A Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes, no Altiplano, promove nesta segunda-feira (18), às 20h, a sua segunda sessão de drive-in, no estacionamento, com “A memória que me contam”, drama sobre os anos de chumbo no Brasil estrelado por Simone Spoladore e Irene Ravache. Antes, tem a exibição do curta “A canga” (2001), de Marcus Vilar, com Zezita Matos, W.J. Solha e Everaldo Pontes.

O projeto é resultado de um esforço entre a Estação e a Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), com o apoio das Secretarias Municipais de Desenvolvimento Urbano (Sedurb) e do Turismo (Setur) e da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana (Semob).

O ingresso custa dois quilos de alimento não perecíveis por carro, que devem ser entregues nesta quarta, quinta e sexta-feira (13, 14 e 15),das 9h às 21h, na recepção do auditório. No ato, o motorista deve apresentar o documento do veículo, já que o controle das vagas no dia será feito mediante a apresentação de senha com os dados da placa.

“Dispomos de 121 vagas para carros de pequeno porte (inclusive voltadas para idosos e portadores de deficiência), e 30 para ciclistas”, explica Rangel Júnior, organizador do evento. Além disso, os espectadores também podem trazer cadeirinhas dobráveis, almofadas, cangas ou tapetinhos para se acomodar nos jardins da frente ou situados nas laterais do telão.

Infraestrutura – Dois projetores de intensidade de 7 mil lúmens e um de 12 mil lúmens, com qualidade full HD ocuparão um espaço de 25×9 metros, cobrindo a parede externa da área administrativa que dá para o estacionamento. O sistema de som será misto: para os que vêm de carro (e têm aparelho de som), a sintonia será feita por frequência de rádio. Para os que estão fora, haverá um sistema de alto-falantes disposto em dois pontos do estacionamento.

Atingindo-se a lotação máxima do estacionamento na Estação Cabo Branco, os carros excedentes serão orientados a ocupar o estacionamento da Estação das Artes, logo em frente. Os portões serão abertos a partir das 18h. Os banheiros da Sala de Práticas Educacionais, que ficam vizinhos ao local do drive-in, servirão aos espectadores. Completando a infraestrutura, dois pontos de venda de pipoca ficarão situados nas laterais do estacionamento.

Drive-in, uma paixão octogenária – Em 6 de junho de 1933, era inaugurado o primeiro estabelecimento de drive-in em Camden, Nova Jersey, EUA. Os 600 espectadores que foram à estreia pagaram 25 centavos de dólar para entrar com seu automóvel e o mesmo valor para cada ocupante do veículo para assistir à comédia britânica “Wives Beware”.

Com o anúncio “Toda família é bem-vinda, sem importar quão barulhentas sejam as crianças”, Richard Hollingshead, o seu criador, eliminou a preocupação dos pais de não poder levar os filhos ao cinema por medo que interrompessem a sessão e, além disso, economizavam o dinheiro da babá, enquanto curtiam um programa a dois.

A ideia surgiu decorrente de um problema da família Hollingshead: a mãe de Richard era obesa e não cabia nos assentos de uma sala de cinema. “Portanto, decidiu colocá-la em um carro, pôr um projetor de 1928 na capota e amarrar dois lençóis nas árvores de seu jardim”, contou Jim Kopp, da Associação de Proprietários de Drive-ins dos Estados Unidos.

Hollingshead testou durante alguns anos até conseguir o sistema de rampas necessário para que os carros pudessem estacionar em alturas diferentes e não bloqueassem a visão dos outros espectadores. Ele patenteou a ideia em maio de 1933 e abriu as portas do seu próprio drive-in no mês seguinte.

Em 1958, existiam mais de 4 mil destas instalações em todo o território dos Estados Unidos. Hoje, após duas décadas de decadência, voltam a ressurgir como peça nostálgica, direcionada quase exclusivamente à família e em um número reduzido. A diminuição no sucesso do drive-in começou a partir dos anos 80, devido ao aumento no valor das terras, além do emprego do vídeo e da televisão a cabo.

