O seu paradeiro é desconhecido. Talvez esteja a velejar em barco blindado no Lago Paranoá, ou dependurado numa velha rede no cume da Serra da Araruna. O fato é que o senador José Maranhão, presidente estadual do MDB, não emitiu nota ou fez qualquer tipo de movimento favorável ou contrário à prisão do seu colega de partido e confrade, o ex-presidente Michel Temer.

Ainda não se sabe o real motivo do “autoexílio fidalgo” de José Maranhão, apenas é sabido que gregos e troianos, mulçumanos e cristãos; deuses e semideuses falam, discutem, concordam ou discordam em relação ao processo de encarceramento de Temer. Na Paraíba, as leituras desse ato de isolamento rumam a uma constatação: o senador busca lavar as mãos no melhor estilo Pôncio Pilatos e deixar seu outrora amigo ser devorado pelas feras que habitam no Coliseu dos desvalidos.   

A escolha de José Maranhão talvez seja menos penosa que o dilema de “Sofia”,  drama ficcional que narra a história de uma mãe polonesa, filha de pai antissemita, presa num campo de concentração durante a Segunda Guerra, que é forçada por um soldado nazista a escolher um de seus dois filhos para ser morto.

Em termos comparativos de dramaticidade, José Maranhão, político experiente e quase secular, entende que não poderá sair ileso da prisão de Michel Temer. Omitindo-se sobre o caso, condena sua reputação por deixar seu colega de agremiação partidária descoberto na “cova dos leões”. Caso opte em defender o ex-presidente, verá seu nome jogado ao vento da desconfiança pública.

Até ontem considerado brilhante estrategista, talvez José Maranhão esteja consultando sacerdotes e sacerdotisas do Oráculo de Delfos para, assim, tentar salvar não um, mais os dois filhos de Sofia sem grandes arranhões.

E nesse dilema homérico, outras figuras de menor expressão ligadas ou já desligadas do MDB paraibano, a exemplo do vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior, encontram eventual conforto na neblina dos dissimulados, embora a “Rosa dos Ventos” da política aponte que eles frequentaram todos os quadrantes enquanto Temer esteve à frente do poder.

Por fim, para não dizer que não falei das flores, a voz pálida do MDB local partiu do deputado estadual Raniery Paulino, quando abominou a figura de Michel Temer, observando que o ex-presidente havia deixado de ser referência da sigla partidária há muito tempo.

 

Eliabe Castor
PB Agora
Foto: Politika.com

 

 


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