Por pbagora.com.br

As investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF) que deram origem à operação Calicute mostram que o recebimento de propinas de empresas e o repasse ao grupo do ex-governador do Rio Sérgio Cabral era feito pessoalmente pelos chamados operadores financeiros da quadrilha. Em entrevista ao G1, investigadores contaram que quatro operadores recebiam dinheiro e colocavam em mochilas antes de depositá-los em bancos ou adquirirem bens como lanchas ou joias.

Outra prática utilizada pelo grupo, segundo o MPF, foi o recebimento de dinheiro vivo acomodado em carros. As investigações mostram, por exemplo, Wagner Jordão, assessor do então subsercretário de Obras do Rio, Hudson Braga, sendo pego pelo emissário da empreiteira Andrade Gutierrez nas proximidades da Secretaria Estadual de Obras. A pasta fica no prédio conhecido como Banerjão, no Centro do Rio. Enquanto, o veículo dava a volta no quarteirão, Jordão colocava o dinheiro em mochilas.

As investigações indicam que, por, pelo menos, cinco vezes, entre 2010 e 2011, Rafael Campelo, responsável indicado pela empreiteira Andrade Gutierrez para acompanhar as obras do chamado PAC das favelas, na comunidade de Manguinhos, na Zona Norte do Rio, agiu assim para entregar a propina ao grupo. Os pagamentos totalizaram R$ 1,876 milhão. Campelo revelou o esquema em depoimentos ao MPF homologados pela Justiça.

A PF e o MPF analisam documentos para saber se outra forma de recebimento de propina acontecia através do escritório de advocacia da mulher de Sérgio Cabral, a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo. Durante os dois governos de Cabral, no Rio, entre 2008 e 2014, o escritório de Adriana Ancelmo firmou contrato com concessionárias de serviços públicos como o Metrô, CEG, Oi e Light. Juntas, elas repassaram pouco mais de R$ 17 milhões. “Temos certeza, pelo que temos até o momento, de que isso já é o iceberg. Não estamos diante de um indício. Pelas pessoas investigadas e o alcance dos negócios temos uma estrutura formada e a certeza de como atuava a quadrilha”, afirmou o procurador José Augusto Vagos, um dos integrantes da Força-tarefa Rio da Lava-Jato.

Os procuradores que integram a Força-tarefa entendem que essa prática atingiu todas as empresas que participaram das grandes obras de infra-estrutura realizadas no Rio durante o governo Cabral. “Todos eles sabiam que era um jogo de cartas marcadas. Logo no primeiro mês de mandato, o então, governador Cabral se reuniu com representantes de empreiteiras e explicou que o pagamento de propinas seria uma espécie de compromisso”, diz Vagos.

 

G1

Foto: Guito Moreto/Agência O Globo

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