Ninguém precisará explicar no futuro o fenômeno Bolsonaro. O próprio Bolsonaro se explica a todo momento. Seu testamento político está sendo confeccionado com uma pressa espantosa por ele próprio, como quem tem um presságio de morte próxima, ou como quem quer transferir a outrem um legado que não tem condições de gerir.

Trata-se também de um testamento atípico perante os padrões históricos, pois produzido de forma oral, apenas ratificado ou retificado pelas mal traçadas linhas toscas do Twitter, sem freios cerebrais.

Bolsonaro não é o que faz, é o que diz – um governante essencialmente verbal que deu à sua língua uma função vulcânica que queima tudo a partir da própria boca. E como os vulcões, que não têm cérebro e agem por pressão de dentro para fora, jogando fogo à esmo, Bolsonaro também age por impulsos e joga lavas incendiárias e tóxicas aos quatro cantos do país.

O Programa de governo verbal de Bolsonaro (a primeira experiência governamental oral do mundo contemporâneo) tem uma explicação política razoável, que é a contraposição de algumas de suas vagas ideias ao moralmente falido império sodo-gomorrista da esquerda brasileira e do lulopetismo, aos quais destronou após quase vinte anos de desmandos e ataques em bandos ao Tesouro.

Por muita sorte dele próprio e das circunstâncias em que enfrentou a eleição, quando mais valia a fúria e indignação
da população contra o lulopetismo transformado em organização criminosa, que desafiava e ainda desafia o aparelho repressor do Estado, Bolsonaro foi compelido a quase não falar na campanha.

De fato, meia dúzia de palavras-chaves e um gesto apenas derem motivação a uma grande massa eleitoral que fundou o bolsonarismo, a maior frente anti-esquerda que o Brasil já viu, ainda hoje solidamente ativa, disposta a tudo para incinerar o lulopetismo, com Bolsonaro ou apesar de Bolsonaro e sua desastrada verbalidade inflamável e tóxica, que não polpa nem mesmo aliados e seguidores.

Parece improvável a salvação de Bolsonaro como dirigente do país e líder redentorista dentro do ideário do movimento bolsonarista, face à sua incapacidade de aglutinar, evitar dispersões, gerir o governo , emprestar função motora ao cérebro, abrir os ouvidos para além dos filhos e transformar a palavra e a língua numa arma de luta, resistência e construção.

A não ser que ele, consciente de suas próprias limitações, acuado pelo discurso que está dando graciosamente a uma esquerda de rapinagem e rapina, improdutiva e deletéria, esteja pensando em levar o bolsonarismo a apoiar uma governança de linha dura, responsabilizando o lulopetismo pela crise que quem aprofunda mesmo é o excesso de verbo frouxo governando um governo fraco. E um governante sem juízo.

E sendo para piorar ainda mais, estejamos certos de que a criminalidade política e seus consorciados em vários setores da sociedade ajudarão em nome da liberdade .

 

Por Gilvan Freire

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