“A memória que me contam” –(Brasil, 1h35min, 14 anos) Ana – interpretada por Simone Spoladore –, guerrilheira nos anos de chumbo, agoniza numa cama de hospital. Ela nunca é vista no presente, apenas na memória de seus amigos, que na sala de espera aguardam os acontecimentos e relembram seu passado. Sua melhor amiga era Irene (Irene Ravache), é uma cineasta que está fazendo um filme sobre os anos 60.

De forma sutil, a diretora Lúcia Murat – que assina o roteiro com a premiada escritora Tatiana Salem Levy (autora do romance “A chave de casa”) – investiga como o passado e o presente dialogam nas figuras dos amigos militantes e seus filhos no presente.

Essa é, aliás, uma questão nem sempre muito bem resolvida no filme: a geração mais moça. Os principais personagens jovens são Eduardo (Miguel Thiré), filho de Irene, e Gabriel (Patrick Sampaio), filho de Ricardo (Otávio Agusto). Os dois rapazes formam um casal e, ao contrário dos personagens mais maduros, aparecem como figuras menos bem delineadas do que a geração de seus pais. Outro personagem que ajuda a estabelecer um contato entre o passado e o presente é Paolo, interpretado pelo ator italiano Franco Nero – recentemente visto em “Django Livre” e intérprete do personagem Django original nos westerns italianos.

Exilado no Brasil, Paolo é acusado de terrorismo em seu país. Embora possa lembrar de imediato Cesare Battisti, o personagem é, na verdade, inspirado em um grupo de italianos que se refugia no Brasil na década de 1980.

O tom de réquiem que domina a narrativa é a cerimônia de despedida de Ana, que se mescla com a percepção dos personagens sobre o fim de suas utopias e dos ideais pelos quais lutaram. José Carlos (Zé Carlos Machado), por exemplo, era membro da resistência à ditadura militar e hoje é ministro da Justiça, o único do grupo que efetivamente chegou ao poder.

Com esse filme, Lúcia Murat revisita seu primeiro longa, “Que bom te ver viva” (1988), também protagonizado por Irene Ravache, e inspirado na própria história da diretora, que foi presa política e torturada.

Irene, a personagem de “A memória que me contam”, poderia muito bem ser vista como a mesma pessoa daquele outro filme 25 anos mais tarde, agora com mais experiência e um tanto mais desiludida. No filme, Lúcia faz um retrato daqueles que no passado lutaram contra a ditadura e, atualmente, pertencem a uma classe média conformada em viver sem ilusões.

“A canga” – Atordoante curta do premiado diretor paraibano Marcus Vilar. Num descampado, no meio da lavoura seca, o velho Ascenço Teixeira obriga os filhos a colocar nos ombros uma canga de boi. A esposa e a nora também são obrigadas a ajudar no trabalho. Fora de si, o velho perde o controle da situação e a família reage, provocando um desfecho inusitado. Destaque para a belíssima fotografia de Walter Carvalho, “A canga’” recebeu o Prêmio Especial do Júri no Festival Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira, em Portugal, e levou três Kikitos no Festival de Gramado 2001: melhor música, melhor filme (Prêmio Aquisição Canal Brasil) e melhor filme pelo voto popular.

Serviço:
Estacine Drive-In exibe “A canga” e “A memória que me contam”
Quando: segunda-feira (18), às 20h
Onde: estacionamento da Estação Cabo Branco
Ingresso: 2 kg de alimento por carro, trocados na quarta, quinta e sexta (13, 14 e 15, das 9h às 21h), na recepção do auditório
Entrada: no dia, liberada a partir das 18h
Informações: Rangel Júnior, organizador (8888-9833)
Fones: 3214-8270, 3214-8303

 

Secom-JP

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