Implicado nas delações da Odebrecht e da JBS, o ministro da Ciência, Tecnologia e Comunicações e presidente licenciado do PSD, Gilberto Kassab, submergiu na crise que desestabilizou o presidente Michel Temer e adotou estratégia de sobrevivência política semelhante à usada no processo de impeachment da petista Dilma Rousseff, quando também era ministro: fazer vista grossa para parlamentares do partido que começam a se insurgir contra o governo. O prefeito de João Pessoa Luciano Cartaxo (PSD) que trocou o PT pelo partido de Kassab sobre o alegação que sua gestão não podia sofrer com o desgaste do seu antigo partido, agora sofre o desgaste com o PSD.

 

Segundo a imprensa nacional foi essa mesma atitude que fez com que Kassab fosse o último ministro a desembarcar do governo Dilma. Ele resistiu o quanto pode à pressão das bancadas e só deixou o cargo três dias antes da votação do afastamento da petista no plenário da Câmara.

 

Agora, também resiste ao movimento de parte de seus correligionários, que contestam as reformas e, nos bastidores, criticam a permanência de Temer no cargo. O PSD tem hoje a sexta maior bancada da base aliada na Câmara e no Senado. São 37 deputados e cinco senadores. Em ambas as Casas há divisão. Pelo menos dois senadores são contrários à reforma trabalhista – um deles, Otto Alencar (BA), votou contra o projeto na terça-feira passada na Comissão de Assuntos Sociais (CAS).

Cobranças

 

Kassab também foi cobrado por interlocutores de Temer, que estava fora do País, mas garantiu que o PSD não vai decepcionar na votação.

 

Na Câmara, os deputados do partido demonstram resistência em aceitar a reforma da Previdência. Antes da crise causada pela delação da JBS, a contabilidade dos votos favoráveis à proposta dentro da bancada chegava a, no máximo, 22. A avaliação agora, porém, é de que há apenas 15 deputados – menos da metade da bancada – dispostos a votar a favor da reforma.

 

O ministro e presidente licenciado do partido também negou “racha” em bancadas. Sobre inquéritos em tramitação no STF, ele afirmou que o fundamental é o funcionamento das instituições.

 

O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, anunciou em 2015, sua saída do Partido dos Trabalhadores (PT) e sua filiação ao Partido Social Democrático (PSD), presidido nacionalmente pelo ministro Gilberto Kassab e na Paraíba pelo deputado federal Rômulo Gouveia.

 

Segundo Luciano Cartaxo, a motivação á época para a saída do partido é o cenário de crise nacional e os “escândalos políticos”. “Temos a clareza de que não podemos ser penalizados pelos erros de terceiros, por questões que acontecem em âmbito nacional”, disse Luciano Cartaxo. “Esta é uma decisão, acima de tudo, pra quem tem coragem”, disse o prefeito ao explicar sua saída do partido ao qual era filiado desde 1996, o que, segundo ele, “foi muito bem pensada”. “Conseguimos fazer uma leitura clara do cenário para tomar uma decisão segura”, acrescentou Cartaxo a época.

 

 

Foto: Francisco França
Redação

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