Por pbagora.com.br

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), afirmou nesta terça-feira que as manifestações contra a restrição dos ônibus fretados na cidade estão sendo promovidas por cidadãos que não são usuários desse tipo de transporte e negou que a prefeitura volte atrás em sua resolução.

Ontem, no primeiro dia da restrição, cerca de mil pessoas bloquearam a marginal Pinheiros durante uma hora e meia em um protesto contra a determinação municipal. Na manhã desta quarta, moradores interditaram uma rua na zona sul, na região da avenida Luís Carlos Berrini, também em protesto.

“É um ato de desrespeito à cidade. O respeito que todos nós da cidade, os 11 milhões de habitantes, temos por essas pessoas que andam nos ônibus não foi correspondido pelos manifestantes, que que eu tenho certeza absoluta, não são usuários de fretados. Os usuários estão dialogando conosco. Várias de suas reivindicações foram atendidas e nós vamos continuar aperfeiçoando uma medida que tinha que ser implantada e foi implantada”, disse o prefeito ao sair de um congresso sobre gestão pública, que reuniu também o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB).

Kassab garantiu que foi feito um estudo no impacto sobre os outros meios de transporte público, antes da implantação da lei e disse que várias das medidas adotadas foram sugeridas pelo metrô.

Na segunda-feira, os passageiros do metrô tiveram que esperar mais de 30 minutos em filas por causa do excesso de pessoas. O prefeito, no entanto, reconheceu que alguns ajustes estão sendo realizados.

“O próprio metrô, entre ontem e hoje, em entendimento conosco, fez algum ajuste na sua atuação. Assim como nós também. O secretário [dos Transportes, Alexandre de Moraes] e toda sua equipe estão observando e fizeram esses ajustes. Hoje já funcionou melhor. Ontem, funcionou bem e hoje, melhor ainda. Tenho certeza absoluta que é uma medida muito positiva, que era necessária e que por isso foi adotada”, afirmou o prefeito.

Kassab defendeu a lei, dizendo que tem certeza absoluta que os resultados serão cada dia melhores, e negou que a prefeitura vá voltar atrás. “Nós tivemos na cidade de São Paulo, ao longo da gestão, momentos como esse, de medidas que precisavam ser implantadas. A gestão que tem a responsabilidade de administrar uma cidade como São Paulo precisa também adotar medidas necessárias, não apenas medidas que sejam entendidas como serenas ou suaves. Nós não vamos colocar debaixo do tapete nenhum problema da cidade. A questão dos fretados era um problema, precisava ser enfrentada. Foi enfrentada e a solução, adotada. Não voltaremos atrás”.

Restrições

As restrições aos ônibus fretados começaram a valer na segunda-feira (27) e proíbe que esse tipo de veiculo trafegue em uma área de 70 km² no centro expandido de São Paulo, das 5h às 21h.

Segundo a prefeitura, o objetivo da medida é reduzir em 11% a lentidão do trânsito e aumentar a velocidade dos ônibus urbanos. Quem for flagrado mesmo vazio na área restrita poderá receber multa de R$ 85,13 e quatro pontos na carteira de habilitação.

O projeto inicial da prefeitura para a restrição sofreu pequenas mudanças, mas manteve a ideia central, que é proibir o acesso dos veículos à área central. A medida recebeu críticas de especialistas, que apontam que os usuários dos fretados vão preferir usar o carro particular a enfrentar o desconforto do transporte coletivo, aumentando ainda mais os congestionamentos.

Segundo a prefeitura, serão atingidas cerca de 40 mil pessoas que usam fretados para se deslocar de bairros periféricos e cidades próximas para áreas como os centros financeiros das avenidas Paulista, Faria Lima e Luiz Carlos Berrini.

Esses usuários terão de fazer baldeação em pontos predefinidos fora da área de restrição e completar o trajeto por meio do transporte coletivo. A outra opção é trocar o fretado por veículos particulares. Para atender essas pessoas, a SPTrans criou 11 novas linhas de ônibus.

 

 

 

Folha

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