes ou subvenções sociais, era bastante comum ser concedida no tempo de Lauremília Lucena (PSDB) e José Lacerda Neto (ambos ex-vices do ex-governador tucano Cássio Cunha Lima).

Contas foram aprovadas

Luciano consultou dezenas de advogados, além de vários técnicos e auditores fiscais do Tribunal de Contas do Estado, que o recomendaram a gastar o dinheiro, porque as outras contas anteriores já tinham sido aprovadas por unanimidade de votos dos conselheiros do TCE, durante apreciação em plenário.

Não seguiu o exemplo

Mesmo assim, ele ficou titubeando em adotar este tipo de procedimento administrativo-financeiro, sem querer autorizar despesas orçamentárias de próprio punho, com receio de sofrer o mesmo tipo de punição que aconteceu com Cássio, no chamado “Caso dos Cheques da FAC” (Fundação de Ação Comunitária), que provocou a cassação do seu mandato e até hoje compromete o seu futuro político, por causa da aplicação da “Lei Ficha Limpa” pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em Brasília-DF.

Devolvendo sobras ao Tesouro

Portanto, vestindo-se na pele de “gato escaldado”, que tem medo de água fria, Cartaxo acabou decidindo mesmo devolver o montante de R$ 90 mil aos cofres públicos, desde o ano passado, quando ele assumiu a vice-governadoria. Tanto Lauremília, quanto Zé Lacerda, gastaram em torno de R$ 190 Mil por ano, durante o exercício de seus mandatos (Lauré – 2003/2006 e Zé – 2007/2008)

Herança para o futuro governador

Cartaxo me disse nesta 6ª feira, que ele já deixou disponibilizadas contabilmente no gabinete do vice-governador, verbas repassadas pelo Governo Federal para construir um “Portal Turístico” em Sousa e mais R$ 500 mil destinados à reforma das instalações do Espaço Cultural, em Tambauzinho.

Reformando a “Praça do Povo”

Ele explicou que as obras solicitadas pelo presidente da Funesc, Maurício Burity, serão executadas no piso da “Praça do Povo” do Espaço Cultural, logo no início do próximo ano, servindo para aumentar a área livre reservada à realização de feiras e outros eventos, em 2011.

Novo piso no Espaço Cultural

Os recursos oriundos do Ministério do Turismo é que vão bancar para o futuro diretor-presidente da Funesc, a ser nomeado pelo governador eleito Ricardo Coutinho (PSB), o renivelamento do piso da “Praça do Povo”, hoje totalmente irregular, e que dificulta a montagem de stands e outros equipamentos de grande porte.

Coutinho é quem vai gastar

O dinheiro já está depositado na conta bancária da Fundação Espaço Cultural, mantida numa agência da Caixa Econômica Federal, em João Pessoa, a título de fundo perdido (ou seja, sem necessidade de oferecimento de contrapartida financeira, por parte do Governo do Estado ou seu representante legal).

Petista ajuda petebista

Já no município de Sousa (terra Natal do vice-governador) o prefeito Fábio Tyrone (PTB) vai executar as obras da “Praça dos Evangélicos” (R$ 250 mil) e o “Portal do Vale dos Dinossauros” (R$ 250 mil) em 2011, também através dos recursos obtidos por Luciano Cartaxo, junto a diversos órgãos ministeriais do Governo Lula (PT).

Em busca do verdadeiro PT

Politicamente, Cartaxo quer criar a partir do ano vindouro um clima de autonomia e independência partidária dentro do próprio PT, ao invés de incentivar a eterna divisão ideológica verificada na recente eleição do Sebrae/PB (por exemplo), que poderia ter uma chapa única construída em nome da legenda, segundo ele.

Um poço de lamentações

Luciano lastima profundamente que duas chapas diferentes, ambas encabeçadas por dirigentes petistas de renome e projeção, como Anselmo Castilho e Júlio Rafael, estejam disputando voto-a-voto a superintendência do Sebrae, apenas um mês após a eleição estadual, que deixou profundas mágoas e divergências internas na agremiação à qual todos eles pertencem, como filiados.

Nem Cássio, nem Ricardo, nem Maranhão

Luciano diz que direção local do PT tem que lutar para sair desse discurso vigente em torno do jargão pejorativo que estimula esse status político de eterno racha interno, sempre girando em torno da liderança de figuras que não pertencem aos quadros do partido, como Cássio Cunha Lima (PSDB), Ricardo Coutinho (PSB) e José Maranhão (PMDB).

Legenda tem que ser grande

Ele quer trabalhar no sentido de construir um mínimo de unidade entre os dirigentes, militantes e demais filiados e simpatizantes, para que o PT paraibano crie condições para – pelo menos – tentar acompanhar o mesmo nível de atuação com destaque que a legenda alcança no plano nacional e outros Estados da federação, como São Paulo, Rio Grande do Sul, Pará, Sergipe e Piauí, por exemplo.

Passando a faixa rubro-negra

Quanto à transição de governo, Luciano Cartaxo acredita que o cerimonial da passagem da faixa governamental, de José Maranhão para Ricardo Coutinho, será cumprido normalmente, de forma civilizada, democrática, sem haver nenhum tipo de possível atropelo de última hora.

Palácio no meio da escuridão

Luciano me disse que não quer que Ricardo passe pelo mesmo constrangimento que tanto ele, quanto o próprio Maranhão passaram na noite do dia 19 de fevereiro de 2009, quando logo depois de ambos tomarem posse nos seus respectivos cargos, encontraram um Palácio da Redenção vazio, “entregue às traças”, com todas as luzes (internas e externas) desligadas e sem ter ninguém pelo menos para entregar as chaves das salas ou uma simples secretária-executiva sequer que soubesse as senhas dos telefones fixos convencionais para fazer uma ligação qualquer, se por acaso fosse preciso.

Pode haver posse noturna

Quanto a isso, ele informa que Dada Novais está tratando dos detalhes da posse do novo governador, cujo horário ainda não está definido, havendo dúvidas se a solenidade será realizada à meia-noite do dia 31 de dezembro (Réveillon) ou se a cerimônia oficial ficará mesmo para o dia seguinte, pela manhã ou à tarde.

Total
0
Compartilhamentos
Deixe seu Comentário
Notícias relacionadas

Opinião: RC vê conotação política em escritório arrombado. Acha que há mandantes

Em resposta a questionamentos da coluna, o presidente da Fundação João Mangabeira e ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), disse, na madrugada deste domingo (18), não ter dúvidas de que…

Opinião: a metáfora de “RC, João e a guerra em terra Tabajara”

A guerra foi deflagrada. Montgomery decidiu firmar o desembarque no Sanhauá de forma rápida e precisa, a fim de evitar maiores movimentos do exército oposicionista comandado pelo general Hideki Tojo.…